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O Tambor de Lata

de Günter Grass
Editor: Dom Quixote, maio de 2025 ‧
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A crítica mordaz, a ironia desapiedada, o humor corrosivo e a liberdade criadora com que Günter Grass constrói esta obra-prima tornam O Tambor de Lata num dos livros mais importantes da história da literatura.

O dia do seu terceiro aniversário é uma data decisiva na vida de Oskar Matzerath, o pequeno que não queria crescer. Não só é o dia em que resolve deixar de crescer, mas é também o dia em que recebe um tambor de lata, objecto que se converterá num companheiro inseparável ao longo de um percurso em que ecoam os compassos da história alemã antes e depois da Segunda Guerra Mundial.

No início dos anos 50, internado num asilo de alienados, a Oskar já só lhe resta tocar tambor e dedicar-se a escrever a história da sua vida e da sua família, começando pela avó materna e atravessando a primeira metade do século XX, com o longo pesadelo nazi, até à Alemanha de Adenauer.

Nascido em 1924, Oskar viu e ouviu de tudo, nada lhe escapou, porque era um bebé de olhos brilhantes e de ouvido apurado, cujo desenvolvimento mental já estava concluído à nascença. Ao crescer, tornou-se num homem peculiar, um forasteiro de um metro e vinte e um centímetros de altura que anda de terra em terra a tocar no seu tambor de lata. Mas aquele que, como forma de protesto, consegue alterar a realidade tamborilando num simples brinquedo infantil e estilhaçando vidro apenas com o som da sua voz, revela-se a única pessoa sã num mundo de aparências, mentiras e crimes. E, ao terminarmos a leitura desta sua fantástica autobiografia, como salientou Lars Gustafsson, «descobrimos que sabemos mais do que nunca sobre a Alemanha e a Europa Central - tanto no tempo do genocídio como na era Biedermeier da Restauração».
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Primeiro estranha-se

Há livros que começam com uma ideia estranha, sem sentido, e ainda assim tudo se constrói a partir daí. Primeiro há resistência, depois habituação. O que era insólito deixa de ser visto como um erro e passa a fazer parte da estrutura. Não serve para fugir ao real, mas para expor o que a realidade tende a esconder. A Espuma dos Dias, O Tambor de Lata, A Lotaria e Outras Histórias, Ruído Branco e Crash partem desse desvio inicial e levam-no até às últimas consequências, sem tentar corrigir ou explicar o que está fora do lugar. Nestes livros, o absurdo deixa de ser um problema e passa a ser a forma mais fácil de interpretar o mundo. A Espuma dos Dias, de Boris Vian Colin, o protagonista de A Espuma dos Dias, é um jovem rico que vive sem pressas nem obrigações. Passa os dias a ouvir música, no meio de pequenos luxos e de invenções como o pianocktail, um instrumento que transforma notas musicais em bebidas. É nesse contexto que conhece Chloé. Apaixonam-se e casam-se rapidamente. Pouco depois, Chloé adoece. Um nenúfar começa a crescer no seu pulmão, sem qualquer explicação. A vida do casal passa a girar em torno da doença. O tratamento é caro e exige cuidados constantes, obrigando Colin a trabalhar pela primeira vez. O dinheiro começa a faltar e a própria realidade à sua volta altera-se. A casa onde vivem torna-se cada vez menor e mais escura, como se acompanhasse o estado de Chloé. No romance, o insólito é aceite desde o início e levado até ao fim. A própria linguagem e os objetos participam nessa lógica, deformando-se à medida que a história avança. É essa coerência que sustenta a narrativa e conduz a transformação de tudo o que parecia estável. A obra foi adaptada ao cinema em 2013 por Michel Gondry. COMPRO NA WOOK! » O Tambor de Lata, de Günter Grass Em O Tambor de Lata, Oskar Matzerath narra a sua história recuando ao momento em que, com apenas três anos, recebe um tambor de lata. Nesse mesmo dia, ao perceber o que o espera no futuro, em particular o destino de herdar o negócio do pai e integrar-se numa ordem que não escolheu, o menino decide que não quer ser adulto e deixa de crescer. O seu corpo mantém-se infantil, mas a consciência continua a desenvolver-se de forma lúcida, embora instável. Num período conturbado da História alemã, marcado pela ascensão do nazismo e pela Segunda Guerra Mundial, a decisão de não crescer define a posição de Oskar face aos acontecimentos que o rodeiam. Vive-os de perto, mas recusa pertencer-lhes. O tambor passa a ser o meio através do qual se impõe e intervém na realidade à sua volta, quase como uma extensão do seu corpo. No livro, Günter Grass usa premissas absurdas, próximas do realismo mágico, para deformar a realidade e torná-la mais legível. O insólito expõe comportamentos e revela mecanismos sociais que, num registo mais direto, poderiam passar despercebidos, mostrando como a adesão, a passividade e a violência se instalam sem resistência evidente. COMPRO NA WOOK! » A Lotaria e Outras Histórias, de Shirley Jackson No livro de contos A Lotaria e Outras Histórias, o absurdo instala-se de forma discreta, sem sinais evidentes de rutura. O conto que dá o nome ao livro centra-se na tradição de uma pequena aldeia norte-americana, com os habitantes reunidos na praça em torno de uma caixa de madeira que guarda os papéis de um sorteio anual. Tudo decorre com normalidade, segundo regras e uma ordem conhecida, repetida todos os anos. Cada família participa sem resistência, como se cumprisse um gesto rotineiro e necessário à comunidade. À medida que o processo avança, torna-se claro que aquele encontro não se trata de uma celebração. O nome escolhido não recebe um prémio, recebe uma condenação. Ainda assim, não há revolta nem questionamento e a cerimónia cumpre-se até ao fim. Nos restantes contos, Shirley Jackson trabalha essa mesma lógica, introduzindo pequenos desvios que alteram a conclusão das histórias. O que é estranho não se destaca do quotidiano, mistura-se com ele, o que o torna mais próximo e perturbador. COMPRO NA WOOK! » Ruído Branco, de Don DeLillo Em Ruído Branco, Jack Gladney, um professor universitário, vive com a mulher e os filhos numa realidade muito próxima da nossa, marcada pelo consumo, pela influência da televisão e por conversas fragmentadas, onde a linguagem parece muitas vezes repetida, como se não lhes pertencesse totalmente. A sensação de normalidade forma-se a partir desses hábitos e da acumulação constante de informação, mais absorvida do que compreendida. Esse equilíbrio aparente é interrompido por um acidente químico que liberta uma nuvem tóxica e obriga à evacuação da população. Mesmo perante este caso extremo e tão próximo, a experiência nunca é vivida de forma direta. Tudo chega através de relatórios, notícias e termos técnicos que procuram dar forma ao que está a acontecer. As personagens lidam com o medo por via dessas interpretações, sem contacto pleno com o acontecimento. Ao longo do livro, a realidade surge sempre filtrada, mediada pelos meios de comunicação e substituída por descrições e explicações que tornam difícil uma relação direta com o espaço em que vivem. COMPRO NA WOOK! » Crash, de J. G. Ballard Crash, de J. G. Ballard, atribui contornos sórdidos à ideia de absurdo. A história acompanha um homem que, após sobreviver a um acidente de viação e assistir à morte de outro condutor, entra em contacto com um grupo de pessoas que desenvolve uma atração sexual por colisões automóveis. Vaughan, figura central desse grupo, estuda acidentes e recria colisões. A determinada altura, os acidentes deixam de ser acontecimentos ocasionais e passam a ser procurados, analisados e encenados. O carro deixa de ser apenas um meio de transporte e passa a integrar o corpo e a experiência das personagens, influenciando a forma como se relacionam. J. G. Ballard não tenta explicar esta atração nem oferecer uma leitura moral, limita-se a seguir essa lógica até às últimas consequências, mantendo um registo frio e descritivo. Mais uma vez, o absurdo não distancia, intensifica. Ao levar esta ideia até ao limite, o livro expõe a fusão entre tecnologia, desejo e violência, revelando uma relação com o mundo em que o estímulo intenso substitui a experiência e o corpo se torna inseparável da máquina. COMPRO NA WOOK! »

O Tambor de Lata

de Günter Grass

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722085403
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: maio de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 159 x 252 x 45 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 696
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722085403

SOBRE O AUTOR

Günter Grass

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1999

Günter Grass nasceu em Danzig (atual Gdansk, Polónia), a 16 de outubro de 1927, e morreu em Lübeck, Alemanha, a 13 de abril de 2015. Escritor, poeta, dramaturgo, ensaísta e pintor, recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1999, tornando-se um dos mais relevantes autores alemães contemporâneos. Em 1959, o seu romance O Tambor de Lata dá-lhe notoriedade internacional, ao mesmo tempo que desencadeia nos meios alemães um aceso debate sobre a guerra e a herança nazi. Foi adaptado ao cinema pelo realizador Volker Schlöndorff, vencendo o Óscar de melhor filme estrangeiro de 1979.
Grass, com uma escrita sensual e plena de humor, por vezes apelando à fantasia e ao delírio surrealista, é ainda autor de outros títulos marcantes como A Ratazana, O Gato e o Rato, Escrever Depois de Auschwitz, A Passo de Caranguejo, Em Viagem de Uma Alemanha à Outra, O Meu Século, Descascando a Cebola, A Caixa, O Pregado e Sobre a Finitude.

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