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Se os Gatos Falassem

de Piergiorgio Pulixi
Editor: Clube do Autor, Janeiro de 2026 ‧
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Novo thriller de Piergiorgio Pulixi, repleto de suspense, ironia e referências às grandes obras policiais

A livraria Les Chats Noirs, de Marzio Montecristo, foi escolhida como livraria flutuante para um evento exclusivo. O conceituado escritor Aristide Galeazzo, um dos nomes mais acarinhados e controversos de Itália, vai escrever os capítulos finais da sua nova obra a bordo de um navio de cruzeiro.

A editora organizou uma viagem à volta da Sardenha com paragens nos principais portos. A referência à obra Morte no Nilo é óbvia, e a estratégia de marketing da editora cavalga a onda. Marzio, porém, só aceita o convite por causa dos problemas financeiros da livraria.

Na expectativa de uns dias tranquilos, faz-se acompanhar pelos seus gatos, Miss Marple e Poirot, e pelo inspetor Caruso. A viagem toma um rumo inesperado quando um assassinato quebra o ambiente idílico. Ninguém pode sair do navio, as suspeitas crescem e a tensão é palpável. Cabe ao livreiro usar anos de leitura de policiais para confrontar um assassino brilhante, convencido de que cometeu o crime perfeito.

«Um grande escritor italiano, o mago da sua geração.»
Le Point

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À conversa com Piergiorgio Pulixi

O escritor italiano Piergiorgio Pulixi tem sido aclamado como um dos novos mestres do suspense italiano. O seu romance de estreia, A Livraria dos Gatos Pretos, recebeu o mais prestigiado prémio em Itália para a ficção policial, o Giorgio Scerbanenco, e ainda o conceituado Prix Babelio para o melhor policial em França. Se os Gatos Falassem, o seu segundo romance, recentemente lançado em Portugal, envolve o leitor num enigma de “quarto fechado” rico em suspense, dando a mão ao célebre Morte no Nilo, numa homenagem a Agatha Christie. Desta vez, Marzio, o dono da livraria Les Chats Noirs é convidado para um cruzeiro literário onde um conceituado escritor terminará o seu novo livro. Marzio leva consigo os seus gatos, Miss Marple e Poirot, e o inspetor Caruso. Quando ocorre um assassinato a bordo, o livreiro vê-se obrigado a usar o seu conhecimento de policiais para desmascarar um criminoso que acredita ter cometido o crime perfeito.
Nesta entrevista, o autor revela as inspirações, desafios e prazeres por detrás deste novo livro, em que volta a recriar o encanto das investigações clássicas. Pulixi fala-nos também do papel quase metafísico dos gatos, que funcionam como observadores privilegiados e cúmplices da narrativa, e chama a atenção para a pressão do mercado editorial e a forma como a fama pode distorcer a criação literária. O que não o impede, felizmente para nós, de criar novos livros de mistério, em que os gatos voltam a brilhar… Piergirogio Pulixi – Foto © Francesca Steri Se os Gatos Falassem parece brincar com a fronteira entre o real e o fantástico. Numa frase, como descreveria o livro aos leitores?
Se os Gatos Falassem é um romance policial que presta homenagem à grande tradição da ficção detetivesca mundial, envolvendo o leitor num enigma de “quarto fechado” rico em suspense, humor subtil e leveza, com atmosferas de toque vintage que fazem lembrar o sabor dos romances de Agatha Christie.

O que mais o entusiasmou enquanto escrevia este livro?
Construir uma história na qual os leitores pudessem perder-se durante algumas horas, redescobrindo o prazer de uma investigação à moda antiga — guiada inteiramente pela razão e pela intuição, sem tecnologia à vista. Queria, durante algum tempo, fazê-los esquecer o mundo dos computadores, telemóveis, redes sociais e internet, que tantas vezes nos cercam e nos pesam. E, para além de os envolver no mistério, quis fazê-los sorrir e deixá-los com um sentimento de esperança.   Os gatos «possuem uma inteligência curiosa e intrometida: adoram explorar e nunca aceitam a derrota perante uma porta fechada.» Os gatos são personagens centrais e quase “investigadores” por direito próprio. Como surgiu a ideia de lhes dar voz — e até uma certa filosofia felina?
Sempre senti que os gatos são, de certa forma, criaturas bastante metafísicas. É quase como se estivessem para sempre suspensos entre este mundo e outro. Possuem uma inteligência curiosa e intrometida: adoram explorar e nunca aceitam a derrota perante uma porta fechada. Além disso, são animais crepusculares — dormem durante o dia e, à noite, vagueiam sozinhos pela cidade, como se fossem Philip Marlowe num romance de Raymond Chandler. Independentes e livres, são observadores atentos e testemunhas silenciosas. Gostei da ideia de trazer, para enredos tão lineares, ordenados e geométricos como os de um mistério clássico, uma presença ligeiramente metafísica que quebrasse a simetria.

A referência a Morte no Nilo percorre o livro. Como foi envolver-se com um clássico tão icónico de uma forma original e nova?
Foi uma grande honra, mas ao mesmo tempo trouxe um enorme sentido de responsabilidade. Ainda assim, creio que se sente o amor por esse livro — e, de forma mais ampla, pelas atmosferas, enredos e personagens de Christie. E quando se fazem as coisas com amor, tudo se torna mais simples e agradável. Adoro esses romances pelas emoções que me deram, pelas horas despreocupadas, pela fuga às responsabilidades do quotidiano — ainda que apenas por pouco tempo. Quis dar tudo isso de volta aos leitores, usando a mesma fórmula que a “Rainha do Crime”.

O livro transforma o cruzeiro num verdadeiro espetáculo literário — com um escritor a terminar um livro em público, leitores a bordo e toda a maquinaria do marketing literário. Era sua intenção criticar o mercado editorial e a pressão da fama?
Sim — o mundo editorial é frequentemente muito mais romantizado do que realmente é. É um mundo — pelo menos na Itália — em que os números contam muito mais do que as palavras, onde os escritores são cada vez mais tratados como prestadores de serviços e não como artistas; um ambiente altamente industrializado no qual, se não te adaptas a dinâmicas cada vez mais comerciais, és esmagado. Trabalhar num mundo tão competitivo também significa que o teu emprego nunca está verdadeiramente seguro: alguém mais astuto – mais hábil e com menos inibições do que tu – pode tirar-to a qualquer momento. Esta tensão constante e frenética, com todos a perseguir o próximo bestseller, gera uma ansiedade sufocante. Levei esse ambiente ao extremo, tentando mostrar o que poderia acontecer a alguém que tenta subverter um sistema tão cruel. Spoiler: pode tentar, mas não acaba bem. Qual foi a cena ou momento do enredo que mais prazer lhe deu criar (sem revelar segredos…)?
Diria que a forma como o homicídio é cometido — a própria construção do crime, a mecânica do ato. Quis algo novo: clássico no espírito, mas nunca antes visto ou usado. Passei um ano a pensar nisso, a virar cada detalhe do avesso; nada podia, ou devia, ser deixado ao acaso. Cada elemento tinha de funcionar e ser coerente com o resto. E quando finalmente o escrevi — bem, diverti-me imenso. Foi também, de certa forma, um alívio, porque já pensava nisso há muito, muito tempo.

Se os Gatos Falassem segue A Livraria dos Gatos Pretos, que recebeu o Prix Babelio para melhor romance policial, em França. Como recebeu essa distinção e que impacto teve na sua carreira?
A Babelio é a maior comunidade de leitores em França, com quase um milhão e meio de membros registados. Receber esse prémio foi realmente importante para mim, porque é um prémio que vem diretamente dos leitores: não há agendas ocultas, nem influências ou jogos de poder orquestrados nos bastidores pelas editoras — como tantas vezes acontece com prémios literários tradicionais. Aqui, são os leitores que votam de acordo com os seus próprios gostos e as emoções que sentiram ao ler. Por isso, foi um privilégio imenso.
E é ainda mais especial tê-lo ganho precisamente com o livro que presta homenagem aos leitores e aos clubes de leitura. Acho que aqueles que votaram se reconheceram no clube de ficção policial da livraria Les Chats Noirs.   «Quis algo novo: clássico no espírito, mas nunca antes visto ou usado.»

A Livraria dos Gatos Pretos foi descrita como um equilíbrio entre “cozy crime” e suspense intenso, e comparada ao estilo de Agatha Christie ou Peter Swanson. Concorda?
Sim, absolutamente. São dois autores que me inspiraram profundamente. Na verdade, coleciono a obra completa de Agatha Christie. Também devo muito aos filmes Knives Out, protagonizados por Daniel Craig, porque ajudaram a trazer de volta a atmosfera vintage do mistério clássico. Isso certamente ajudou a preparar o terreno para esta recente redescoberta do “cozy crime” e do mistério com sabor vintage.

Muitos críticos apontam-no como um dos novos mestres do suspense italiano. Como se sente em relação a isso? Trouxe mais pressão ao seu processo de escrita?
Na verdade, sim — e a pressão é má companhia para um escritor. Tento conviver com a situação da forma mais humilde possível, mantendo tudo em perspetiva. Sou apenas um artesão de histórias. Trabalho em estruturas narrativas que têm de ser o mais sólidas possível. Trabalho as emoções com martelo e cinzel, passando depois aos retoques mais finos — sentimentos e paixões. Sujo as mãos com o giz e a argila dos segredos e dos instintos mais sombrios. Mas, no fim do dia, não sou mais do que um artesão. Não salvo a vida a ninguém. Não descubro curas extraordinárias para milhares de pacientes. Sou um entertainer a tentar escrever da forma mais elegante e cativante que consigo. E, por isso mesmo, tento manter os pés bem assentes na terra, consciente de que os verdadeiros mestres são bem diferentes.

A sua escrita é frequentemente elogiada pela forma como renova o romance policial contemporâneo. Que autores ou tradições literárias mais influenciam o seu trabalho?
Sem Stephen King, provavelmente não me teria apaixonado tão profundamente por histórias — e dificilmente teria acabado a fazer este trabalho. Portanto, ele, sem dúvida. Depois acrescentaria Jim Thompson, Agatha Christie, o grande Michael Connelly, Ian Rankin, Don Winslow, o primeiro James Ellroy — e ultimamente tenho adorado Tana French e Louise Penny. Acredito, contudo, que a grandeza, o génio e a pura alta-costura literária de Edgar Allan Poe permanecem inigualáveis.

Pode revelar alguma pista sobre o que está a preparar a seguir? Há mais gatos detetives no horizonte, ou vai explorar novos caminhos?
Na verdade, estou neste momento a trabalhar no terceiro livro da série policial protagonizada por Marzio e os seus gatos pretos. Está previsto sair em Itália em setembro deste ano. Desta vez, passa-se numa pequena ilha ao largo da Sardenha, e a homenagem é a E Não Sobrou Nenhum — talvez o romance mais famoso de Agatha Christie. Será uma investigação complexa e de ritmo apertado, na qual Marzio não poderá confiar em ninguém, exceto em Marple e Poirot. Mal posso esperar que chegue também a Portugal.

Se os Gatos Falassem

de Piergiorgio Pulixi

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897248542
Editor: Clube do Autor
Data de Lançamento: Janeiro de 2026
Idioma: Português
Dimensões: 153 x 235 x 20 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 312
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Policial e Thriller
EAN: 9789897248542

Ao estilo de Agatha Christie

Ricardo Trindade, O Informador

Marzio é um livreiro depressivo que vê o seu negócio em quase falência, muito pela sua teimosia e mau feitio, acabando por afugentar os poucos clientes que podiam frequentar a Les Chats Noirs. Neste espaço, para além de Marzio, existe Patrícia, uma empregada dedicada que tenta a todo o custo contrariar a queda que tem vindo a acontecer do espaço e a dupla Miss Marple e Poirot, dois gatos que parecem liderar as hostes perante quem visita a quase extinta livraria. Tudo parece correr mal, isto quando Patrícia obriga Marzio a aceitar dar uma entrevista que altera por completo o rumo da situação, já que a partir daí surge o convite para embarcar num cruzeiro literário com base na promoção do novo livro de um famoso autor, Aristide, e que pode ajudar a equilibrar as finanças da livraria. Só que este evento de dias vem com várias nuances e o que parecia um belo evento com autores, editores, leitores e bastantes convidados, passa a ser a cena de um crime que tem de ser investigada antes que se regresse a um porto de embargo e Marzio, com a sua experiência de leitor de grandes obras de investigação acaba por se ver no centro deste problema com o seu amigo, o Inspetor Caruso, tal como os seus companheiros felinos que irão dar uma grande ajuda perante o desvendar dos factos. Uma thriller literário bem escrito e com um bom desenvolvimento ao bom estilo dos grandes clássicos do suspense e com um toque de humor pelo meio que não passa despercebido. Curioso? Parece que o convite para embarcar neste cruzeiro está mais que feito!

Sem Poirot nem Miss Marple

Paula Mourato

O engodo de dois gatos que ajudavam o nosso detetive era forte mas não se verificou. E a narrativa é um pouco confusa. Haja memória para reter tantas personagens.

Excelente

Pedro Figueiredo

Mais uma vez este autor italiano não desilude. Lê se num ápice! Do estilo "da livraria dos gatos pretos". As personagens estão muito bem construída. Recomendo vivamente

SOBRE O AUTOR

Piergiorgio Pulixi

Piergiorgio Pulixi tornou-se rapidamente numa das vozes mais fascinantes da ficção policial italiana. Inspirados nos ambientes mais sombrios das suas raízes, os seus romances já foram adaptados a uma série televisiva e ganharam vários prémios, designadamente o Prunola, Franco Fedeli, Corpi Freddi Awards, Grotte della Gurfa e Serravalle Noir. Em 2019 o autor recebeu o Giorgio Scerbanenco, o mais prestigiado prémio em Itália para a ficção policial.

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