O Meu Pé de Laranja Lima
SINOPSE
Tendo aprendido demasiado cedo a dor e a tristeza, Zezé acaba por usar o mundo da sua imaginação para fugir da realidade da vida: toma por confidente um pé de laranja lima, a que chama Xururuca e ao qual revela os seus sonhos e desejos. Será nesta fantasia que Zezé vai encontrar a alegria de viver e a força para vencer as suas adversidades. O Meu Pé de Laranja Lima é a obra maior de José Mauro de Vasconcelos, um dos grandes nomes da literatura brasileira. Um livro que urge descobrir, ou reencontrar, e que é aclamado como um dos mais importantes livros juvenis em língua portuguesa.
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Mortes emblemáticas em livros
É engraçado como a literatura inventa a vida: não é preciso que alguém nasça para que a sua morte tenha impacto. Volta e meia, a morte de uma personagem aparece como um vendaval.
Santiago Nasar – Crónica de uma morte anunciada
É ficção, mas não é bem ficção, uma vez que García Márquez, ao invés de beber da vida, foi mesmo roubar a vida. O que aqui se conta – uma morte com aviso prévio – já tinha acontecido numa aldeia colombiana. Logo à cabeça, já sabemos que Santiago Nasar vai morrer, e isto é dito na primeira frase. O homem terá rejeitado uma mulher na noite de núpcias, ou pelo menos houve uma denúncia que fez com que os irmãos quisessem vingar-lhe a honra. Deu-se o anúncio do crime. Ninguém mexeu um dedo para o impedir. Ao invés de, aqui, querer colar as pistas, o narrador explora a história a ver se alguém entende que raio levou uma população inteira a deixar-se estar impávida, sem querer salvar o homem, sem se dar ao trabalho de um aviso.
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Portuga – O meu pé de laranja lima
Permitam-me chamar Portuga a Manuel Valadares. Também Zezé lho chamou, e eu fui Zezé durante 208 páginas. Quando o Portuga morreu, o miúdo sofreu o que não sabia ser possível sofrer – a morte como o amor arrancado, o fim da única ternura que tinha conhecido, da única garantia de bondade. É que um rapaz nasce no seio de uma família violenta, vive ali às portas da negligência, qualquer tropelia sua é paga com pancada – e depois chega-lhe uma cara que lhe vai dar outra coisa, outra vida. O contraste foi tal que Zezé até quis ser adotado. A morte do Portuga, às mãos de um comboio, soube à maior das crueldades – e crueldade maior é saber que José Mauro de Vaconcelos a foi roubar à vida. Roubou-a à sua vida, e à do Portuga que perdera em criança.
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Romeu e Julieta
Sempre que alguém dá este exemplo como uma boa história de amor, pergunto-me se alguma vez pegou em Shakespeare. Minto, não pergunto nada – sei que não. Quem leu Romeu e Julieta sabe que não há nada ali que valha a pena querer transportar para a vida. Não só o amor foi literalmente sol de pouca dura, ainda que tenha sido até que a morte separou aqueles dois, como o rápido fogo-fátuo levou às duas mortes mais escusadas da literatura inteira. Estes dois adolescentes não podiam ter sido menos dramáticos? Um não podia ter mesmo visto se o outro estava morto antes de se suicidar? O outro, acordando e vendo o seu amorzinho falecido, não podia ter feito outra coisa senão suicidar-se também? Esta gente enlouqueceu toda e ninguém chama o INEM? Eu sei que isto na juventude tem tudo mais intensidade, mas... vamos... com... mais... calma.
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Severus Snape – Harry Potter e os Talismãs da Morte
Esta ainda me custa a engolir porque, depois de tudo sabido sobre Snape, a morte roubou-nos o capítulo impossível. Depois de Snape ter fechado os olhos, e depois de Harry ter sabido quem era, afinal, aquele homem que odiara até ao último segundo, os pobres leitores, os leitores desgraçados, os leitores injustiçados – enfim, gente como eu –, limitaram-se ao triste consolo da cogitação. O que seria, naquele momento, uma conversa entre os dois? Harry odiou o homem durante anos e, depois da morte, deu o seu nome a um filho, considerando-o um dos homens mais corajosos que alguma vez conhecera. Severus Snape foi, na saga, cinzentismo puro – e aquela morte macaca soube a escuridão.
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Livros que me fizeram chorar
Há livros que nos comovem pela história que contam, e há outros que nos tocam por um movimento mais difícil de explicar. Pode ser uma frase que encontra em nós uma antiga fragilidade ou uma voz que parece nomear aquilo que nunca soubemos dizer. Chorar a ler, muitas vezes, é uma resposta à ternura, à injustiça, à perda, à consciência súbita de que ser humano é habitar um corpo vulnerável ou um tempo breve.
Os livros que verdadeiramente me fizeram chorar não são necessariamente os mais trágicos, nem os mais violentos. São, quase sempre, os que me desarmam. Aqueles que se aproximam sem ruído do que é mais íntimo: a infância, a fome, a velhice, o luto. O Meu Pé de Laranja Lima, Quarto de Despejo, A Máquina de Fazer Espanhóis e Tudo na Natureza Apenas Continua pertencem a mundos muito diferentes, mas partilham o facto de, em momentos diferentes, me terem feito chorar.
O que os aproxima é a dignidade com que olham para aquilo que costuma ser desviado do campo de visão: a infância ferida, a pobreza extrema, a velhice desamparada, o luto sem remédio. Todos eles recusam o sentimentalismo fácil. Fazem-nos chorar não porque manipulem as emoções, mas porque nos obrigam a permanecer diante do que é humano quando já não há ornamento possível.
O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos
Poucos livros conseguem falar da infância sem a idealizar. O Meu Pé de Laranja Lima é um desses raros casos em que a infância aparece ao mesmo tempo como lugar de imaginação e de ferida. Zezé é uma criança luminosa, inventiva, excessiva, e talvez por isso mesmo tão vulnerável. Vê o mundo com uma abertura absoluta, sem os filtros que mais tarde aprendemos a construir para sobreviver. É precisamente essa abertura que torna o romance tão comovente. Li-o muito nova, e como tanta gente, chorei bastante com a leitura. Pelo sofrimento de uma criança e a dureza das circunstâncias em que vive, mas também pela desproporção entre a delicadeza interior de Zezé e a rudeza do mundo que o cerca. É quase intolerável a forma como a ternura, quando surge, parecer sempre demasiado breve, demasiado frágil. José Mauro de Vasconcelos escreve com uma simplicidade aparente. Por baixo da leveza, há uma compreensão profunda da solidão infantil, dessa experiência de sentir muito e não ter ainda linguagem suficiente para defender o que se sente. É um livro que faz chorar porque nos devolve a parte de nós que um dia precisou de amor e não soube pedi-lo.
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Tudo na Natureza apenas continua, de Yiyun Li
Há livros de luto que procuram uma forma de consolo, uma espécie de reconciliação final com a dor. Tudo na Natureza Apenas Continua não pertence a essa tradição. Yiyun Li escreve a partir da perda dos filhos e fá-lo sem ceder à tentação de transformar o sofrimento em lição, em exemplo ou transcendência. Esse gesto de recusa é, talvez, o que torna o livro tão raro e tão perturbador. Em vez de nos oferecer uma narrativa redentora, a autora permanece junto daquilo que o luto tem de mais irredutível. A interrupção, o absurdo, a impossibilidade de substituir uma presença perdida por qualquer ideia reconfortante.
O próprio título contém uma violência silenciosa. Tudo na natureza continua: o tempo, as estações, a luz, os gestos banais do mundo. Mas essa continuidade, pode tornar-se insuportável para quem vive a experiência de uma ausência definitiva. O livro faz chorar porque recusa mentir e porque pensa a dor sem a adornar. Porque mostra que há sofrimentos que não se resolvem, apenas se incorporam numa existência que prossegue sem realmente recuperar forma. Há uma sobriedade extraordinária nesta escrita, e essa sobriedade tem mais força do que qualquer dramatização. É um livro que não nos arranca lágrimas de maneira imediata; antes se instala em nós, devagar.
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A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe
Este é um romance sobre a velhice, mas reduzir-lhe o alcance seria injusto. A Máquina de Fazer Espanhóis é, antes de mais, um livro sobre aquilo que resta quando a vida começa a retirar-nos as suas grandes estruturas de sentido: o amor, a casa, a autonomia, a identidade social, a ilusão de permanência. A partir da entrada de António Silva num lar, Valter Hugo Mãe constrói uma meditação dolorosa sobre a perda, a decrepitude e a solidão, mas fá-lo com uma linguagem de tal forma delicada que o sofrimento nunca se torna opaco. Pelo contrário, torna-se ainda mais nítido.
O que me fez chorar neste livro foi a forma como ele olha para os velhos sem os transformar em símbolo nem em caricatura. Há uma enorme compaixão nestas páginas, mas uma compaixão exigente, que não embeleza o desgaste do corpo nem suaviza a humilhação da dependência. Ao mesmo tempo, o romance recusa a ideia de que a velhice seja apenas declínio; mostra também a persistência do desejo, da memória, da ironia, da necessidade de vínculo. Há momentos de uma doçura inesperada, e talvez seja isso que torna o livro ainda mais devastador. No meio da ruína, continua a haver humanidade. Chorei pela consciência de que envelhecer é ir ficando exposto, mas também pela beleza com que o romance insiste em reconhecer essa exposição como digna de ser vista.
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Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus
Se o choro provocado por alguns livros nasce da identificação íntima, em Quarto de Despejo nasce também do embate com a realidade. O diário de Carolina Maria de Jesus não tem o desenho reconfortante da ficção, nem a distância que por vezes nos permite ler a dor com alguma proteção. Aqui tudo é imediato. A fome, o lixo, a fadiga, a humilhação, o esforço contínuo de manter os filhos vivos e a dignidade intacta. O efeito do livro reside precisamente na sua lucidez seca, na economia de uma escrita que regista o intolerável como parte do quotidiano.
É um livro que faz chorar de um modo diferente, sobretudo pela vergonha e pela impotência. Carolina Maria de Jesus escreve a partir de um lugar que tantas vezes foi apagado ou reduzido a estatística, e essa escrita restitui rosto, voz e pensamento a uma vida que a sociedade preferiria não ver. Há, no entanto, algo ainda mais impressionante do que a denúncia social: a inteligência moral da autora, a sua consciência aguda das estruturas que produzem miséria e exclusão, sem nunca perder a singularidade da sua experiência. Chora-se em Quarto de Despejo, porque a literatura é prova de resistência. E porque há poucas coisas mais comoventes do que ver alguém escrever contra o desaparecimento.
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DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789898491886 |
| Editor: | Fábula |
| Data de Lançamento: | maio de 2015 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 130 x 200 x 16 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 208 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Obras de José Mauro de Vasconcelos |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Infantis e Juvenis
>
Literatura Juvenil
|
| EAN: | 9789898491886 |
| Idade Mínima Recomendada: | Maiores de 11 |
OPINIÃO DOS LEITORES
É um aconchego...
Mónica Canhoto
Um dos meus livros preferidos! E leio muitos! Li-o várias vezes, a primeira delas aos 13 ou 14 anos! Chorei... Voltei a lê-lo aos 18 ou 19. Chorei novamente. Na casa dos 20 li-o mais do que uma vez e as lágrimas voltaram a cair. Agora depois dos 50, não foi diferente! Este livro é um aconchego. A história de Zezé, um miúdo brasileiro duma família muito pobre, que leva porrada dos mais velhos e toma conta do irmão mais novo. Tem um pé de laranja lima no quintal que com uma fantástica imaginação o leva por mundos mágicos. Conhece um português, por quem ganha grande afeição e o amor do Zézé pelo Portuga é enternecedor. Claro que não corre sempre tudo bem e aí está a beleza desta história.
Emocionante
Jeniffer Fernandes
Um livro que te traz emoções muito impactantes, como a ternura e a tristeza e te faz refletir sobre a vida
Emocionante
Emanuele Rodrigues
Recomendo a todos lerem esse livro, a todas as idades
Uma lição sobre a ternura!
Cátia Pereira
Obrigatório ler independentemente da idade...
Lindo
Maria
Simples, claro, de uma mensagem sempre actual! Não deixa ninguém indiferente! Aconselho vivamente!
Recomendo
Luís Gonçalves
À boleia da minha filha, que está no 9º ano, aproveitei para ler esta obra de José Mauro de Vasconcelos. Apesar de ser um clássico Juvenil escrito em 1968 ainda hoje reflete as vivências de muitas crianças espalhadas por esse mundo fora.
Ler para ... sempre!
Paulo J. M. da CUNHA
Livro de fácil leitura, SEMPRE actual e que TODOS deveriam, pelo menos, uma vez na vida. Além de ser útil e de acesso obrigatório em virtude do plano nacional de leitura para o ensino secundário, eu como pai também o li (2x)!!!
Um clássico
JP
É um livro de fácil leitura, ajustado a todas as idades. Com uma escrita simples e direta, a história justifica que este seja um dos grandes classicos da literatura brasileira.
Recomendo
CecíliaGomes
Livro muito bom...
Um clássico para todas as idades
Ana Fonseca
Porventura a obra mais conhecida de José Mauro de Vasconcelos, O Meu Pé de Laranja Lima é o relato pungente das dores de crescimento do pequeno Zezé , num Brasil rural onde podemos reconhecer as marcas intemporais da pobreza e do abandono. Sendo uma história marcada pela solidão e pela carência, ganham relevo sobretudo os valores da solidariedade e da empatia - a capacidade de amar, sobretudo os mais fracos e os que nada têm, ilumina o texto e confere-lhe uma profunda sensibilidade. Embora dedicado aos mais jovens, a sua leitura é para todas as idades, pois a mensagem humanista da narrativa não se esgota num didactismo estrito.
Um livro marcante
Elisabete Pereira
Li este livro com 9 ou 10 anos, numas férias em que não tinha muito com que me entreter. Desde aí, já o reli inúmeras vezes, sempre com emoção à flor da pele, como se o lesse pela 1ª vez. Já o ofereci como presente de aniversário a muitos amigos, na esperança de que, tal como eu, se revejam no Zezé e relativizem os seus problemas do dia-a-dia, que parecem imensos, mas quando comparados com o de Zezé, são ninharias. Recomendo vivamente a sua leitura: genuíno, simples, cheio de ternura. Uma vez começado, não se consegue parar de o ler.
O Meu Pé de Laranja Lima
Sónia Graça
Zezé é um menino inteligente e doce, que nos mostra, com 6 anos de idade, o que é nascer no meio de uma família muito pobre, onde o pai perdeu o emprego e a mãe se matava a trabalhar. Criado pelas irmãs Jandira de quem apanhava grandes surras pelas travessuras que fazia, e Godóia, a única que lhe dava carinho, Zezé cria amizade com um pé de laranja lima que se torna seu confidente e conselheiro. Sem direito a brinquedos, a sua imaginação leva-o a fazer diabruras inocentes mas que acaba por pagar por elas e descobre a amizade com o seu inimigo, o Portuga. Um livro simples mas poderoso, que mostra a sensibilidade e a dor nos olhos de Zezé.
Opinião
Fernanda Carvalho
Leitura obrigatória para o meu filho que está no 9º ano e que passou de obrigação a prazer. Gostou imenso! Também achei que a capa está um mimo e muito cativante para os miúdos.