Poesia Reunida

de José Martins Garcia

editor: Companhia das Ilhas
«Há nomes que vão existindo connosco numa convivência serena. Assim se passou, desde que me lembro, e graças à casa que me foi colo, com José Martins Garcia. Um nome sempre presente e muito admirado. Apesar dessa proximidade, contudo, conhecia mal a sua poesia (e toda a sua obra). Lera-a de forma esparsa, quando e onde, na ligeireza do tempo, nos cruzávamos. Revisitá-la agora foi, pois, uma experiência impressionante.
E surpreendente, confesso, não pela sua (óbvia) consistência, mas pela sua fragilidade, a fragilidade lúcida que dá corpo à mais notável grandeza.
Para percebermos, desde logo, uma característica basilar desta poesia, tomemos a magnífica epígrafe da sua estreia poética (feldegato cantabile, 1973) - «si je préfère les chats aux chiens, c’est qu’il n’y a pas de chats policiers».

Adverte-nos bem para o que nos espera. com uma poesia complexa e multiforme, plena de um ritmo e de uma música singulares, que se movimenta, de forma por vezes violenta, entre a ironia e a amargura, a dor concreta do desencanto e a ilha simbólica da distância, Martins Garcia não é poeta de mimos telúricos e foge a qualquer prisão. Não há cão que o policie, não há mão que o detenha na esterilidade das categorias.
(…) Entre o registo inicial mais sarcástico e o ocaso lírico do livro último, vertem-se mais de vinte anos em milhares de versos. Passa-se da ironia ao lamento, da crítica cáustica do outro e de si ao mergulho no mais solitário inferno do eu. Martins Garcia é um poeta, a todos os títulos, enorme. Enorme e inapreensível. Um poeta luminoso movimentando-se nas sombras, e consciente, como poucos (cedo no-lo diz em feldegato cantabile), de que "uma alma é um cagagésimo de estrume e qualquer humano tão valioso como um piolho do deus que o ignora".»

[Renata Correia Botelho, do prefácio]

Poesia Reunida

de José Martins Garcia

ISBN: 9789898828538
Editor: Companhia das Ilhas
Idioma: Português
Dimensões: 137 x 218 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 336
Tipo de produto: Livro
Coleção: Obras de José Martins Garcia
Classificação temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789898828538
José Martins Garcia

José Martins Garcia nasceu na Criação Velha, ilha do Pico, a 17 de fevereiro de 1941. No então Liceu Nacional da Horta fez uma parte dos seus estudos. Os bons resultados escolares deram-lhe acesso a uma bolsa da Junta Geral, o que lhe permitiu completar o curso liceal no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, cidade onde se licenciou em Filologia Românica pela Faculdade de Letras.

No ano letivo de 1964-65 foi professor eventual no Liceu da Horta. Chamado a cumprir serviço militar, em 1965, foi mobilizado para a Guiné, aí permanecendo de 1966 a 1968, experiência que se projeta em Lugar de Massacre (1975), um dos primeiros romances portugueses a abordar a guerra em África, incluído por Rui de Azevedo Teixeira no grupo dos oito romances obrigatórios, canónicos, da literatura da Guerra Colonial. Essa experiência acabaria por pontuar, sob diversas formas e em diferentes circunstâncias, o conjunto da sua obra.

Entre 1969 e 1971 foi leitor de Português na Universidade Católica de Paris. De regresso a Portugal, lecionou na Faculdade de Letras de Lisboa entre 1971 e 1979. Neste ano rumou aos Estados Unidos como professor visitante da Brown University (Providence), aí permanecendo até 1984; o rasto desse tempo americano é detetável em Imitação da morte e no livro de poemas Temporal.

De seguida ingressou na Universidade dos Açores, onde se doutorou com uma tese sobre Fernando Pessoa, Fernando Pessoa: coração despedaçado, escrito precisamente durante a sua permanência nos Estados Unidos e graças às condições de investigação aí encontradas, como o próprio autor confessa na apresentação da obra; a tese representa a sucessiva expansão de um projeto inicial de recensão crítica a um livro sobre o poeta dos heterónimos. Na Universidade dos Açores foi o responsável pela introdução da cadeira de Literatura Açoriana nos planos curriculares das licenciaturas em Línguas e Literaturas Modernas, da qual foi docente durante alguns anos, e ocupou os cargos de Vice-Reitor e diretor da revista Arquipélago-Línguas e Literaturas, tendo terminado a sua carreira académica como Professor Catedrático.

A sua relação com a imprensa de Lisboa está atestada pela colaboração no suplemento Letras e Artes do jornal República (1972-1974), onde publicou uma boa parte das críticas e ensaios reunidos em Linguagem e Criação (1973), bem como as crónicas de Katafaraum é numa nação (1974). Entre 1973 e 1974 foi ainda crítico literário da Vida Mundial; colaborou igualmente n’A Capital e no Diário de Notícias, prolongando-se a colaboração neste último até fevereiro do ano seguinte. Em fevereiro de 1976 passou a exercer as funções de diretor-adjunto do Jornal Novo.

A partir do início dos anos setenta, como refere Ricardo Jorge, José Martins Garcia torna-se «um dos mais assíduos colaboradores de Fernando Ribeiro de Mello nas Edições Afrodite», onde, aliás, publicou parte da sua obra, a começar por Alecrim, alecrim aos molhos (1974) e a prolongar-se em obras de referência como Lugar de Massacre (1975), A fome (1977) e Revolucionários e Querubins (1977). Além disso, a sua colaboração com Fernando Ribeiro de Mello traduziu-se na escrita de prefácios, na organização de antologias e na tradução, substituindo, com as devidas distâncias, «a conterrânea Natália Correia como referência literária da Afrodite», na opinião de Pedro Piedade Marques.

José Martins Garcia faleceu em Ponta Delgada a 3 de Novembro de 2002.

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