Quero Morrer, mas Também Quero Comer Tteokbokki
SINOPSE
Sente-se persistentemente em baixo, ansiosa, insegura, mas também extremamente crítica dos demais. Baek esconde bem os seus sentimentos, mas o seu esforço é cansativo, esmagador e impede-a de criar relações profundas. Isto não pode ser normal, pensa. No entanto, se está assim tão desesperada, como é que pode ansiar pela sua comida de rua favorita: tteokbokki?
Baek Sehee, a autora, regista, sob a forma de diálogo, as suas consultas de psiquiatria ao longo de doze semanas, as quais enriquece com os seus próprios micro-ensaios reflexivos.
Em parte livro de memórias, em parte livro de auto-ajuda, este bestseller imediato sul-coreano Quero Morrer, mas Também Quero Comer Tteokbokki ajuda-nos a sentirmo-nos menos sós e injustificados, envolvendo-nos com a sua escrita intimista.
No fim, será que teremos resposta para a pergunta: É mesmo isto que é a vida?
CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Uma visão verdadeiramente reveladora dos momentos mais vulneráveis da vida de uma pessoa vista de uma nova forma.»
Cosmopolitan
BLOG WOOKACONTECE
Wook se escreve na Coreia do Sul – Parte I
A Onda Coreana ou Hallyu está a chegar todas as partes do mundo, e Portugal não é exceção. A Coreia do Sul vive um boom cultural com a criação de contagiantes K-Dramas, manhwa, K-Pop e jogos online. Fenómenos como a série The Squid Game, o filme Parasites ou o turbihão musical dos BTS são apenas alguns exemplos desta vaga, que desperta cada vez mais interesse.
A exportação da indústria cultura pop sul-coreana que se iniciou nos anos 1990, com um forte investimento e incentivo do governo, é testemunho do poder do intercâmbio cultural e da capacidade da cultura pop para transcender fronteiras!
Nesta I Parte, exploramos romances com personagens peculiares a que é impossível ficar indiferente. Mergulhe connosco nesta onda! **
AMÊNDOAS
Começamos com uma proposta muito singular. Amêndoas, da autoria da escritora e realizadora sul-coreana Wong-Pyung Sohn, causou um impacto estrondoso lá fora e será lançado cá, pela Presença, no início de maio. O enredo gira em torno do protagonista, partindo de uma premissa desconcertante: Yunjae, um rapaz de 16 anos, tem uma condição cerebral que o impede de sentir emoções como medo ou raiva. Quando conhece Gon, um rapaz que é a sua quase antítese, cria um laço tão grande com ele, para o bem e para o mal, que algo começa a mudar dentro de si. O livro abre logo com uma frase que testa a nossa capacidade de resistência: «Seis morreram e um ficou ferido nesse dia. Primeiro foram a mãe e a avó. Depois, um estudante universitário que tinha entrado a correr para deter o homem.» É duro, e vai direto ao coração, numa exploração das dores de crescimento e da aceitação de que nem tudo é como se espera. A psicologia das personagens é de um realismo inato, e não se consegue parar de ler, apesar do abalo emotivo que nos causa. KIM JIYOUNG, NASCIDA EM 1982
A nossa segunda sugestão vai para um livro que abanou a Coreia do Sul e originou um verdadeiro movimento em prol da igualdade entre sexos no país, tornando-se depois num bestseller internacional. Kim Jiyoung, Nascida em 1982, de Cho Nam-Joo, parte da experiência pessoal da autora para descrever a vida de uma mulher – da infância até ao casamento e maternidade – desesperada por se libertar dos grilhões impostos ao seu género. Quando conhecemos Jiyoung, ela tem 33 anos e uma filha de um ano. Vemos que, apesar de ter sempre cumprido as regras do jogo, nunca sai vendedora. Até que, um dia, entra em colapso depressivo e começa a assumir as vozes e as personalidades da sua mãe, da sua amiga e de muitas outras mulheres, tanto vivas como mortas. A origem da metamorfose de Jiyoung vem desde antes de ela nascer, numa altura em que o aborto seletivo de meninas era prática comum, e estende-se pela sua vida, da escola, ao trabalho e ao que é esperado de si enquanto mãe ou esposa – mesmo com um marido atencioso, a pressão social sobrepõe-se. Um livro poderoso que pode ser visto como a novelização das experiências vividas por todas as mulheres coreanas comuns durante os últimos 40 anos, dando voz a quem não a teve, e entretanto já adaptado ao grande ecrã. A VEGETARIANA
A escritora que se segue, Han Kang, foi quem conseguiu que o mundo descobrisse e se encantasse com a literatura coreana. A Vegetariana, o livro que a projetou para a fama após ter vencido o Man Booker International Prize, explora a fricção entre paixão e distanciamento, entre os desejos que são alimentados e os que são negados. As coisas começam a falhar no dia em que Yeong-hye, uma jovem e comum dona de casa, decide deitar fora toda a carne do congelador e anuncia que vai ser vegetariana, depois de ter tido um pesadelo. Decidida a perder a gordura necessária à existência humana, Yeong-hye desafia as expectativas dos que a rodeiam, recusando-se a continuar a viver apenas para cozinhar para o marido e dormir com ele. Ela quer deixar de ser humana, e tenta transformar-se na própria vegetação. Dividida em três partes, a história oscila entre uma atmosfera surrealmente serena e o thriller doméstico, e é contada a partir dos pontos de vista do péssimo marido de Yeong-hye, do seu obsessivo cunhado e da sua sobrecarregada irmã mais velha. Erótico, violento, poético, este livro deu origem a uma sublime adaptação cinematográfica.
PACHINKO
Da saga épica de uma família corena nasceu, por sua vez, uma série televisiva de K-Drama que espelha o impacto de um livro traduzido para 40 idiomas. Pachinko, da consagrada Min Jin Lee, atravessa a vida de quatro gerações de uma família coreana no Japão, a partir de 1910, ano em que o Japão ocupa a Coreia. A história começa quando Sunja, a filha amada de uma família pobre mas respeitada, se vê na situação delicada de ter engravidado de um homem que não sabia ser casado. A jovem acaba por casar-se com Noa, um pároco bondoso que se muda com ela para o Japão. Ao longo do romance acompanhamos as alegrias da família que formaram, que se apoia para sobreviver, e os desafios e perdas que experimentam como imigrantes coreanos num novo país implacável. Do bulício dos mercados de rua às salas das melhores universidades do Japão, passando pelo submundo do crime nos salões de jogo de pachinko, as personagens de Lee – mulheres fortes e resilientes, irmãs e filhos dedicados ou pais abalados por crises morais – conseguem sobreviver e prosperar apesar da discriminação e da privação de direitos. Como disse Barak Obama, esta é uma «história poderosa sobre resiliência e compaixão». O GRANDE ARMAZÉM DOS SONHOS
Para os momentos em que a realidade da vida nos limita os sonhos, há um livro que é um bálsamo. O romance de estreia de Miye Lee, O Grande Armazém dos Sonhos é uma incursão reconfortante e doce na terra do sono. Numa cidade misteriosa, escondida no subconsciente de cada um, existe um grande armazém onde criativos talentosos produzem sonhos para serem comprados por quem dorme, sejam pessoas ou animais. Cada andar é especializado num certo tipo de sonho – os que apelam aos pequenos prazeres da vida, os que trazem recordações especiais, criam viagens ou comida deliciosa, ou nos permitem reencontrar quem já partiu. Um livro que celebra, sabiamente, o poder misterioso dos sonhos, mesmo dos mais irritantes, que podem ser o empurrão de que precisamos para resolver certos problemas. LÁGRIMAS NO MERCADO
Quando perdeu a sua mãe, aos 25 anos, Michelle Zauner sentiu a sua vida desabar. Em Lágrimas no Mercado, Zauner fala de como foi ser das poucas crianças americano-asiáticas na sua escola em Oregon, nos EUA, da luta contra as expectativas particulares e elevadas da sua mãe e de uma adolescência dolorosa. Descreve jjigae, tteokbokki e outras iguarias coreanas que cozinha para recuperar os dons do gosto, da língua e da história que a sua mãe lhe tinha dado – a sua identidade, com «uma reverência por boa comida e uma predisposição para fome emocional». Neste livro, como nas nossas vidas, as memórias também nos alimentam.
À semelhança de Zauber, Baek Sehee também se estreou na escrita com um livro de autoficção, Quero Morrer, mas Também Quero Comer Tteokbokki. Ao longo de 10 anos, sentia um vazio nos seus pensamentos que lhe provocava um buraco no estômago, impelindo-a a sair para comer a sua iguaria favorita, tteokbokki. Percorrendo, em estilo dialogal, as suas memórias nas consultas de psiquiatria a que ia, a autora pretendeu ajudar quem está a passar por situações semelhantes. O livro tornou-se um fenómeno de vendas e, apesar de tratar de assuntos sérios, pode ser lido com positividade, graças ao estilo luminoso, auto-crítico, desdramatizador e franco de Sehee.
**Este artigo foi originalmente publicado na revista Wookacontece nº. 11 .
Romances que dão vontade de comer
A comida é uma linguagem capaz de traduzir amor, memória e identidade, e combina muito bem com o romance. Estes três livros são prova disso mesmo.
Lágrimas no mercado
Antes de lançar este que é o seu primeiro livro, Michelle Zauner era já conhecida como cantora e guitarrista de pop indie. Quando perdeu a sua mãe, aos 25 anos, sentiu a sua vida a desmoronar-se. Diz que se esquece de muita coisa, mas nunca do que a mãe comia. Lágrimas no Mercado é um romance alicerçado em memórias vívidas, em momentos e sentimentos tais como eles são, sem máscaras. Zauner fala de como foi ser das poucas crianças americano-asiáticas na sua escola em Oregon, nos EUA; da luta contra as expectativas particulares e elevadas da sua mãe; de uma adolescência dolorosa. Descreve jjigae, tteokbokki e outras iguarias coreanas que cozinha para trazer a sua ligação à mãe de volta à vida. Os sabores familiares tornam-se uma forma de preencher um vazio, materializar o que a morte desmaterializou. Foi a forma que encontrou de recuperar os dons do gosto, da língua e da história que a sua mãe lhe tinha dado – a sua identidade. Zauber conta, referindo-se a si e à irmã: «..era assim que a minha mãe nos amava, (…), com a observação subtil do que nos dava prazer guardada para nos trazer conforto e fazer sentir cuidados sem sequer darmos conta». Isso significava «uma reverência por boa comida e uma predisposição para fome emocional». Cria assim uma ligação entre o que sente e o que todos sentimos – as memórias também nos alimentam.
QUERO SABOREAR! »
Quero Morrer, mas Também Quero Comer Tteokbokki
Como Zauber, Baek Sehee é também jovem e coreana e estreia-se enquanto escritora com um livro de autoficção. Sehee, que assume batalhar com a sua timidez e baixa autoestima, esteve 10 anos em tratamento psiquiátrico por depressão leve persistente. O vazio que sentia afetava primeiro os seus pensamentos e provocava-lhe, de seguida, um buraco no estômago que a fazia sair para comer a sua iguaria favorita, tteokbokki. Percorrendo, em estilo dialogal, as memórias da sua vida nas consultas de psiquiatria que teve ao longo de 3 meses, enriquecendo as suas reflexões com pequenos ensaios em que tira (ou tentas tirar) conclusões sobre a sua postura na vida, Sehee espera, como este livro, ajudar pessoas que passem por problemas semelhantes. É já um fenómeno de vendas na Coreia de Sul e, apesar de falar sobre assuntos sérios, pode ser lido com positividade, graças ao estilo luminoso, auto-crítico, desdramatizador e franco de Sehee.
QUERO SABOREAR! »
Com uma Pitada de Canela
Com a sua filha a seu cuidado e a ajudar a sua avó, a adolescente Emoni Santiago, finalista do liceu, vive a vida a tomar as decisões difíceis, e a fazer o que tem de ser feito, sem nunca se pôr em primeiro lugar. O único lugar onde ela consegue abstrair-se dos seus problemas é na cozinha, onde acrescenta uma pitada de magia a tudo o que confeciona – a sua comida é o retrato da bondade que traz em si. Mesmo assim, ela sabe que não tem tempo suficiente para o novo curso de culinária da sua escola, não tem dinheiro para a viagem de finalistas a Espanha, e sente que não deveria sonhar que um dia virá a trabalhar numa cozinha a sério. Mas, assim que começa a cozinhar, só lhe resta deixar que o seu talento se liberte. Com amor e canela, a vida pode mesmo mudar…
Elizabeth Acevedo é já uma autora premiada, tendo surpreendido o mundo literário com o seu romance de estreia, escrito em verso, The Poet X, que venceu o National Book Award for Young People’s Literature. Mais uma vez, Acevedo dá vida a uma personagem de garra, cuja voz acaba por falar acima dos impedimentos da vida.
QUERO SABOREAR! »
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789897029516 |
| Editor: | Editora Guerra & Paz |
| Data de Lançamento: | abril de 2023 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 152 x 235 x 13 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 192 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Memórias e Testemunhos
|
| EAN: | 9789897029516 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Adorei!
Nelson Lourenço
Este não é um romance nem uma história fictícia com final perfeito. É uma autobiografia + livro de ensaios / reflexões, em que a autora coreana Baek Sehee partilha, com grande honestidade, a sua experiência com distimia — uma forma persistente de depressão — através de doze semanas de sessões de psiquiatria, intercaladas com micro-ensaios seus. O título em si já diz muito: “Quero Morrer, Mas Também Quero Comer Tteokbokki” — há um contraste brutal entre o desejo de desistir e o apetecer de algo simples, reconfortante, quase humano, como um prato de rua. Esse contraste dá o tom ao livro: melancolia com pitadas de luz, sofrimento com vontade de continuar. O que gostei Honestidade crua A autora não tenta maquilhar os seus pensamentos, nem fingir que tudo está bem. Ela mostra o que sente — a ansiedade, o julgamento de si mesma, o cansaço de fingir — e isso faz com que o livro seja profundamente empático. Formato dialogado + ensaios reflexivos Alternar entre as sessões com o psiquiatra (diálogo) e os ensaios pessoais torna a leitura mais variada e acessível. Ajuda a quebrar momentos mais pesados, permite respirar, refletir. Reconhecimento de algo comum Mesmo quem não vive distimia ou depressão persistente pode identificar-se: ansiedade, dúvida sobre si mesmo, crítica interna, sensação de estar “bem por fora, mas a apodrecer por dentro”. Esse sentimento é tão humano. Leitura leve apesar do tema pesado O livro fala de dores reais, mas não pesa demasiado. Tem momentos de humor suave, autorreflexão e “pausas” que permitem ao leitor respirar. Não é um livro para ler de uma assentada pesada — mas para acompanhar, talvez devagar. O que menos gostei: Alguns temas pouco aprofundados Apesar da sinceridade, certos tópicos são apenas tocados de leve (por exemplo, o uso do álcool ou relações que se complicam), sem muito desenvolvimento ou soluções práticas profundas. A psiquiatra dá sugestões, mas às vezes parecem pouco exploradas. A sensação de um ciclo que não termina Isto não é propriamente um aspecto negativo — é parte da realidade da distimia — mas senti que o livro deixa a impressão de que algumas batalhas continuam indefinidamente, e isso pode ser frustrante para quem procura respostas mais “fechadas”. Mas percebo que talvez não seja esse o propósito do livro. Pouca novidade para quem já leu muitos relatos de saúde mental Se já estás habituado(a) a ler memórias, blogs ou outros testemunhos sobre depressão, talvez este livro não surpreenda bastante no estilo ou nas ideias centrais. A singularidade está nos detalhes, mas a estrutura geral pode sentir-se familiar. Minha conclusão: Este é um livro que recomendo muito — não porque resolve tudo, mas porque faz companhia. Porque mostra que estar em baixo não é vergonha, que buscar ajuda é válido, e que há valor em pequenas coisas como o prazer de comer algo de que gostamos. Dou-lhe 4 estrelas porque é honesto, comovente, bem escrito. Se tivesse mais profundidade em todos os temas ou um ritmo um pouco mais consistente, talvez tivesse sido um 5, mas acredito que todas as suas virtudes compensam, e muito. Para quem este livro é ideal: Para quem sente que às vezes vive um “estado de espera” emocional — nem bem, nem mal, mas cansado; Para quem procura textos que façam sentir menos só, que mostrem que outras pessoas também têm dias escuros; Para quem gosta de memórias/ensaios sobre saúde mental, autorreflexão, e pequenos gestos de cuidado consigo mesmo; Para leitores curiosos sobre cultura sul-coreana, sobre como se aborda o tema da depressão noutras sociedades.
QUEM COMPROU TAMBÉM COMPROU
-
10%O Oposto da Caça às BorboletasCasa das Letras19,90€ 10% CARTÃOportes grátis
-
10%Tudo o que Sei Sobre o AmorCultura Editora19,45€ 10% CARTÃOportes grátis