Romances que dão vontade de comer
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13 de abril de 2023
A comida é uma linguagem capaz de traduzir amor, memória e identidade, e combina muito bem com o romance. Estes três livros são prova disso mesmo.
Lágrimas no mercado
Antes de lançar este que é o seu primeiro livro, Michelle Zauner era já conhecida como cantora e guitarrista de pop indie. Quando perdeu a sua mãe, aos 25 anos, sentiu a sua vida a desmoronar-se. Diz que se esquece de muita coisa, mas nunca do que a mãe comia. Lágrimas no Mercado é um romance alicerçado em memórias vívidas, em momentos e sentimentos tais como eles são, sem máscaras. Zauner fala de como foi ser das poucas crianças americano-asiáticas na sua escola em Oregon, nos EUA; da luta contra as expectativas particulares e elevadas da sua mãe; de uma adolescência dolorosa. Descreve jjigae, tteokbokki e outras iguarias coreanas que cozinha para trazer a sua ligação à mãe de volta à vida. Os sabores familiares tornam-se uma forma de preencher um vazio, materializar o que a morte desmaterializou. Foi a forma que encontrou de recuperar os dons do gosto, da língua e da história que a sua mãe lhe tinha dado – a sua identidade. Zauber conta, referindo-se a si e à irmã: «..era assim que a minha mãe nos amava, (…), com a observação subtil do que nos dava prazer guardada para nos trazer conforto e fazer sentir cuidados sem sequer darmos conta». Isso significava «uma reverência por boa comida e uma predisposição para fome emocional». Cria assim uma ligação entre o que sente e o que todos sentimos – as memórias também nos alimentam.
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Quero Morrer, mas Também Quero Comer Tteokbokki
Como Zauber, Baek Sehee é também jovem e coreana e estreia-se enquanto escritora com um livro de autoficção. Sehee, que assume batalhar com a sua timidez e baixa autoestima, esteve 10 anos em tratamento psiquiátrico por depressão leve persistente. O vazio que sentia afetava primeiro os seus pensamentos e provocava-lhe, de seguida, um buraco no estômago que a fazia sair para comer a sua iguaria favorita, tteokbokki. Percorrendo, em estilo dialogal, as memórias da sua vida nas consultas de psiquiatria que teve ao longo de 3 meses, enriquecendo as suas reflexões com pequenos ensaios em que tira (ou tentas tirar) conclusões sobre a sua postura na vida, Sehee espera, como este livro, ajudar pessoas que passem por problemas semelhantes. É já um fenómeno de vendas na Coreia de Sul e, apesar de falar sobre assuntos sérios, pode ser lido com positividade, graças ao estilo luminoso, auto-crítico, desdramatizador e franco de Sehee.
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Com uma Pitada de Canela
Com a sua filha a seu cuidado e a ajudar a sua avó, a adolescente Emoni Santiago, finalista do liceu, vive a vida a tomar as decisões difíceis, e a fazer o que tem de ser feito, sem nunca se pôr em primeiro lugar. O único lugar onde ela consegue abstrair-se dos seus problemas é na cozinha, onde acrescenta uma pitada de magia a tudo o que confeciona – a sua comida é o retrato da bondade que traz em si. Mesmo assim, ela sabe que não tem tempo suficiente para o novo curso de culinária da sua escola, não tem dinheiro para a viagem de finalistas a Espanha, e sente que não deveria sonhar que um dia virá a trabalhar numa cozinha a sério. Mas, assim que começa a cozinhar, só lhe resta deixar que o seu talento se liberte. Com amor e canela, a vida pode mesmo mudar…
Elizabeth Acevedo é já uma autora premiada, tendo surpreendido o mundo literário com o seu romance de estreia, escrito em verso, The Poet X, que venceu o National Book Award for Young People’s Literature. Mais uma vez, Acevedo dá vida a uma personagem de garra, cuja voz acaba por falar acima dos impedimentos da vida.
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Elizabeth Acevedo é já uma autora premiada, tendo surpreendido o mundo literário com o seu romance de estreia, escrito em verso, The Poet X, que venceu o National Book Award for Young People’s Literature. Mais uma vez, Acevedo dá vida a uma personagem de garra, cuja voz acaba por falar acima dos impedimentos da vida.