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Pele de Homem

de Hubert Boulard e Zanzim
Editor: A Seita, junho de 2022 ‧
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«Nós, as mulheres da nossa família, temos um grande segredo. Possuímos uma pele de homem. Chamamos-lhe Lorenzo. Uma vez vestida, ninguém duvidará de que és um rapaz.»

Assim começa um dos mais notáveis e mais premiados romances gráficos da banda desenhada contemporânea, uma fábula que coloca em cena temas universais como o género, a compaixão ou sexualidade, levando o leitor a questionar ao mesmo tempo o seu conceito de moralidade, e a seguir esta busca intemporal, nobre, e louca pelo amor.

Inclui um prefácio de Ana Cristina Santos, uma das principais especialistas nacionais em estudos de género, e investigadora principal no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

Pele de Homem

de Hubert Boulard e Zanzim

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895338290
Editor: A Seita
Data de Lançamento: junho de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 217 x 290 x 19 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 160
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Banda Desenhada > Humor
EAN: 9789895338290

História interessante, tradução fraca

H. Nickleby

A história até é interessante, bem como os temas abordados. No entanto, o brio linguístico da tradução deixa muito a desejar. Ora uma personagem se dirige a outra por “vós”, com verbos conjugados na segunda pessoa do plural, ora se dirige a ela por “você” (!?!?), com verbos conjugados na terceira pessoa do singular, ora uma delas usa “vós” e a outra “você”, ora se tratam por “tu” … Enfim, uma trapalhada total. A nobreza e a aristocracia da época em que se desenrola a história jamais se tratariam por “você”. Como se isso já não bastasse, no livro a aristocracia muitas outras vezes trata-se por “tu”, coisa que também não é típica daquela época, mesmo entre familiares diretos e entre cônjuges. A pessoa “vós” - a correta no contexto - quase nunca é utilizada, e quando o é, os verbos são várias vezes mal conjugados. Não há coerência nenhuma entre formalidade e formas de tratamento, o mesmo acontecendo com determinantes e pronomes possessivos - ora é “seu/sua”, ora é “vosso/vossa”…, etc. Uma arbitrariedade incompreensível, preguiçosa e desleixada, e que retira prazer da leitura e da experiência de imersão naquela época e costumes, coisa que se revela tanto mais grave pelo facto de, segundo a ficha técnica do livro, ter havido dois revisores da tradução. Três linguistas envolvidos na tradução desta obra, e o resultado é este? Lamentável.

Fábula Adulta

Nuno Leao

Provavelmente sendo a obra de BD mais aclamada e premiada de 2020, as expectativas estariam sempre muito altas, o que nem sempre é bom. A obra é boa, mas às vezes termos menos expectativas permite que tenham um impacto maior. Trata-se de uma fábula moderna e adulta, ambientada numa Itália renascentista (não sei porque, mas vinha-me sempre à cabeça a Fera Amansada), mas que no fundo, apesar da sua cronologia, a história até poderia ser desenvolvida nos tempos actuais. . Afinal ainda hoje vivemos através de códigos sociais e morais impostos por pequenas parcelas da sociedade, ou mesmo por tempo idos, e podemos achar que precisamos fingir ser o que não somos. Machismo, identidade de gênero, (homo)sexualidade.... Temas atuais e não ligeiros nem lineares. Para quem ainda afirma que BD é para crianças, pergunto-me se algumas dessas vezes não censurariam este livro para crianças. E tratando-se de BD, o traço, ainda que aparentemente naif, é inteligente de certo modo ajuda a temporalizar a ação, quase como pinturas de antigas peças cerâmicas helenísticas ou composições perfeitamente renascentistas. Malgrado as expectativas altas, não desilude, mas não deslumbra.

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