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O Olhar do Outro

Estrangeiros em Portugal: Do Século XVIII ao Século XX

de Maria Filomena Mónica
Editor: Relógio D'Água, março de 2020 ‧
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«Ao lermos as obras escritas por viajantes, importa ter em conta a "Weltanschauung", um termo inventado pelo filósofo alemão W. Dilthey para designar a visão do mundo que, consciente ou inconscientemente, está presente em cada um de nós. Desde meados do século XVIII que a literatura de viagens se tornara um género apreciado, mas a maneira como os estrangeiros olharam o meu país tem de ser vista criticamente: não basta escolher as citações que se adequam às nossas teses.

Na selecção dos testemunhos que a seguir apresento, escolhi não apenas os escritos com maior qualidade literária, mas ainda aqueles sobre cujos autores dispunha dos elementos biográficos que me permitissem entender o quadro mental que os levara a deixar os retratos que nos legaram.»
[Da Introdução]

O Olhar do Outro

Estrangeiros em Portugal: Do Século XVIII ao Século XX

de Maria Filomena Mónica

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897830105
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: março de 2020
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 235 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Memórias e Testemunhos
EAN: 9789897830105

Recomendo

Tiago Manalvo

Têm vindo felizmente a ser valorizadas as fontes coevas estrangeiras na investigação histórica em Portugal, sobretudo os relatos de personalidades que não sendo nacionais, nos legaram o seu testemunho, sendo esses relatos quase sempre dotados de maior imparcialidade. Este trabalho que Maria Filomena Mónica, com a qualidade habitual, analisa estas importantes fontes de informação, obtendo-se uma melhor percepção da sociedade portuguesa e do país no período estudado. Recomendo.

Análise ao que somos

J. Velez

Um livro em linha com outros títulos da autora na sua organização e escrita. Uma análise curiosa e interessante, ao revermos pelo olhar e crítica de outros povos, as nossas próprias virtudes, defeitos e idiossincrasias enquanto portugueses.

Vistos de fora

Teresa C. Negrão

Brilhante! A partir deste livro conseguimos enquadrar o nosso país na Europa e ver o presente. O nosso atraso crónico, o preconceito principalmente dos ingleses, e a responsabilidade destes viajantes cronistas na imagem do nosso país nos últimos dois séculos e meio. Entre o divertimento e a depressão revimo-nos nuns e na isenção de poucos,noutros apenas conseguimos ver a arrogância de quem já fez um julgamento prévio e que só viu o que queria ver. A não perder.

Talvez a Razão de Ser

Carlos Jardim

Depois de ler O Olhar do Outro, nunca mais deixaremos de aceitar o porquê de sermos como somos. Através do Olhar Do Outro, é-nos mais fácil entender os nossos "males" e os nossos "bens". que afinal são de há séculos e que infelizmente não nos vão "abandonar" por mais uns quantos| A LER!

A ler

Susana C.

Notável trabalho de Maria Filomena Mónica, dando a conhecer várias visões e impressões de estrangeiros a respeito do nosso país, desde o período pós-terramoto. Tudo nesta obra vale a pena, desde os dados biográficos à contextualização histórica, das citações às opiniões da autora. Não há aqui informação supérflua. Foi um livro que me ensinou, distraiu e comoveu. Não podia pedir mais.

Excelente recolha por dois séculos e meio de olhares alheios… Para nos pensarmos enquanto povo, enquanto Nação.

Norberto Manso - https://duqueli.wordpress.com/

Estarmos à janela e vermo-nos a passar na rua, observando-nos num acto introspectivo, é um exercício a que recorremos para melhor nos conhecermos. Olhar para dentro, a partir de fora. E conhecer-nos-emos tanto melhor quanto mais profundo for o olhar para dentro. Ajudará nessa tarefa o olhar dos outros sobre nós, sendo, quase certo, verificarmos uma enorme distância entre a forma como nos vemos e a forma como nos vêem. Teremos de nos estudar no olhar dos outros. O mesmo é válido para a comunidade, a sociedade: o conhecimento dos outros, ou melhor, o olhar dos outros, ajuda-nos a pensar enquanto comunidade, enquanto portugueses. É o que se propõe Maria Filomena Mónica com este livro de que leu, “tudo o que ajudasse a recolher as opiniões que os estrangeiros que visitaram Portugal formaram ao longo destes dois séculos e meio.” (pág. 341) O livro resulta de uma investigação criteriosa, mas subjectiva, que MFM levou a cabo, percorrendo variadíssimos autores que sobre nós portugueses escreveram, desde 1755 até à actualidade. Ingleses, franceses, alemães, italianos, irlandeses, americanos, um sueco, um dinamarquês, um espanhol, um húngaro, um romeno, um sul-africano e um colombiano, num total que contabilizei de 42 autores. É transversal à grande maioria dos autores citados – visitantes ilustres - um olhar demolidor sobre nós e, dada a diversidade de proveniência, de interesses intelectuais, de motivos de visita ao nosso país, os autores, mais do que estereótipos fornecem uma interessante gama de reflexão sociológica, psicológica, histórica, política, antropológica sobre nós. Porque é que tantos disseram tanta coisa desagradável não nos deve remeter para argumentos de defesa, mas obrigar-nos a um exercício de autenticidade na análise que se impõe. Enquanto povo, podemos ser tanto melhores quanto mais compreendermos a nossa história, a nossa cultura e os traços mais identitários da nossa ‘natureza’. Não nos podemos iludir sobre nós próprios. Quase todos os autores denunciam a religiosidade dos portugueses, nefasta, supersticiosa, um clero abusador e explorador que mantém na ignorância o povo. Entendo que essas denúncias não resultam de um anticlericalismo, mas de uma preocupação com as pessoas menos esclarecidas que são vítimas da prepotência do clero. O que escrevem não é por anticlericalismo; a preocupação com os abusos do clero e a exploração do povo é que originam o anticlericalismo. Citemos Dumouriez (pág. 44): “O calor do clima, a força do seu temperamento, a ignorância e a ociosidade fazem dos portugueses maus cristãos; apenas conhecem um pecado, o da carne, mas é este que, segundo eles, tem mais encanto, sendo assim aquele a que têm menos capacidade para resistir; é por isso que procuram substituir a pureza dos costumes e as virtudes morais por práticas religiosas, missas, rosários, relíquias, indulgências e milhares de outras superstições.” E, em 1805-1806, Laure Saint-Martin Permon, escreve (pág. 111): “o povo rural é bom, podendo servir de base a uma grande nação, não fora a existência do número de padres e de monges que se encontravam por todo o lado.” Ou seja, “A triste realidade encontra-se na tirania dos confessionários, nas arrogantes extorsões e nas exigências anti-cristãs do poder papal.” (pág. 126) O olhar crítico dos diversos autores percorre vários temas: A elevada taxa de analfabetismo, a pouca leitura dos portugueses, sem fome intelectual, ignorância, superstição; Omnipresença dos cães na rua e a ladrar à noite; Deitar lixo na rua “ruas sujas e habitantes ainda mais sujos” (pág. 118) Fraca industrialização: importávamos quase tudo; Má governação, governos corruptos e pouco esclarecidos: “Todo o partido que triunfa demite os que lhe são conhecidamente adversários e provê todos os postos, até mesmo os capitães e subalternos, com as criaturas que lhe sejam afeiçoadas, a fim de poder contar com o exército em momentos decisivos.” (pág. 168) Nobreza destituída de princípios, de educação e de inteligência; Justiça, clero (padres comilões), a ruralidade e a agricultura (7 em cada 8 portugueses são camponeses); A comida gordurosa “Os portugueses precisam de estômagos de avestruz para digerirem as toneladas de gordurosas vitualhas com que se abarrotam. (pág. 77) O jornalismo: “mais interessado em superficialidades tontas do que em argumentos racionais.” (pág. 189) As casas dos emigrantes: “As casas mais feias do mundo podem hoje ser encontradas no Minho (…). Surgiu aqui uma arquitectura espontânea, a qual, através da imitação dos outros e, depois, de si própria se foi desenvolvendo em espiral, num pesadelo delirante que ultrapassou os próprios modelos originais. (…) Os emigrantes vingaram-se, de uma forma terrível, do país que não havia conseguido alimentá-los.” (pág. 337) Desigualdades: Simone de Beauvoir, numa visita ao cemitério dos Prazeres, escreve o seguinte (pág. 281): “O contraste violento, brutal entre os mausoléus soberbos e as valas anónimas, ilustra grosseira, mas exactamente a divisão do povo português em duas espécies: os que comem e são considerados pessoas e os que não comem e são vistos como gado. Neste país, que tem 7 milhões de habitantes, apenas 70 mil comem.” Ainda que alguns olhares sejam menos negativos, no entanto, “É tudo muito belo, mas tem um aspecto de há dois ou três séculos.” (pág. 105) Um dos autores (pág. 50) troça da convicção portuguesa de vivermos no melhor país do mundo, o mais belo, o mais rico e o que tem mais esplendorosa corte; aconselha a viajar para ver o que se passa no mundo, noutros países, porque, então sim, “envergonhar-te-ás de teres nascido português (…) e concordarás então que o teu país é o mais atrasado, o mais ignorante, o menos civilizado, o mais selvagem e bárbaro de todos os países da Europa.” Foi uma leitura fascinante por entre os vários olhares, desde 1755 até à actualidade. Pinceladas que, se não fazem o retrato dos portugueses, para ele contribuem para quem o quiser pintar de outras cores. Será que “Portugal é um povo de suicidas, talvez um povo suicida.”? no dizer de Miguel de Unamuno. Norberto Manso - https://duqueli.wordpress.com/

O olhar do outro, sobre os Portugueses!

João Santos

Este livro, recorrendo a relatos de estrangeiros que passaram por Portugal, explica e contextualiza, através de uma escrita clara e eficaz vários aspetos sobre a visão que temos de nós mesmos.

SOBRE O AUTOR

Maria Filomena Mónica

Maria Filomena Mónica nasceu em Lisboa em 1943. Licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Lisboa em 1969. Doutorou-se em Sociologia pela Universidade de Oxford em 1978. A par da carreira e das atividades académicas, colaborou regularmente nos meios de comunicação social. Escreveu mais de duas dezenas de livros. Os mais recentes são Eça de Queirós (2001) (traduzido na Grã-Bretanha e nos EUA em 2006), D. Pedro V (2005), Bilhete de Identidade (2005), Cesário Verde (2007), Fontes Pereira de Melo (2009), Os Cantos (2010), A Morte (2011), A Minha Europa (2015), Os Pobres (2016), Os Ricos (2018), Nunca Dancei num Coreto (2018), O Olhar do Outro (2020), O Meu País (2020), Uma Estranha Amizade: Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão (2021), Duas Mulheres (2022), Os Livros da Minha Vida (2023), O Político e o Cientista: Sócrates e Boaventura (2023) e Viagem de Inverno (2024). Atualmente, é investigadora emérita do ICS da Universidade de Lisboa.

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