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Sempre Estrangeira

de Claudia Durastanti
Livro eBook
Editor: Dom Quixote, julho de 2020 ‧
18,80€
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Quando tudo cai, permanece, indomável, o amor.

A primeira pergunta que lhe fazem sempre é como aprendeu a falar e, logo a seguir, em que língua sonha. Filha de pai e mãe surdos que se separaram pouco depois de terem os filhos, a protagonista deste livro viveu uma infância verdadeiramente febril, sempre a andar de um lado para o outro - de Brooklyn, em Nova Iorque, para Basilicata, uma aldeiazinha em Itália - e da mãe para o pai; mas, tal como uma planta obstinada, foi capaz de criar raízes em todo o lado e, já adulta, acabou por replicar este comportamento migratório, fosse por causa dos estudos, da emancipação, do inescapável amor.

Sempre Estrangeira é a história de uma educação sentimental contemporânea, desorientada pelo passado e pela consciência das diferenças físicas, das distinções sociais, da pertença a um lugar. Parte memória, parte narrativa culta e romanesca, é uma viagem fascinante em busca da auto-afirmação, na qual a geografia, a arte e a linguagem são simultaneamente armas de revolta e de redenção.
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Infância, adolescência e juventude

Há quem veja a infância como um paraíso perdido e a juventude como o seu contrário: uma batalha pela emancipação. Entre uma e outra, a adolescência aparece como um território turbulento, feito de excessos e de deslocamentos. Mas se a vida adulta nos convida a olhar para trás, percebemos que estas idades não se esgotam nos calendários da escola ou nos rituais de passagem social: continuam a reverberar, subterrâneas, ao longo da vida. Um adulto nunca deixa de ser criança, adolescente e jovem; apenas aprende a disfarçar ou a negociar com estas vozes. A literatura, com a sua capacidade de suspender o tempo, tem sido um dos lugares privilegiados para pensar nestas passagens: a beleza e o trauma, a promessa e a perda.
Quatro livros, de épocas e geografias distintas, mostram-nos isso com intensidade particular: Bambino a Roma, de Chico Buarque; Sempre Estrangeira, de Claudia Durastanti; Infância, Adolescência e Juventude, de Lev Tolstói; e Retrato do Artista Enquanto Jovem, de James Joyce. Cada um encena, à sua maneira, a perplexidade de crescer. Bambino a Roma, de Chico Buarque Bambino a Roma é uma lembrança, mas é também um exercício de tradução. Chico Buarque recupera o menino que foi em Roma, filho de Sérgio Buarque de Holanda, num tempo em que a cidade era, para ele, tanto casa como estranheza. A infância surge aqui como uma geografia instável: a criança oscila entre línguas (português e italiano), entre espaços (a casa e a rua), entre papéis (filho de diplomata, mas também apenas um menino curioso). O olhar infantil atravessa a cidade não como turista nem como habitante, mas como alguém que ainda não tem as palavras para nomear o mundo.
O mais interessante é que este olhar não é inocente: a criança sente-se estrangeira no quotidiano. Roma aparece não como cenário monumental, mas como um território de pequenos absurdos, de sons, de gestos que não se entendem. O estrangeiro não é apenas o brasileiro em Roma, mas a própria condição da infância: todos somos estrangeiros na vida quando a estamos a aprender pela primeira vez.
Ao escrever, Chico reconhece que a infância só existe como memória narrada. O livro mostra essa duplicidade: é um adulto que recorda e inventa, e ao fazê-lo percebe que a infância nunca pode ser recuperada em estado puro. Só podemos narrá-la como estrangeiros de nós mesmos. A lição do livro é subtil: a infância não é apenas um tempo que passa, é uma língua que continuamos a tentar traduzir. COMPRO NA WOOK! »

Sempre Estrangeira

de Claudia Durastanti

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722069878
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: julho de 2020
Idioma: Português
Dimensões: 158 x 237 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 272
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722069878

Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Maria Paula

Esta híbrida narrativa, percorre existências insólitas e perturbadoras, levando-nos à nossa própria viagem interior, durante a qual as nossas próprias memórias de infância nos assaltam e nos questionam. Seremos nós, também, sempre estrangeiros?

SOBRE O AUTOR

Claudia Durastanti

Claudia Durastanti (Brooklyn, 1984) é escritora e tradutora. O seu romance de estreia Un giorno verrò a lanciare sassi alla tua finestra, de 2010, venceu o Prémio Mondello Giovanni; em 2013, publicou A Chloe, per le ragioni sbagliate, e em 2016 Cleopatra va in prigione, com traduções previstas em breve em vários países. Foi Italian Fellow in Literature na American Academy de Roma. Conta-se entre os fundadores do Italian Festival of Literature de Londres. Colabora com o jornal La Repubblica e vive em Londres.

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