O Salão Vermelho

de August Strindberg
Editor: E-primatur, novembro de 2015 ‧
O salão vermelho do Berns Salonger é o local onde se reúnem diversos personagens que acabam por representar toda a sociedade sueca do final do século XIX. A imagem do salão vermelho é central pois funciona simbolicamente como a câmara vermelha onde se espera uma audiência com a realeza, ou a sala vermelha onde os debutantes esperam a apresentação à sociedade, ou ainda o espaço onde os actores aguardam a entrada em palco.
A carga simbólica do espaço em si empresta uma força e actualidade tremendas a este retrato de corrupção moral, política e social de uma Estocolmo em que se movimenta Arvid Falk, um quase anti-herói, o primeiro da literatura escandinava e um dos primeiros da literatura europeia, na forma insegura e errática como navega as águas perigosas da política e sociedade assim como as franjas do meio boémio e intelectual que se reúne no Salão Vermelho.

O Salão Vermelho

de August Strindberg

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899943858
Editor: E-primatur
Data de Lançamento: novembro de 2015
Idioma: Português
Dimensões: 157 x 238 x 21 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 360
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789899943858

Autor de grandeza maior

Rui Gonçalo

Sátira da vida em Estocolmo de fácil transporte para qualquer organização social na Europa, de suas instituições e departamentos e oficinas estatais e mais departamentos e todos eles com titulos imensos que abrigam o homem político, aquele que põe ordem no sistema civil e nos representa, onde artistas supostos embaixadores do belo não conseguem fazem deste um texto optimista mas desiludido, o diálogo disperso e personagens inquietos com pouco mais do que ironia para caminhar em frente onde as paixões e superficialidades elegíacas, num adjectivo do próprio autor, são tão conspícuas que fazem logo deste um romance moderno e intelectual de gande contraste ao que se produz na altura, de cariz episódico e estrutura pouco firme, entende-se assim a crítica que o livro tomou pelos seus conterrâneos quando foi publicado, mas um romance inaugurante de tempos ainda por vir, para um homem moderno que é moldado concomitantemente a influências exteriores ao terror da perda da razão e pensamento original, e em qualquer caso abandono completo pela luta por uma identidade singular e em última análise entrega à ordem urbana.

O Salão de Strindberg

Tiago PM

Esta obra de Strindberg é difícil de catalogar, mas é das obras mais originais que já li. Na tradição escandinava de criar personagens psicologicamente marcantes e histórias com mensagens fortes, a momentos por meio de tramas além-normalidade, a roçar o distópico (rompendo mesmo num estado de loucura/irracionalidade climática), estamos perante um livro que merece ser lido com mente aberta, no melhor sentido possível que isso possa significar. Adorei! Espero que mais obras do autor venham ao de cima da edição.

SOBRE O AUTOR

August Strindberg

August Strindberg (1849-1912) dramaturgo e romancista, igualmente pintor e fotógrafo, é um dos pais do teatro moderno. Na vanguarda do teatro do seu tempo, inspirou inúmeros autores contemporâneos, entre eles figuras tão díspares e relevantes como Kafka, Adamov, Cocteu e em particular o cineasta, também sueco, Ingmar Bergman.
Jean-Pierre Sarrazac, autor do mais recente ensaio sobre o autor Strindberg, o Impessoal (L’Arche, 2018) afirma, em síntese, sobre a obra que «as narrativas autobiográficas são antecâmaras dos dramas. Sobre as linhas de fuga da narrativa autobiográfica, o que é de natureza pessoal tende a ser impessoal. Longe de uma leitura psicologista da escrita teatral, este entrelaçar entre teatro e autobiografia, inscreve o íntimo no coração de uma criação em que a existência vem modelar e vivificar a escrita.»
Dele disse Nietzsche referindo a conhecida obra Inferno: «Fui surpreendido pela descoberta desta obra que exprime de forma grandiosa a minha própria concepção do amor: nos processos a guerra, na essência, o ódio mortal dos sexos.» Com a devida distância uma citação também aplicável ao livro A Dança da Morte.

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