10% de desconto

Paraíso

de Abdulrazak Gurnah
Livro eBook
Editor: Cavalo de Ferro, maio de 2022 ‧
20,95€
10% DESCONTO CARTÃO
EM STOCK -
portes grátis
Nascido numa pequena povoação da África Oriental, Yusuf é vendido aos doze anos pelo seu pai ao rico comerciante Aziz, a quem se habituara a chamar tio. Na sua nova vida como escravo, Yusuf é chamado a participar numa perigosa expedição comercial ao interior do continente.

Uma verdadeira viagem de iniciação pelo coração das trevas ao longo de uma paisagem bela e selvagem, que o levará a descobrir um território povoado por tribos hostis, africanos muçulmanos, comerciantes indianos e agricultores europeus, um paraíso ameaçado, em vésperas da Primeira Guerra Mundial.

Aliando romance de formação, ficção histórica e literatura de viagens num mosaico de mitos, sonhos, tradições bíblicas e corânicas, Gurnah descreve as feridas vivas de um continente ainda virgem em vias de ser colonizado.

Finalista do Booker Prize e do Whitbread Award, Paraíso, originalmente publicado em 1994, foi o romance que projectou Abdulrazak Gurnah para o palco internacional, consagrando-o como um dos grandes escritores da actualidade.
Magia que o Nobel nos deu_wookacontece 640.jpg

Magia que o Nobel nos deu

Os escritores tiveram todo o trabalho e o mérito é deles e de ninguém mais. Mas o Nobel tem esta capacidade de meter os tradutores a dar-lhe gás. Feito o anúncio em Estocolmo, os livros que alguém escreveu num quarto ganham asas e vão para o mundo inteiro. ANNIE JOHN
JAMAICA KINCAID
É o primeiro romance de Jamaica Kincaid – oito capítulos que foram oito fascículos publicados na New Yorker. Quem o ler e conhecer a vida da autora depressa entenderá os pontos em comum, principalmente mais para o fim: aos 16 anos, a autora foi enviada pela família para os Estados Unidos para trabalhar tomando conta de crianças e enviar dinheiro para a família. Foi onde tinha de ir, mas nunca enviou nada e, a partir daí, iniciou o seu percurso de libertação do passado. A literatura foi a porta para isso, para a ida para o futuro. Ora, viver andando em frente é o que safa Annie John da pequenez das coisas, da vida que lhe querem impor. Annie tem uma relação tensa com a mãe, que de amada vira odiada, no que representa uma espécie de paraíso perdido da infância. Enquanto explora este núcleo familiar, Kincaid explora ainda a vida de um país, e a forma como a cultura cria papéis consoante o sexo e a classe, impondo decisões. PARAÍSO
ABDULRAZAK GURNAH
Este foi recente, e levou o escritor tanzaniano a várias línguas. Quando Gurnah recebeu o Nobel da Literatura, em 2021, tinha apenas um livro publicado em Portugal, editado pela Difel, editora já extinta. Claro, a partir daí, lá veio ele em força em bruta, estando agora a ser editado pela Cavalo de Ferro. Como tantos outros em Portugal, só o li após o prémio, e comecei com Paraíso. Impressionou logo na primeira página, e o resto do enredo só serviu para agarrar mais. A história não é feita para unicórnios: Yusuf, miúdo de 12 anos, é vendido pelo pai a um comerciante. Outrora filho, hoje escravo, nas mãos de um homem a quem chamava tio e virou dono, Yusuf participa numa expedição no interior do continente, ele que vivia na África Oriental. As descrições de Gurnah são de tal forma ricas que quase lhes sentimos o sabor na boca, e andamos de sensação em sensação entre as paisagens longas, as tribos hostis, as rivalidades, a multiplicidade de povos, e isto em vésperas de estalar pelo mundo a primeira Grande Guerra. VOZES DE CHERNOBYL
SVETLANA ALEXIEVICH
Em vez de um livro, parecem vários, porque há dezenas de vozes, dezenas de histórias. Chernobyl tem muito que se lhe diga, impactou muitas vezes, deu cabo de outras tantas. Em 1986, bem se sabe, a cidade ucraniana foi palco do pior desastre nuclear da história do planeta: um reator teve um problema técnico e soltou-se uma nuvem radioativa que contaminou o meio envolvente, animais, gente. As autoridades soviéticas tentaram ocultar a gravidade do que aconteceu, mas de pouco lhes valeu. Neste livro, Aleksievitch conta a história, na primeira pessoa, de centenas de pessoas que viveram a tragédia. Ali dentro, está tudo, está a vida real: gente normal, civil, que vivia o seu quotidiano até este ser interrompido, e logo em força bruta; e também gente que pertencia às forças soviéticas que tentaram esconder a tragédia. Para fazer este livro, a autora fez mais de 500 entrevistas. O resultado é surpreendente, do ponto de vista humano, literário e técnico, com monólogos cruzados. A INFÂNCIA DE JESUS
J. M. COETZEE
É genial. É tudo genial: o autor, o livro, o rapaz. O rapaz cruza os mares com um homem e juntos chegam a uma nova terra, onde têm de aprender uma nova língua e ganhar um novo nome. O homem passa a Simón, o rapaz é David. A partir daqui (aliás, antes disto também), a narrativa tem um quê de alucinante. Simón arranja emprego entre estivadores que, volta e meia, se metem com discursos filosóficos. Extenuado devido ao trabalho físico, pelo meio ainda tenta encontrar a mãe de David. Problema: ele, como os outros que ali chegam, está despido de memórias, embora se alimente da ideia de que, assim que vir a mãe, irá reconhecê-la. Ao ver uma mulher, não só se convence de que esta é a mãe dele como a convence a tratá-lo como um filho. Enfim, a partir daí, a coisa é quase bíblica: David é todo mistério, todo elevação, todo capacidade de tocar os outros, todo cheio de certezas. Tem uma inteligência aguçada, uma forma de sonhar que é invulgar. Também há ali um quê de rebeldia. E, sobretudo, há entre quem o rodeia o mesmo que no leitor: a ideia ténue de que há ali qualquer coisa que foge ao comum de nós. CRÓNICAS DO LUGAR DO POVO MAIS FELIZ DA TERRA
WOLE SOYINKA
É uma grande construção, e surpreende, mais não fosse, pela capacidade que o autor tem de empilhar tijolo em cima de tijolo de forma tão orgânica. Aqui, temos uma Nigéria imaginada, cujos limites são os da cabeça do autor. Existe um empreendedor que enriquece a vender partes de corpos humanos, que são depois usadas em rituais. Menka, cirurgião num hospital, apercebe-se de que o seu local de trabalho é o centro do fornecimento, e ei-lo então a querer parar com aquilo, com a ajuda de Pitan-Payne, seu antigo colega de escola, agora engenheiro reputado, prestes a aceitar um emprego nas Nações Unidas. Com isto, Soyinka desenvolve um romance profundo, quase em jeito de thriller político: é que o empreendedorismo não é um esquema fácil e rápido, faz parte de uma teia, e travá-lo não é coisa de “dá cá aquela palha”. Menka e Pitan-Payne deparam-se com um fenómeno em que moram tantos outros, entrelaçados pela corrupção política e social e pelos abusos de poder. E o trabalho de linguagem, que casa tudo isto, é soberbo. DEUS AJUDE A CRIANÇA
TONI MORRISON
Tem uma prosa irrepreensível e um conjunto de personagens formidáveis – não há nada de épico, só mundano. Não só é quanto basta como é mesmo quase tudo. À cabeça do livro, há um conflito de pele dentro da família: a mãe é mais escura do que a filha, e isso chega para lhe negar o amor total. Bride, a filha, é confiante, bem-sucedida, bela, escura. Sweetness, a mãe, é mais clara, e impede-se de amar a filha sem ter noção dos estragos que provoca – e sem perceber que o que se faz a uma criança lhes vai arder a vida inteira. O romance, que podia ser sobre esta família, é sobre uma coisa bem maior: o estado de infância como a fundação de tudo e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento da vida. Boa ou má, afeta as décadas do porvir. Lido o livro, fica claro que ninguém passa incólume pelos primeiros anos.

Paraíso

de Abdulrazak Gurnah

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896233945
Editor: Cavalo de Ferro
Data de Lançamento: maio de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 154 x 226 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 268
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896233945

Narrativa peculiar que nos agarra

Sofia C.

Este foi o primeiro título que li de Abdulrazak Gurnah e permitiu-me entender que não é fácil encarar uma cultura tão distante dos padrões ocidentais que conhecemos. Apesar da forma escrita ser amigável, não é fácil habituarmo-nos à forma peculiar com que os sentimentos, o ambiente e os acontecimentos são descritos ao longo da narrativa. No entanto, à medida que se avança no livro, ele vai-nos envolvendo e acabamos por apreciar a obra ao máximo. Recomento vivamente a leitura!

A natureza humana

Manuel Almeida

Foi o primeiro livro que li de Abdulrazak Gurnah. A leitura de ´´Paraíso´´ introduz o leitor na cultura africana oriental e os seus contrastes entre comunidades ditas cultas e comunidades ditas selvagens. O Paraíso é o espaço geográfico por onde as personagens peregrinam com o objetivo de estabelecerem rotas comerciais. É o tempo de inocência. Por outro lado, numa analogia inversa, o inferno é o comércio e o tempo da perda da inocência. Na narrativa a personagem principal, uma criança, trocada pelos pais para saldar uma dívida com um comerciante, vai aprendendo a ser homem. A obra termina com a chegada dos colonos alemães que tomam para si, através da imposição e força das armas, esse paraíso. Estou curioso por conhecer os próximos romances e ver se há possíveis analogias com este paraíso perdido.

SOBRE O AUTOR

Abdulrazak Gurnah

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2021

Abdulrazak Gurnah nasceu em 1948 em Zanzibar. Na década de 1960, abandonou o seu país, então a braços com uma revolução, e rumou ao Reino Unido. Foi professor de Literatura Inglesa na Universidade de Kent em Canterbury, onde vive atualmente. A sua obra versa sobre a experiência africana, o colonialismo e o refugiado, e nela se destacam os romances Paraíso (1994), finalista do Booker Prize e do Whitbread Award; Junto ao Mar (2001), nomeado para o Booker Prize e finalista do Los Angeles Times Book Award; O Desertor (2005), finalista do Commonwealth Writers' Prize; e Vidas Seguintes (2020), finalista do Orwell Prize for Political Writing 2021 e nomeado para o Walter Scott Prize 2021, todos eles publicados pela Cavalo de Ferro. Gurnah recebeu o Prémio Nobel de Literatura 2021 «pela forma determinada e humana com que aborda e aprofunda as consequências do colonialismo e o destino do refugiado no fosso entre culturas e continentes». Gente da Casa (2025) é o seu mais recente romance.

(ver mais)

DO MESMO AUTOR

QUEM COMPROU TAMBÉM COMPROU