Editor: Assírio & Alvim, abril de 2005 ‧
ESGOTADO OU NÃO DISPONÍVEL
Venda o seu livro

Romancista, dramaturgo, poeta e cineasta genial, Pier Paolo Pasolini vê agora grande parte da sua obra poética editada por mão editorial, mais do que autorizada.
Uma excelente tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo que contempla ainda uma introdução do punho do próprio autor, de resto, bem esclarecedora sobre aquilo que neste grosso volume se pode encontrar.

"Foi a minha mãe quem me mostrou que a poesia pode ser materialmente escrita, e não apenas lida na escola ("Vítreo é o ar…"). Misteriosamente, um belo dia, a minha mãe mostrou-me um soneto, escrito por ela, em que confessava o seu amor por mim (soneto que, devido, provavelmente, a certas exigências de rima, terminava com as seguintes palavras: "amor, sabes, tenho tanto e tanto" ). Uns dias depois, escrevi os meus primeiros versos, em que falava de "rouxinol" e de "verdura". Creio que, por essa altura, não saberia distinguir um rouxinol de um tentilhão, ou um choupo de um ulmeiro: e aliás, como é evidente, na escola (por obra e graça da senhora Ada Costella, toscana, minha professora naquele inesquecível segundo ano), Petrarca não era lido. Por conseguinte, não sei onde aprendi o código clássico da eleição e da selecção linguísticas. O facto é que, sem me preocupar com a "abundantia cordis" da minha mãe, comecei por ser rigidamente "selectivo" e "electivo".

Desde então, escrevi colecções inteiras de livros de versos: aos treze anos, foi o poema épico (da "Ilíada" a "Os Lusíadas"). Não me esqueci do drama em verso, nem evitei, com a adolescência, o encontro inevitável com Carducci, Pascoli e D’Annunzio, numa fase que começou em Scandiano — no liceu de Reggio Emilia, para onde tinha de me deslocar todos os dias — e terminou em Bolonha, no Liceu Galvani, em 1937, ano em que um professor substituto — Antonio Rinaldi — leu na aula um poema de Rimbaud."
Pier Paolo Pasolini

"Foi a minha mãe quem me mostrou que a poesia pode ser materialmente escrita, e não apenas lida na escola ("Vítreo é o ar…"). Misteriosamente, um belo dia, a minha mãe mostrou-me um soneto, escrito por ela, em que confessava o seu amor por mim (soneto que, devido, provavelmente, a certas exigências de rima, terminava com as seguintes palavras: "amor, sabes, tenho tanto e tanto" ). Uns dias depois, escrevi os meus primeiros versos, em que falava de "rouxinol" e de "verdura". Creio que, por essa altura, não saberia distinguir um rouxinol de um tentilhão, ou um choupo de um ulmeiro: e aliás, como é evidente, na escola (por obra e graça da senhora Ada Costella, toscana, minha professora naquele inesquecível segundo ano), Petrarca não era lido. Por conseguinte, não sei onde aprendi o código clássico da eleição e da selecção linguísticas. O facto é que, sem me preocupar com a "abundantia cordis" da minha mãe, comecei por ser rigidamente "selectivo" e "electivo".

Desde então, escrevi colecções inteiras de livros de versos: aos treze anos, foi o poema épico (da "Ilíada" a "Os Lusíadas"). Não me esqueci do drama em verso, nem evitei, com a adolescência, o encontro inevitável com Carducci, Pascoli e D’Annunzio, numa fase que começou em Scandiano — no liceu de Reggio Emilia, para onde tinha de me deslocar todos os dias — e terminou em Bolonha, no Liceu Galvani, em 1937, ano em que um professor substituto — Antonio Rinaldi — leu na aula um poema de Rimbaud."
Pier Paolo Pasolini

"Os poemas reunidos nesta antologia e incluídos nos volumes que abrangem os treze anos que vão de 1951 até 1964, constituem um bloco coerente e compacto. O que me admira — como se me tivesses alheado deles, o que não é verdade — é um sentimento difuso de tristeza e desânimo: uma tristeza que faz parte da própria língua, que constitui um dos seus elementos, traduzível em quantidade e, em certo sentido, em densidade. O sentimento (quase um direito) de ser infeliz é tão preponderante que ofusca a própria alegria sensual (de que, ali- -ás, o livro está cheio, mas, segundo parece, com um sentimento de culpa) e o idealismo civil. O que continua a surpreender-me, ao reler estes versos, é aperceber-me da enorme inocên- -cia da minha expansividade ao escrevê-los, como se estivesse a escrever para pessoas que só poderiam gostar muito de mim. Agora compreendo o motivo de tanta suspeita e de tanto ódio. "(Pier Paolo Pasolini, 1970, excerto do texto «Ao novo leitor»)

Poemas

de Pier Paolo Pasolini

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-37-0789-2
Editor: Assírio & Alvim
Data de Lançamento: abril de 2005
Idioma: Português
Dimensões: 146 x 206 x 29 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 512
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789723707892
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

Pier Paolo Pasolini

Pier Paolo Pasolini nasceu a 5 de março de 1922 em Bolonha. Filho de um militar, seguiu o pai nas várias mudanças de terra, mas frequentou o liceu e a faculdade em Bolonha, onde teve foi aluno de Gianfranco Contini e Roberto Longhi. Passava os Verões em Casarsa, na região do Friuli, cidade de origem da mãe. Aí se refugiou, em 1943, para fugir à incorporação no exército. Compôs os primeiros poemas em dialecto friulano, Poesie a Casarsa (1942), publicados mais tarde, com outros textos friulanos, em La Meglio Gioventù (1958). Em 1945, soube que o irmão mais novo, Guido, tinha sido morto pelos titistas num conflito entre dois grupos de partigiani. Em 1947, inscreveu-se no Partido Comunista. Trabalhou como professor, numa aldeia perto de Casarsa, mas seria despedido e expulso do PCI por um obscuro episódio de alegada corrupção de menores. Esse foi o primeiro de uma enorme lista de processos (mais de 30) que deram a Pasolini a consciência da sua diversidade e marcaram o seu destino de marginalizado e rebelde.
Devido ao escândalo, em 1949, teve de deixar Casarsa, com a mãe (a relação com o pai já estava estragada), e mudou-se para Roma, vivendo primeiro na periferia e ganhando a vida com explicações e ensino em escolas particulares. A descoberta do mundo do sub-proletariado romano inspirou-lhe - para além de poemas em As Cinzas de Gramsci (1957) e A Religião do Meu Tempo (1961) ( escritos depois de O Rouxinol da Igreja Católica (1943 - 1949, ou seja, antes de As Cinzas de Gramsci) - sobretudo os romances Vadios (1955) e Uma Vida Violenta (1959), que provocaram grande escândalo, mas lhe asseguraram o primeiro êxito literário. Com os antigos colegas da faculdade Francesco Leonetti e Roberto Roversi dirigiu, entre 1955 e 1959, a revista Officina, onde colaboraram, entre outros nomes importantes da militância crítica, Franco Fortini e Paolo Volponi.
Começou entretanto a sua atividade no mundo cinematográfico: colaborou em alguns guiões (entre as quais As Noites de Cabiria de Federico Fellini e La Notte Brava ou O Belo António de Bolognini), e a partir de 1961, realizou vários filmes entre os quais Accattone (1961), Mamma Roma (1962), La Ricotta (1962), Comizi d'Amore (1964), O Evangelho Segundo Mateus (1964),Passarinhos e Passarões (1966), Édipo Rei (1967), Teorema (1968), Medeia (1969), Pocilga (1969) Decameron (1971), Os Contos de Cantuária (1972) As 1001 Noites (1974) e Salò ou os 120 Dias de Sodoma (1975).
Nos anos 60. publicou Il Sogno di Una Cosa (escrito em 1949), mais poemas (Poesia in Forma di Rosa, 1964, Trasumanar e Organizzar, 1971), e foi muito ativo como crítico em vários diários e revistas (entre outras, dirigiu com Alberto Moravia e Alberto Carocci a Nuovi Argomenti), atividade que, depois da coletânea Passione e Ideologia, esteve na origem de muitas publicações, parcialmente póstumas: Empirismo Herético (1972), Escritos Corsários (1975), Descrizioni di Descrizioni (1979).
Para além de várias peças inacabadas que escreveu na juventude e da tradução de cássicos (Ésquilo, Plauto), a sua produção teatral é composta por seis tragédias, cinco delas escritas em 1966: Calderón, Afabulação, Pílades, Pocilga, Orgia e Besta de Estilo que começou a escrever em 1966 e prosseguiu até 1973, tendo ficado inacabada.
Pier Paolo Pasolini morreu assassinado, em Ostia, em 1975.

(ver mais)

DO MESMO AUTOR

QUEM COMPROU TAMBÉM COMPROU