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Pés De Barro - Prémio Leya 2024 eBook

de Nuno Duarte
Editor: Leya, abril de 2025 ‧
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Estamos em 1962, num país orgulhosamente só, e vem aí a construção da primeira ponte suspensa sobre o Tejo, para a qual vão ser precisos cerca de três mil homens. A obra irá mudar para sempre a paisagem da capital, muito especialmente para quem vive em Alcântara, como é agora o caso de Victor Tirapicos, instalado na casa dos tios depois de ter envergonhado o pai com dois anos de cadeia só por ter roubado pão e batatas para fintar a miséria.

É, de resto, pelos olhos deste serralheiro de vinte e dois anos que veremos a ponte erguer-se um pouco mais todos os dias e, ali mesmo ao lado, partirem os navios cheios de rapazes para a guerra do Ultramar, donde muitos acabarão por voltar estropiados, endoidecidos ou mortos.

Porém, apesar de a modernidade parecer estar a matar a vida e os costumes do pátio operário onde convivem (amigavelmente ou nem tanto) uma série de figuras inesquecíveis - entre elas o mestre sapateiro que faz as chuteiras para o Atlético Clube de Portugal e um velho culto que aprende a desler -, Victor Tirapicos encontra o amor de uma rapariga que é muda mas consegue escutar o planeta, pressentindo a derrocada da estação do Cais do Sodré e outra catástrofe ainda maior, que se calhar tem pés de barro e só acontece neste romance, mas bem podia ter acontecido.

Pés De Barro - Prémio Leya 2024

de Nuno Duarte

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895814282
Editor: Leya
Data de Lançamento: abril de 2025
Idioma: Português
Tipo de produto: eBook
Formato e Compatibilidade:
Classificação Temática: eBooks em Português > Literatura > Romance
eBooks em Português > Literatura > Ficção
EAN: 9789895814282
Acessibilidade: Ver características de acessibilidade indicadas pelo editor

Um favorito

Rita

Pés de barro é um favorito. Não houve um minuto em que eu tivesse bocejado ou quisesse pousá-lo. É entusiasmante do princípio ao fim. Mais, aprendi muito com ele. Não fazia ideia, por exemplo, que durante o Estado Novo a Língua Gestual tinha sido proibida para evitar conspirações ¿ Esta é uma história que nos fala da construção da Ponte 25 de abril mas também do quotidiano em Lisboa, mais concretamente no bairro de Alcântara, nos anos 60 com a PIDE sempre à espreita. A pobreza lado a lado com o analfabetismo e a resistência. O contraste entre o desejo da modernidade, a exploração e o atraso social. Rapazes que embarcam para a guerra colonial, outros que ficam entregues à fome e à miséria. Um vizinho que aprende a desler. Outro que bebe demais e faz serenatas. O tio sapateiro que faz chuteiras para o Atlético. A tia que faz o "comerzinho" ¿¿ Para mim está magistralmente escrito (senti vibes de Saramago), com muito sentido de humor e encontrei nele expressões muito nossas que me lembraram do passado. E depois o final, valha-me Nossa Senhora dos Livros, que final foi aquele? Uma reviravolta muito louca e muito surpreendente que adorei. Adorei mesmo, parecia um filme de Hollywood ¿ Só posso recomendar a história do serralheiro Vítor Tirapicos e da Dália muda que não fala mas escuta o planeta.

Recomendo

Ana Lúcia Loureiro

Um romance que, através do olhar daqueles que trabalham e têm de lutar para sobreviver e encontrar o seu espaço, nos mostra um retrato fiel de Portugal na década de 60. Todo o romance é perpassado por uma crueza real e é nela que encontramos a beleza daquelas personagens tão singelas.

O melhor de 2025!

Sílvia Rodrigues

Uma escrita simples, intensa e sofisticada! Não sendo uma leitura leve, de tão verdadeira toca-nos profundamente... Um manancial de aprendizagem! Para mim, o livro de 2025.

Notável

Jorge Rodrigues

Pés de barro é um livro notável, com uma descrição perfeita dos tempos do Estado Novo em Lisboa, com descrições fascinantes do nosso país naquela época.

A ponte que liga o sonho e a realidade, a esperança e a perda

Histórias Soltas Presas Dentro de Mim

Pés de Barro, romance de estreia de Nuno Miguel Silva Duarte e vencedor do Prémio LeYa 2024, transporta-nos para o Portugal dos anos 60, mergulhando-nos no ambiente de Lisboa durante a construção da Ponte Salazar — hoje 25 de Abril — e nas partidas dos jovens para a guerra colonial. Este cruzamento entre progresso técnico e opressão política confere à narrativa uma força particular, tornando-a simultaneamente verosímil e emotiva. O protagonista, Victor Tirapicos, é um jovem serralheiro que observa de perto a transformação da cidade e o peso das decisões do regime. Ao seu lado, circula um conjunto de personagens que dão vida ao retrato social da época: operários, vizinhos, familiares e figuras que, embora discretas, marcam profundamente o leitor. Entre elas, destaco Dália, a jovem muda que vive no mesmo pátio. Incapaz de articular palavras, comunica através de um som muito próprio — um ruído gutural e quase musical que se repete sempre que quer pronunciar-se. Esse detalhe, longe de ser apenas uma curiosidade, transforma-se num poderoso recurso narrativo: Dália “ouve o mundo” com uma sensibilidade rara e, com o seu som, interrompe ou sublinha momentos-chave, como se fosse uma espécie de comentário subtil e não verbal à vida que decorre à sua volta. A escrita de Nuno Duarte combina realismo social com ironia afiada, expondo as contradições de um país que ergue uma ponte monumental enquanto envia os seus jovens para uma guerra longínqua. A narrativa alterna entre momentos de humor e de dureza, e é justamente nessa tensão — entre a grande História e as pequenas histórias — que reside a sua riqueza. Pés de Barro é, assim, muito mais do que uma obra sobre o passado: é um espelho de um tempo em que as promessas de modernidade coexistiam com um regime que sufocava a liberdade. A ponte que atravessa o Tejo acaba por ser também a ponte que liga o sonho e a realidade, a esperança e a perda. Adorei e recomendo vivamente!

Um livro notável

Maria Teresa Meireles

Um livro escrito com mestria, humor, seriedade e sensibilidade - uma mistura difícil de conseguir. Um livro a ser lido e relido nas escolas, uma vez que a nossa História recente é muitas vezes guardada para dias comemorativos ao longo do ano, mas pouco interiorizada, pouco sentida, pouco (re)pensada. Pela imensa investigação e pela sua atraente escrita, Nuno Duarte mereceu, sem qualquer dúvida, este Prémio Leya e merece, também, leitores e divulgação à altura.

Um livro profundamente envolvente!

Paula Mendes

Pés de Barro leva-nos, assim, por entre andaimes e promessas de progresso, mas também pelas feridas abertas de um país em transformação. É um romance que retrata com mestria a construção da ponte, mas também os momentos históricos que marcaram o Portugal dos anos 60. É daqueles livros que se devora com prazer. A história agarra-nos desde o início, e a escrita, com ecos do estilo de Saramago, é profundamente envolvente.

O prémio completamente merecido

ALC

Pés de barro ganhou o prémio Leya 2024 e foi integralmente merecido. O livro leva-nos para um momento muito particular da história - os anos da construção da Ponte 25 de abril - e está tão bem escrito, com tanta qualidade literária mas ao mesmo tempo tanto sentido de humor, que é mesmo um livro imperdível. Um dos preferidos do ano até agora.

A ponte é uma passagem

Hugo Rodrigues

Pés de Barro, de Nuno Duarte, é uma obra que se destaca pela sensibilidade com que trata temas universais como a fragilidade humana, a busca por identidade e a complexidade das relações interpessoais. Com uma escrita envolvente e ao mesmo tempo sóbria, Duarte constrói personagens densos, reais, que habitam um mundo onde as certezas são escassas e os conflitos internos moldam os percursos de vida. A grande força do livro está na forma como o autor combina lirismo e crueza, criando uma narrativa que toca o leitor não apenas pelo enredo, mas sobretudo pela honestidade emocional com que cada situação é apresentada. A metáfora do “barro” — material moldável, mas também frágil — é explorada com profundidade ao longo da obra, refletindo a vulnerabilidade e a imperfeição humanas com rara delicadeza.