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Se um dia voltarmos

de María Dueñas
Livro eBook
Editor: Porto Editora, agosto de 2025 ‧
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Orán, Argélia francesa, finais da década de 1920.
Ana Cecilia Belmonte, uma jovem espanhola de apenas 17 anos, foge de casa após um episódio traumático. Sem documentos nem destino, atravessa o mar Mediterrâneo e refugia-se numa terra estranha.
Num ambiente hostil, onde imperam a desigualdade, o colonialismo e a opressão, Cecilia encontra trabalho nas fábricas de tabaco, nos campos e nos bairros mais esquecidos de Orán. A cada passo, enfrenta humilhações, perigos e perdas. Mas é também aí, na margem da sociedade, que descobrirá alianças inesperadas, redes de apoio e de solidariedade feminina, vínculos e paixões que, aliados à sua coragem e resiliência, acabarão por conduzi-la por um caminho repleto de reviravoltas, conquistas e desafios.
A Guerra Civil Espanhola, o avanço nazi no Norte de África e o conflito pela independência da Argélia marcam o contexto desta poderosa história de resistência, que é também uma reflexão sobre identidade, pertença e os laços que nos unem à terra de onde partimos – mesmo quando já não é possível voltarmos.
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«Tento ir resgatando momentos que ficaram encobertos pela pátina do tempo» – Entrevista a María Dueñas

María Dueñas, doutorada em Filologia Inglesa, trocou a vida académica de duas décadas pelo universo literário em 2009, quando surpreendeu leitores de todo o mundo com O Tempo Entre Costuras. O romance tornou-se um verdadeiro fenómeno editorial e a sua adaptação televisiva obteve um êxito extraordinário.

Seguiram-se Recomeçar, As vinhas de La Templanza, As Filhas do Capitão e Sira — obras que consolidaram a sua voz única e aplaudida tanto pelos leitores como pela crítica. Traduzida em mais de 35 línguas e com milhões de exemplares vendidos, María Dueñas é hoje uma das autoras mais reconhecidas e queridas da literatura em língua espanhola.

Estivemos à conversa com a escritora a propósito de Se Um dia Voltarmos, o seu sexto romance, que acaba de ser lançado em Portugal pela Porto Editora. María Dueñas, Foto © Alexandra Teófilo/Porto Editora Se Um dia Voltarmos passa-se na cidade argelina de Orán, que tem grande protagonismo ao longo do livro. Porquê Orán?
Eu tinha algum conhecimento da presença de espanhóis em Orán pelos meus vínculos com o sudeste Mediterrâneo e com o norte de África, e tinha consciência de que era muito desconhecido, dentro da tradição emigrante espanhola que me agrada recuperar. Comecei a investigar para ver se podia ter potencial narrativo, e vi que tinha imenso. E então lancei-me a resgatar esse mundo de forma muito forte: a violação de Cecilia que, além disso, mata o homem que a violou.

Por que escolheu começar com uma cena tão forte?
Muitas vezes não se tem um catálogo de opções para decidir. Eu queria que ela partisse sozinha e que, para começar a sua vida do zero em Orán, partisse de uma maneira precipitada, sem nenhum conhecimento do sítio para onde ia. Naqueles anos, infelizmente, estes abusos eram muito comuns. Agora continuam, mas pelo menos há outros canais para denunciar. Mas na altura a situação era de vulnerabilidade absoluta, e Cecilia tinha consciência de que, ao defender-se, tinha matado um homem, e tudo iria ficar contra ela depois. E por isso decidi que era como se tivesse os ingredientes necessários para a pôr em marcha de uma maneira absolutamente precipitada e sem voltar a olhar para trás.   «Nos meus romances (…), tento ir resgatando momentos, acontecimentos que ficaram um pouco encobertos pela pátina do tempo.» Cecilia enfrenta muitas dificuldades ao longo da história (assédio constante, gravidez inesperada, separar-se da filha, casamento forçado). O que terá sido mais difícil para ela? E qual foi a melhor parte das suas aventuras?
Suponho que o mais difícil é quando perde a filha e essa sensação que tem de culpa, que permanece tantos anos depois. Embora o bom senso lhe diga que foi um acidente, por outro lado, pensa sempre: “Se eu tivesse agido de outra maneira”. Dentro de todas as coisas ingratas que lhe acontecem, isso talvez seja o mais dilacerante.
O melhor das suas aventuras talvez seja o amor, haver uma pessoa que que entra na sua vida e que não sai de todo.

No final do livro, nos “Agradecimentos”, damo-nos conta de que fez um trabalho exaustivo de pesquisa sobre a época: a emigração espanhola para a Argélia, a Guerra Civil, a Segunda Guerra, a Guerra da Independência… O que mais a fascinou ou surpreendeu em tudo o que descobriu acerca deste período?
Tudo. Era uma descoberta contínua de detalhes, de pequenas vivências pessoais, de grandes acontecimentos. Tentei que isso se refletisse no pano de fundo histórico: a Argélia francesa, e depois com os espanhóis; a Guerra Civil Espanhola, o exílio espanhol, a II Guerra Mundial, a Guerra da Independência… Tudo isso foi muito enriquecedor e fascinante.
Mas também coisas que as testemunhas me contaram, porque é tudo relativamente recente e ainda há muita gente que viveu aquele mundo em criança, ou os seus descendentes, que contam experiências dilacerantes. Num sentido ou noutro. Porque cada um — falei com muita gente — vem de uma origem, de uma posição e de uma circunstância distinta. O testemunho humano também foi muito importante. Por que escreve romances históricos e não outro género qualquer?
Eu não concebo os meus romances como históricos, acho que são mais romances clássicos sobre um pano de fundo histórico. Tento não abordar períodos históricos que já estão muito trabalhados na literatura, mas sim ir resgatando momentos, acontecimentos que ficaram um pouco encobertos pela pátina do tempo. O Tempo Entre Costuras passa-se em Tetuão e Tânger; As Filhas do Capitão, na Nova Iorque dos emigrantes espanhóis. São períodos muito interessantes, e muito desconhecidos para muitos leitores, e que vale a pena iluminarmos de novo, situando neles novas histórias.
  Como escritora de histórias ambientadas noutra época, sente que o mundo mudou muito ou que não mudou o suficiente?
Mudou imenso, mas ainda há coisas recorrentes, com outro formato e com outra circunstância: a emigração, os abusos…. Há coisas que ainda não mudaram de todo, não. Têm outra dimensão, movem-se de outra forma distinta, têm outras dinâmicas, mas há muitas coisas que vamos repetindo de geração em geração e provavelmente nunca acabarão. Infelizmente. Há algumas que, felizmente, se mantêm – e que transponho para a história de Cecilia –, como a solidariedade e a empatia, que não esperas de gente desconhecida. Mas outras, como a emigração, continuam a ser um drama em muitos sítios do mundo, pelo que, para o bem ou para o mal, é um pouco a História da Humanidade: é circular, ou pendular, mas voltamos a passar pelo mesmo. Tem um doutoramento em Filologia Inglesa e foi professora na Universidade de Múrcia durante duas décadas, até irromper no meio literário em 2009. O que a levou a publicar o seu primeiro romance aos 45 anos?
Escrevi o meu primeiro romance enquanto continuava a ser professora full-time, com as minhas aulas, os meus projetos de investigação, a minha vida. Mas estive algum tempo nos Estados Unidos como professora visitante numa universidade, e aí, pela primeira vez em muito tempo, tive um pouco de calma, de tempo mais livre, e apetecia-me. Ainda tinha energia e vontade de fazer algo diferente. Nunca comecei a escrever pensando: “Vou abandonar a minha carreira académica e vou começar outra nova via profissional”; mas depois o livro foi publicado e teve uma aceitação enorme, absolutamente inesperada. Chegou um momento em que percebi que não podia fazer as duas coisas ao mesmo tempo, e então fechei a porta da universidade e abri esta, e aqui estamos.

O que mudou para si entre o seu primeiro romance, O Tempo Entre Costuras, e Se Um Dia Voltarmos, que é já o sexto?
Em cada novo livro mudaram muitas coisas, sou 20 anos mais velha, mas o resto não tanto, porque para mim cada romance é mais do que o simples ato de escrever uma história; é como um projeto de vida que me ocupa uns 2 anos, que me leva a investigar, a aprender, a conhecer pessoas, a viajar, a conceber uma história, a dar-lhe forma e moldá-la, depois acompanhar o romance na promoção, e então nisso, sim, entrego-me em cada novo livro com o mesmo entusiasmo, a mesma vontade, a mesma capacidade de trabalho, tudo.

Portanto, como se fosse a primeira vez.
Sim, porque tento sempre escolher momentos, ideias, histórias que me estimulem. Para mim é também um processo de aprendizagem, cada romance é um desafio. E isso repete-se sempre.   «Eu participo nas adaptações televisivas e é um processo tortuoso porque (…), por mim, pelos meus leitores, tenho de velar para que não se perca a alma e a sua essência [dos livros]». Se comparar a carreira de escritora com a carreira de professora, o que é que gosta mais e menos na carreira de escritora?
Escrever é um processo muito solitário, mas depois, entram a promoção, o trabalho editorial e muitos agentes externos. Durante a escrita real do livro, que geralmente me leva cerca de um ano, é trabalho absoluto e és tu que tomas as decisões e toda a capacidade organizativa está em ti. Na universidade também se trabalha bastante em equipa, e com os alunos. Aquilo de que talvez tenha sentido mais falta na escrita é a possibilidade de interagir com pessoas, até aquele café a meio da manhã com os colegas. Mas tem também o lado bom, porque fazes o que queres; ninguém te dirige, te organiza, te estabelece prazos. És completamente independente e livre. Qual é a sua relação com as adaptações televisivas das suas obras? É difícil ver atores darem uma cara às suas personagens, que pode não ser a que tinha imaginado?
Eu participo e é a minha grande dor de cabeça: os guiões, a supervisão dos guiões. Fi-lo com O Tempo Entre Costuras, fi-lo com As Vinhas de La Templanza e agora estou a fazê-lo com Sira. É um processo longo, árduo e pode tornar-se muito duro porque tens de zelar pelo teu livro. Eu não exijo que esteja tudo igual ao que está no livro, mas tenho de estar muito atenta para que não se converta noutra coisa que não tenha nada a ver. Por mim, pelos meus leitores, tenho de velar para que não se perca a sua alma e a sua essência. E às vezes os guionistas e os produtores querem outra coisa, pelo que é um processo tortuoso. É uma luta enorme, mas no fim acho que tudo vai correr bem. Qual foi o último livro que a encantou, de outros escritores?
Leio coisas muito diferentes. Comecei a ler um livro de contos da Lídia Jorge, porque um amigo ma recomendou há uns meses, e estou a gostar imenso. Durante a fase final da escrita do último romance, estive muito fascinada com Albert Camus, Prémio Nobel da Literatura, de origem argelina, descendente de família espanhola também, e que vive esse mundo das classes trabalhadoras, de pessoas com pouca educação, com poucos recursos, que prosperam através da escola, do esforço; isso abre os olhos para um mundo novo, e também me fascinou.

Já sabe o que vai escrever a seguir?
Não, ainda não tenho ideia nenhuma, é quase sempre assim. Raramente há algo, porque para mim o processo deste romance ainda não terminou. É como uma cápsula de tempo na qual terminei a minha tarefa de escrever, mas não a minha tarefa de acompanhar o livro, agora que começam as traduções. Para português é a primeira, mas já estão a trabalhar com o francês, com o italiano, com o inglês, ou seja, virão mais, e eu vou acompanhando. Dentro de uns meses, quando terminar todo este período, então aí, sim, penso nisso a sério.

Se um dia voltarmos

de María Dueñas

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-0-05691-7
Editor: Porto Editora
Data de Lançamento: agosto de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 235 x 28 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 448
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 978972005691711
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Narrativa extraordinária!

Helena Leote

Uma narrativa espantosa escrita na 1 ª pessoa. Trata-se de uma história fictícia, porém assente em pilares da realidade. Numa linha temporal, entre 1920 e 1962, vamos conhecendo Cecília: a sua vida, os seus amores e desamores, os seus traumas, a sua resiliência, a sua ascensão e queda, a sua força ímpar... Num cenário argelino, marcado pela presença de emigrantes espanhóis e franceses; pela intervenção da força militar americana, vão decorrendo as ações plenas de interesse histórico. Primorosamente escrito, com uma tradução irrepreensível a cargo de Clara Ribeiro, este é um romance sublime: as cores, os cheiros, os sons, as texturas, os sabores são descritos com um talento tal que nos vemos imersos nas situações. É um romance com temperatura, atrevo-me a dizer... Cativa-nos desde o início. De tantos que li, ao longo deste ano, elejo este como o melhor....É extraordinário! Recomendo: ¿¿¿¿¿!!

Magnífico!

Catarina

Livro de leitura compulsiva, como aliás têm sido todas as obras de Maria Duenas! Retrata a história de uma mulher forte e resiliente, com uma grande força de viver

Imperdível

A.R.

Um romance histórico emocionante, no qual, através do relato da vida da narradora, podemos acompanhar as vivências de espanhóis e franceses na Argélia, desde os anos 20 do século passado, até à independência do país. Muito bem escrito e com uma tradução (de Carla Ribeiro) e revisão impecáveis. Excelente! Esta autora (a mesma de "O tempo entre costuras" e "Sira") é, definitivamente, uma das minhas favoritas.

Muito aguardado!

Noémia Lopes

Mais um romance muito aguardado ! Maria Dueñas regressa no seu melhor! Uma personagem forte, bem construída, à boa maneira desta autora. Um enredo intenso, repleto de reviravoltas, peripécias e algum suspense, capaz de nos " agarrar", do início ao fim! Valeu a espera. Possivelmente, um dos melhores romances do ano!

Empolgante

Ana Canelas

Desde a primeira linha até à última deixa-nos na expetativa do que irá acontecer. Não me canso de ler os seus romances.

SOBRE O AUTOR

María Dueñas

María Dueñas é doutorada em Filologia Inglesa. Depois de duas décadas dedicadas à vida académica, irrompeu pelo mundo literário em 2009, com O tempo entre costuras, o romance que se tornou um fenómeno editorial e cuja adaptação televisiva alcançou um sucesso assinalável. Os seus romances posteriores, Recomeçar, As vinhas de La Templanza, As filhas do Capitão e Sira continuaram a cativar os leitores e a crítica.
Traduzida em mais de 35 línguas e com milhões de exemplares vendidos, a autora é uma das escritoras de língua espanhola mais estimadas no mundo.
Se um dia voltarmos é o seu sexto romance.

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