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Portugal-Brasil - Raízes do Estranhamento

de Carlos Fino
Editor: LisbonPress, novembro de 2021 ‧
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A relação entre Portugal e o Brasil tem sido descrita como uma experiência de ambiguidades geradora de estranhamento. Se, por um lado, se reconhece existir proximidade histórica, por outro, é notório que o vínculo entre os dois países é muito menos intenso do que faria supor a partilha de uma mesma língua e um passado de três séculos de convívio sob governo comum.

Em nenhum outro lugar da sua aventura pelo mundo os portugueses se enraizaram tão profundamente como no Brasil, Apesar disso, há já dois séculos, o desfasamento dos respectivos discursos culturais - ambos marcados pelo ressentimento - não podia ser maior: o Brasil sempre procurando obliterar a memória da sua inegável raiz lusitana (o ato fundador português, na expressão de Eduardo Lourenço) e Portugal, numa perene nostalgia imperial, repetindo sem cessar os lugares comuns dos laços de sangue que os brasileiros simplesmente recusam ou não querem recordar.

Foi esta percepção genérica que motivou o trabalho de investigação aqui apresentado; inspirado, por um lado, pela constatação de Amado Luiz Cervo de que "algo especial governa as relações entre Brasil e Portugal, parceria eternamente inconclusa" e pela interrogação que o historiador brasileiro se coloca e fizemos nossa: "Que mistério existe a desafiar a compreensão das relações bilaterais?"

Por outro lado, como escreveu Maria de Lourdes Soares, se há ainda, em termos de distância cultural, "tantas léguas a nos separar, tanto mar", conforme versos de Chico Buarque, como fazer desse mar tamanho "um mar que unisse, já não separasse", como sonhou Pessoa?"

Portugal-Brasil - Raízes do Estranhamento

de Carlos Fino

Propriedade Descrição
ISBN: 9789893720813
Editor: LisbonPress
Data de Lançamento: novembro de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 160 x 243 x 37 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 508
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ensaios
EAN: 9789893720813

SOBRE O AUTOR

Carlos Fino

O jornalista português Carlos Fino nasceu em 1949, em Lisboa, mas viveu a sua infância em Fronteira, no Alto Alentejo. Apesar de licenciado em Direito, acabou por optar pela carreira de jornalista, na qual se estreou no início dos anos 70. Destacou-se como repórter de televisão, ao serviço da Radiotelevisão Portuguesa. Começou a ser conhecido dos portugueses através do trabalho que desenvolveu em Moscovo (1976-1982), na ex-União Soviética, onde era correspondente do canal estatal português. Foi correspondente na era do presidente Leonid Brezhnev. Regressou depois a Portugal mas em 1985, com a chegada de Mikhail Gorbachev à liderança da União Soviética, voltou a Moscovo como correspondente da RTP. A partir da capital soviética acompanhou as grandes mudanças políticas que se operaram na época que levaram aos desmantelamentos da União Soviética e ao renascimento da Rússia. Foi também chefe da delegação e correspondente da RTP em Bruxelas e em Washington. Posteriormente, regressou a Portugal, mantendo-se sempre como jornalista da RTP. No canal estatal apresentou telejornais e foi, entre 2000 e 2002, subdirector de informação. No entanto, destacou-se principalmente como correspondente de guerra. Assim, esteve presente na primeira guerra da Tchetchénia, em 1994, no Kosovo, em 1999, e no Afeganistão, em 2001. Carlos Fino movimentou-se com bastante à-vontade nestes cenários de guerra por saber falar russo, língua que aprendeu enquanto trabalhou em Moscovo. Em Março de 2003, quando começou a Guerra no Iraque, Carlos Fino estava destacado pela RTP em Bagdade. Na altura em que as forças norte-americanas iniciaram os bombardeamentos, na madrugada de 20 de Março, o jornalista estava a transmitir em directo a partir da varanda do quarto do hotel onde ficou hospedado. Foi o primeiro jornalista do mundo a noticiar o acontecimento e com imagens em directo através de videofone. Este feito foi destacado em diversas televisões internacionais e teve grande repercussão no Brasil, onde Carlos Fino se tornou famoso e foi proposto para cidadão honorário de Brasília. Recebeu, entre vários outros prémios, o Grande Prémio de Jornalismo do Clube Português de Imprensa.

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