O Senhor Roubado
A Inquisição e a Questão Judaica
EXCERTOS
Este estudo de Jorge Martins, que tenho o prazer de prefaciar, constitui sem dúvida um importante passo dado na boa direcção historiográfica, aquela que leva a redescobrir o que nunca foi, afinal, suficientemente indagado, rememorado, investigado, nomeadamente no campo das relações sociais e afectivas entre judeus e portugueses – ora judeófilos, ora anti-semitas –, desde a expulsão de 1497 ao diploma que, ao abolir o “fero monstro” do Santo Ofício, indirectamente lhes reabria as portas do reino, pondo fim ao nefando tribunal criado por D. João III em 1536. Este tipo de investigações não tem tido quem as estimule ou quem as pratique, sendo nisso de lamentar a apatia com que a nossa universidade – toda ela, desde a minha às demais – encara esta problemática e estes campos onde haveria que promover “fossados” urgentes de investigadores decididos a não deixarem como terra incógnita painéis inteiros do nosso passado.
João Medina
(do prefácio)
NOTA DO AUTOR
Não restam dúvidas sobre a manipulação clerical e inquisitorial do roubo ocorrido na Igreja Matriz de Odivelas em 10 de Maio de 1671, que foi pretexto para atiçar o ódio antijudaico e condenar ao fracasso, como infelizmente conseguiu, o processo de conciliação dos cristãos com os judeus.
Se há motivos para considerar condenável aquele roubo praticado por António Ferreira, mais razão há para denunciar os verdadeiros criminosos daquele célebre caso: os padres da Inquisição, que executaram impiedosamente um jovem rústico e alcoolizado. Esta é a verdadeira história do Senhor Roubado.
Deve encarar-se o monumento edificado em homenagem ao Senhor Roubado como um legado histórico que tem de ser assumido por inteiro, isto é, na sua beleza artística e eventual significado religioso, mas também como símbolo de tempos seculares em que se perseguiam, torturavam e queimavam pessoas, só por terem uma religião diferente da católica. Promover o seu estudo e o esclarecimento das circunstâncias históricas que o fizeram surgir, é o melhor que se pode fazer pela sua valorização e dignificação, particularmente junto dos estudantes.
Jorge Martins
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789725592427 |
| Editor: | Europress |
| Data de Lançamento: | abril de 2002 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 216 x 290 x 11 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 176 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Heuris |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
História
>
História em Geral
|
| EAN: | 9789725592427 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
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