O Ninho da Cotovia
SINOPSE
Tendo como inspiração o incêndio de Pedrógão Grande, O Ninho da Cotovia é uma narrativa ficcional que decorre no interior do nosso país e confronta o leitor com a imprevisibilidade da vida e a injustiça, mas também com a força individual, a solidariedade, o humor e os segredos de cada uma das personagens.
Por falar em segredos, será que o velho josé conseguiu dar com o ninho da cotovia e matar o cuco?
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789723620689 |
| Editor: | Edições Afrontamento |
| Data de Lançamento: | junho de 2024 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 146 x 230 x 11 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 176 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789723620689 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Testemunho/homenagem merecida às vítimas do flagelo dos fogos
Susana Martins
De fácil leitura. Com linguagem cuidada. O enredo é envolvente, e pede-nos ansiosamente, mas com receio, o desfecho trágico que conhecemos. Com situações do quotidiano, tão banais e comuns, que nos transportam ao nosso dia-a-dia, transforma-nos, a nós leitores, nestas personagens da sociedade vulgar. E apela à nossa reflexão para problemas e inquietudes de gente comum. Para doenças como a demência na população envelhecida e esquecida dos interiores do país, para a defesa dos animais, para a valorização de bens materiais em detrimento do valor humano, e a tão inequívoca falta de atualização e formação de recursos de cuidados, defesa e prevenção de pessoas e florestas. A autora transporta-nos para o dia 17 junho de 2017, ligando factos inesquecíveis desse dia a histórias ficcionadas, mas que tão bem podiam ter sido resgatadas da vida real. E assim, leva-nos à conclusão que somos vítimas do acaso, que conjugadas com decisões displicentes e inócuas, num ápice nos podem liquidar. Parabéns à autora por mais um livro a desejar na nossa biblioteca.
Ninguém fica indiferente depois de o ler
Nelma Filomena Gonçalves
É uma narrativa envolvente, com vários pontos de reflexão, nomeadamente sobre a demencia, desertificação das nossas aldeias e falta de preparação de quem de direito. A escrita da autora transporta-nos para os momentos, não obstante agora aficionados, reais, do dia 17 junho, 2017. Vidas humanas, animais, bens materiais"apanhados" num verdadeiro inferno de labaredas. Os sentimentos e ações das personagens são captados com a dureza da pura realidade da nossa condição. Muitos parabéns á autora por ter colocado a nu tais questões,
Leitura para um fim de semana
Lurdes Cunha
Gostei muito do livro! Desde a apresentação dos personagens, como se abrisses janelas ... até ao suspense! Muito inspirada e muito trabalho!
Uma Teia Bem Urdida
São Costa
Com grande mestria, a autora vai-nos enredando numa história com a qual nos fundimos. Através de personagens sui generis, que nos trazem memórias vivas, de lugares que nos recordam assimetrias gritantes, somos tocados por um vasto espectro de emoções e sentimentos. A escrita, que inicialmente nos vai envolvendo de forma subtil e caricata, tocando sempre em pontos sensíveis que nos caracterizam enquanto portugueses e humanos, arrasta-nos para um turbilhão de sensações e emoções que se aglutinam e nos oprimem. Estamos agrilhoados ao cheiro, ao calor, à dor, à aflição, à angústia, à solidariedade, ao amor... Para além de uma obra de leitura obrigatória, uma verdadeira homenagem às gentes e aos lugares. Parabéns, Raquel Ramos!
A narrativa que eu esperava!
Sandra Simões da Costa
Para quem, tal como eu, nunca se conformou com o esquecimento em que caiu o grande incêndio de Pedrógão Grande, e as suas consequências na vida daquelas gentes, esta é a narrativa esperada! Raquel Ramos ousou avivar, com grande mestria, o que a maioria prefere esquecer. Mas esquecer não pode ser o caminho; as vítimas do incêndio merecem uma homenagem! Li este livro com a ânsia de chegar ao fim. Ao longo da narrativa, vão aparecendo novas personagens, com as suas histórias de vida, que se cruzam entre si e, certamente, com alguma parte da vida de cada um de nós. Apesar das suas personagens ficcionais, encontramos neste livro os lugares daquela região do Portugal profundo, tão falados nos dias seguintes àquela tarde de trevas do dia 17 de julho de 2017... Vila Facaia, Nodeirinho, Mosteiro... Ao longo desta narrativa, acompanhamos, de forma metafórica, as injustiças inerentes à Vida Humana: o cuco, que é uma ave parasita, consegue ter filhos sem ter qualquer trabalho para chocar os ovos e alimentar as crias, em detrimento das crias da ave hospedeira que, inocentes, morrem. E o final (inesperado) é, para mim, um desassossego, várias vezes aludido ao longo da narrativa! Desejo que este desassossego se espalhe e perdure, e que esta narrativa seja o rastilho para um filme - o filme que eu aguardo! Parabéns à escritora!
A humanidade posta a nu
Lúcia Barros
"Como é isto possível? - É possível porque as consciências vivem no nevoeiro". É esta citação de José Gil*, que Raquel Ramos elege para conduzir o leitor ao desfecho desta narrativa. Desfecho? Talvez não. Na verdade, esta obra oferece ao leitor a possibilidade de decidir as vidas das muitas personagens que a povoam. Uma escrita desassossegada, que combina sensibilidade e humor, em doses certas, que convoca vozes universais como Beauvoir ou Saramago, e que as mistura na mundanidade das vidas que (ainda) pulsam no interior do nosso país, convidando o leitor a olhar o mundo pelos olhos do Outro. Entre a fragilidade do cuco, que não tem culpa de ter nascido, e a valentia improvável da Ana cega, que decide parir o segredo de uma vida no dia em que esta parece querer abandonar a aldeia, em O ninho da Cotovia entrelaçam-se a bom ritmo as intimidades de personagens tão banais quanto especiais, numa urdidura que põe a nu a nossa humanidade. *Portugal hoje – o medo de existir
Absolutamente maravilhoso!!
Catarina Oliveira
É incrível como a narrativa nos empurra para o dia 17 de junho de 2017. Chegamos a sentir (quase como se lá estivéssemos) o calor desse dia de verão e inevitavelmente todos os acontecimentos que o marcaram. A vida das personagens remete-nos para uma estranha sensação de familiaridade. E a forma como os seus caminhos se interligam e como as histórias se cruzam é soberba. Adorei! Parabéns à escritora.
Um livro que se lê num sopro
António Pires
Um livro que se lê num sopro. Começa por levar o leitor a conhecer pessoas e lugares e a prepará-lo para o drama que se aproxima. Narrativa que nos leva a conhecer um Portugal profundo, abandonado e onde a esperança não existe. Personagens ficcionadas, mas bem representativas de um Portugal desorganizado e nada preparado para enfrentar situações limite como esta: o incêndio de Pedrógão Grande. Personagens que vivem mais do passado, onde foram felizes, do que do presente que não lhes prepara um futuro risonho. Deparamo-nos com uma escrita esculpida da realidade, próxima de um povo que detém um conjunto de palavras e expressões identificadoras de uma determinada região. Trespassa na obra “O Ninho da Cotovia”, um conjunto de temas muito portugueses: a desertificação do interior, o abandono da família, o excesso de eucaliptos, o álcool como refúgio, a guerra colonial, a falta de planificação, os segredos familiares, entre outros. Em suma, uma leitura a não perder, que leva o leitor a vivenciar um momento triste da nossa existência, enquanto portugueses. A autora consegue levar o leitor a viver de perto as angústias da Teresa, do velho José, da Sãozinha, do Manel Tolo, da Ana e de muito outros. Na minha opinião, o ninho da cotovia é uma metáfora daqueles que se metem na vida dos outros, tal como o cuco ocupou o ninho da cotovia, e há aqueles, tal como o velho José, que procuram alterar as coisas, todavia acabam por desistir e acomodar-se "- o filho do cuco não tem culpa. Se apanho o pai, fornico-o".
Para ler de um só fôlego!
Cláudia Santos
Li este livro de um só fôlego, num turbilhão de sentimentos e emoções. Leio muito e há muito tempo que não me emocionava tanto com um livro! Não só porque não consegui (ninguém conseguiu ainda) esquecer Pedrógão Grande, mas também porque está neste livro a essência do que é ser português… e do que é ser humano. Os lugares são reais. Pedrógão Grande e os incêndios também. As personagens, embora ficcionais, moram em todos nós, com as suas angústias, os seus sonhos e as mais profundas inquietações. Podia falar-vos da Sãozinha, da Teresa e do Gustav, da velha Ana e do velho José… mas vou deixar-vos a descoberta dos segredos e das pulsões que os tornam tão reais. As personagens deste livro pertencem a qualquer lugar, estão no passado e também no presente. É através delas que Raquel Ramos, com extraordinária sensibilidade e clarividência, nos faz refletir sobre a amizade, o amor, a solidariedade e a ânsia de um futuro melhor. E que história contar quando pensamos em Pedrógão senão uma história de amor e de solidariedade? Profundamente emocionante, “O Ninho da Cotovia” é uma história de abandono, mas também de superação. É também a história de um país que, por vezes, tarda em dar reposta às necessidades das pessoas; a história de um povo que deseja que Portugal se cumpra na sua grandiosidade.
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