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Os Sulcos da Sede

Livro 22

de Eugénio de Andrade
Livro eBook
Editor: Assírio & Alvim, junho de 2019 ‧
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«Variação sobre um velho tema, o tema do homem velho, Os Sulcos da Sede (2001) é um dos livros dos últimos dias de Eugénio de Andrade, que aconteceu ser o último livro que publicou. [...] Mais do que luzes e sombras, a questão, neste último livro, põe-se em termos de sede e de água. Os poemas estão junto da fonte, da fonte da poesia, têm sede, anseiam (“água, água”), morrem perto da fonte à míngua de água, dão de beber à sede, dão a beber a própria sede, as formulações multiplicam-se. Trata-se de uma promessa do inalcançável ou de um suplício de Tântalo? Parecendo sensações contraditórias, são, na verdade, instâncias diferentes: o “eu”, envelhecido, pode muito menos do que dantes, mas os poemas não envelhecem, não perdem faculdades. Eugénio recupera aquela sensação que todos temos, a partir de uma certa idade, a sensação de que somos mais novos do que aquilo que somos.» [do prefácio de Pedro Mexia]

Os Sulcos da Sede

de Eugénio de Andrade

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-37-2095-2
Editor: Assírio & Alvim
Data de Lançamento: junho de 2019
Idioma: Português
Dimensões: 147 x 205 x 7 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 64
Tipo de produto: Livro
Coleção: Obras de Eugénio de Andrade
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 978972372095210
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Encontro com a plenitude da terra

José Fernando Guimarães

Entre "Primeiro poemas" (três livros que foram muito depurados), mais o evidente livro de estreia, o belíssimo "As mãos e os frutos", e este "Os sulcos da sede", seu último livro, eis o caminho da poesia de Eugénio de Andrade. Diz Daniel Jonas: Eugénio escreveu o mesmo livro desde "As mãos e os frutos". É possível. Mas não é a noção de Livro em Mallarmé? Acrescenta Jonas: a poesia de Eugénio aponta para a poesia trovadoresca. Discordo. E explico. A poesia de Eugénio erra entre o desejo, o corpo sexual, e a morte (o tema é recorrente nos últimos seis livros que publicou). Ora, o desejo é, na lírica trovadoresca, a suspensão do gesto do amigo ou da amiga - que espera diante do mar, o mar de partida do amante. Já em Eugénio o desejo é corpo a corpo, presença solar, efectivo peso que mesmo a ronda da morte, que não é limpa (escreve Eugénio) não anula completamente. Aliás, é num poema notável que Eugénio diz que a morte é encontro com a terra, a terra plena que sempre lhe espicaçou o desejo, onde crescem pequenas ervas verdes. E assim, neste percurso, o caminho da poesia de Eugénio (com poemas nem sempre conseguidos, alguns, com poemas belíssimos, muitos outros) é um caminhou "rente ao dizer". Desassombrado, Espantado. Que mais pode querer um homem? Ao seu lado, Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner, entre outros - para não falar das traduções que fez e compiladas em "Trocar de rosa".

SOBRE O AUTOR

Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 de janeiro de 1923 no Fundão. Manteve sempre uma postura de independência relativamente aos vários movimentos literários com que a sua obra coexistiu ao longo de mais de cinquenta anos de atividade poética. Revelou-se em 1948, com As Mãos e os Frutos, a que se seguiria, em 1950, Os Amantes sem Dinheiro. Os seus livros foram traduzidos em muitos países e ao longo da sua vida foi distinguido com inúmeros prémios, entre eles o Prémio Camões, em 2001. Morreu a 13 de junho de 2005 no Porto, cidade que o acolheu mais de metade da sua vida.

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