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Pés de Barro

Prémio Leya 2024

de Nuno Duarte
Editor: Leya, abril de 2025 ‧
17,70€
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Estamos em 1962, num país orgulhosamente só, e vem aí a construção da primeira ponte suspensa sobre o Tejo, para a qual vão ser precisos cerca de três mil homens. A obra irá mudar para sempre a paisagem da capital, muito especialmente para quem vive em Alcântara, como é agora o caso de Victor Tirapicos, instalado na casa dos tios depois de ter envergonhado o pai com dois anos de cadeia só por ter roubado pão e batatas para fintar a miséria.

É, de resto, pelos olhos deste serralheiro de vinte e dois anos que veremos a ponte erguer-se um pouco mais todos os dias e, ali mesmo ao lado, partirem os navios cheios de rapazes para a guerra do Ultramar, donde muitos acabarão por voltar estropiados, endoidecidos ou mortos.

Porém, apesar de a modernidade parecer estar a matar a vida e os costumes do pátio operário onde convivem (amigavelmente ou nem tanto) uma série de figuras inesquecíveis - entre elas o mestre sapateiro que faz as chuteiras para o Atlético Clube de Portugal e um velho culto que aprende a desler -, Victor Tirapicos encontra o amor de uma rapariga que é muda mas consegue escutar o planeta, pressentindo a derrocada da estação do Cais do Sodré e outra catástrofe ainda maior, que se calhar tem pés de barro e só acontece neste romance, mas bem podia ter acontecido.

«Um retrato muito dinâmico e vivo do Portugal dos anos 1960.»
Manuel Alegre, Presidente do Júri

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Mini-entrevista a Nuno Duarte

Nuno Duarte Nuno Duarte (Sintra, 1973) estudou design gráfico no Ar.Co e começou uma carreira na publicidade, onde foi diretor criativo de algumas das principais agências do mercado e amealhou várias distinções nacionais e internacionais.

Pés de Barro é o seu primeiro romance.
Estamos em 1962 e vem aí a construção da primeira ponte suspensa sobre o Tejo. A obra irá mudar para sempre a paisagem da capital. Através dos olhos de Victor Tirapicos, um serralheiro de vinte e dois anos, veremos a ponte erguer-se enquanto, ali mesmo ao lado, partem os navios cheios de rapazes para a guerra do Ultramar. Um retrato poderoso e simbólico do fim de um regime, uma história de dificuldades e esperança.

Citação:
«A melhor parte [de ser escritor] será, talvez, o isolamento – e também o silêncio – de que um ser com características de eremita, como eu, tanto necessita.» Nuno Duarte Como surgiu a ideia para este livro?
Das histórias que me foram sendo contadas, ao longo de bastante tempo, pela minha mulher. Histórias que, apesar de reais, eram tão literárias que pareciam ficção e, como tal, merecedoras dela.

Tem uma rotina de escrita?
Café, Chet Baker, Dicionário da Língua Portuguesa de um lado, Dicionário de Sinónimos do outro, quinhentas palavras diárias como objectivo, nem sempre cumprido.

Como lida com um bloqueio criativo?
Quando tropeçar num, logo vejo, embora não acredite muito neles. Qual é a pior e a melhor parte de ser escritor?
O pior é mesmo viver num lugar que não me permite sê-lo profissionalmente; a melhor parte será, talvez, o isolamento – e também o silêncio – de que um ser com características de eremita, como eu, tanto necessita.

Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
A actualidade. Porque me assusta e porque tem tecnologia moderna, que torna tudo menos interessante do ponto de vista literário.

Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Hemingway. Jantar e beber uns copos na sua casa em Cuba.

Qual o livro que já devia ter lido e ainda não leu?
Acho que já me libertei disso. Li livros suficientes (grande parte deles, importantes) para conseguir assumir todos os que ainda não li sem especial vergonha. Ainda assim, A Bíblia, que apenas comecei. Mesmo sendo ateu, é uma falha relevante.

Qual o livro que mais o marcou até hoje?
As Vinhas da Ira, de John Steinbeck. Quando o terminei, não era a mesma pessoa.

Qual foi o último livro que ofereceu?
A Vida Airada de Dom Perdigote, do maravilhoso Paulo Moreiras, que veio a ganhar o Prémio PEN muito merecidamente.

Pés de Barro

Prémio Leya 2024

de Nuno Duarte

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895814275
Editor: Leya
Data de Lançamento: abril de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 159 x 236 x 20 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 312
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895814275

Um favorito

Rita

Pés de barro é um favorito. Não houve um minuto em que eu tivesse bocejado ou quisesse pousá-lo. É entusiasmante do princípio ao fim. Mais, aprendi muito com ele. Não fazia ideia, por exemplo, que durante o Estado Novo a Língua Gestual tinha sido proibida para evitar conspirações ¿ Esta é uma história que nos fala da construção da Ponte 25 de abril mas também do quotidiano em Lisboa, mais concretamente no bairro de Alcântara, nos anos 60 com a PIDE sempre à espreita. A pobreza lado a lado com o analfabetismo e a resistência. O contraste entre o desejo da modernidade, a exploração e o atraso social. Rapazes que embarcam para a guerra colonial, outros que ficam entregues à fome e à miséria. Um vizinho que aprende a desler. Outro que bebe demais e faz serenatas. O tio sapateiro que faz chuteiras para o Atlético. A tia que faz o "comerzinho" ¿¿ Para mim está magistralmente escrito (senti vibes de Saramago), com muito sentido de humor e encontrei nele expressões muito nossas que me lembraram do passado. E depois o final, valha-me Nossa Senhora dos Livros, que final foi aquele? Uma reviravolta muito louca e muito surpreendente que adorei. Adorei mesmo, parecia um filme de Hollywood ¿ Só posso recomendar a história do serralheiro Vítor Tirapicos e da Dália muda que não fala mas escuta o planeta.

Recomendo

Ana Lúcia Loureiro

Um romance que, através do olhar daqueles que trabalham e têm de lutar para sobreviver e encontrar o seu espaço, nos mostra um retrato fiel de Portugal na década de 60. Todo o romance é perpassado por uma crueza real e é nela que encontramos a beleza daquelas personagens tão singelas.

O melhor de 2025!

Sílvia Rodrigues

Uma escrita simples, intensa e sofisticada! Não sendo uma leitura leve, de tão verdadeira toca-nos profundamente... Um manancial de aprendizagem! Para mim, o livro de 2025.

Notável

Jorge Rodrigues

Pés de barro é um livro notável, com uma descrição perfeita dos tempos do Estado Novo em Lisboa, com descrições fascinantes do nosso país naquela época.

A ponte que liga o sonho e a realidade, a esperança e a perda

Histórias Soltas Presas Dentro de Mim

Pés de Barro, romance de estreia de Nuno Miguel Silva Duarte e vencedor do Prémio LeYa 2024, transporta-nos para o Portugal dos anos 60, mergulhando-nos no ambiente de Lisboa durante a construção da Ponte Salazar — hoje 25 de Abril — e nas partidas dos jovens para a guerra colonial. Este cruzamento entre progresso técnico e opressão política confere à narrativa uma força particular, tornando-a simultaneamente verosímil e emotiva. O protagonista, Victor Tirapicos, é um jovem serralheiro que observa de perto a transformação da cidade e o peso das decisões do regime. Ao seu lado, circula um conjunto de personagens que dão vida ao retrato social da época: operários, vizinhos, familiares e figuras que, embora discretas, marcam profundamente o leitor. Entre elas, destaco Dália, a jovem muda que vive no mesmo pátio. Incapaz de articular palavras, comunica através de um som muito próprio — um ruído gutural e quase musical que se repete sempre que quer pronunciar-se. Esse detalhe, longe de ser apenas uma curiosidade, transforma-se num poderoso recurso narrativo: Dália “ouve o mundo” com uma sensibilidade rara e, com o seu som, interrompe ou sublinha momentos-chave, como se fosse uma espécie de comentário subtil e não verbal à vida que decorre à sua volta. A escrita de Nuno Duarte combina realismo social com ironia afiada, expondo as contradições de um país que ergue uma ponte monumental enquanto envia os seus jovens para uma guerra longínqua. A narrativa alterna entre momentos de humor e de dureza, e é justamente nessa tensão — entre a grande História e as pequenas histórias — que reside a sua riqueza. Pés de Barro é, assim, muito mais do que uma obra sobre o passado: é um espelho de um tempo em que as promessas de modernidade coexistiam com um regime que sufocava a liberdade. A ponte que atravessa o Tejo acaba por ser também a ponte que liga o sonho e a realidade, a esperança e a perda. Adorei e recomendo vivamente!

Um livro notável

Maria Teresa Meireles

Um livro escrito com mestria, humor, seriedade e sensibilidade - uma mistura difícil de conseguir. Um livro a ser lido e relido nas escolas, uma vez que a nossa História recente é muitas vezes guardada para dias comemorativos ao longo do ano, mas pouco interiorizada, pouco sentida, pouco (re)pensada. Pela imensa investigação e pela sua atraente escrita, Nuno Duarte mereceu, sem qualquer dúvida, este Prémio Leya e merece, também, leitores e divulgação à altura.

Um livro profundamente envolvente!

Paula Mendes

Pés de Barro leva-nos, assim, por entre andaimes e promessas de progresso, mas também pelas feridas abertas de um país em transformação. É um romance que retrata com mestria a construção da ponte, mas também os momentos históricos que marcaram o Portugal dos anos 60. É daqueles livros que se devora com prazer. A história agarra-nos desde o início, e a escrita, com ecos do estilo de Saramago, é profundamente envolvente.

O prémio completamente merecido

ALC

Pés de barro ganhou o prémio Leya 2024 e foi integralmente merecido. O livro leva-nos para um momento muito particular da história - os anos da construção da Ponte 25 de abril - e está tão bem escrito, com tanta qualidade literária mas ao mesmo tempo tanto sentido de humor, que é mesmo um livro imperdível. Um dos preferidos do ano até agora.

A ponte é uma passagem

Hugo Rodrigues

Pés de Barro, de Nuno Duarte, é uma obra que se destaca pela sensibilidade com que trata temas universais como a fragilidade humana, a busca por identidade e a complexidade das relações interpessoais. Com uma escrita envolvente e ao mesmo tempo sóbria, Duarte constrói personagens densos, reais, que habitam um mundo onde as certezas são escassas e os conflitos internos moldam os percursos de vida. A grande força do livro está na forma como o autor combina lirismo e crueza, criando uma narrativa que toca o leitor não apenas pelo enredo, mas sobretudo pela honestidade emocional com que cada situação é apresentada. A metáfora do “barro” — material moldável, mas também frágil — é explorada com profundidade ao longo da obra, refletindo a vulnerabilidade e a imperfeição humanas com rara delicadeza.

SOBRE O AUTOR

Nuno Duarte

Nuno Duarte nasceu em Sintra, em 1973. Quando abriu os pulmões, já se respirava em liberdade, mas, para efeitos literários, pode afiançar, sem faltar à verdade, que ainda viveu no tempo da outra senhora. Quando abriu os olhos, já havia livros em casa. Havia os do pai, que eram do Steinbeck, do Dostoiévski, do Hemingway, do Ferreira de Castro e do Saramago; e havia os de banda desenhada, que eram do Goscinny, do Hergé, do Edgar P. Jacobs, do Christin e do Moebius. Estudou design gráfico no Ar.Co e começou uma carreira na publicidade onde foi diretor criativo de algumas das principais agências do mercado e amealhou várias distinções nacionais e internacionais. O gosto pela leitura e pela escrita, mas, sobretudo, a necessidade de perceber como se fazia, afinal, um daqueles livros como os que havia em casa, levaram-no a tentar. E a tentar. E a tentar de novo. Pés de Barro é o seu primeiro romance.

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