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O Meu Pai Voava

de Tânia Ganho
Livro eBook
Editor: Dom Quixote, julho de 2024 ‧
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Não sei para quem escrevo estas palavras.
Para ele, talvez.
Desde que morreu, escrevo sem parar.
Escrevo para recuperar o fulgor com que ele viveu.
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De repente, o luto

A consciência do fim é algo que, por muito que achemos que estamos preparados para a enfrentar, a nossa condição de humanos não nos deixa nunca encarar de ânimo leve. Depois do fim, o luto é um lugar a que chegamos sem contar.
  O meu pai voava Há uma verdade muito íntima com que Tânia Ganho nos fala do período de luto pela morte do seu pai. Ninguém nos diz que vai ser assim, e por isso a ideia de que cada processo de luto é inigualável. A autora vai-nos contando cenas da sua vida ao lado de um pai muito presente, e a mácula que deixa essa ausência. Embora idoso e já num processo demencial avançado, a verdade é que nada disso interessa perante a ideia do desaparecimento, sempre súbito, sempre abrindo portas a uma divisão da casa que não conhecíamos. O livro, que se lê como uma respiração profunda, mostra-nos momentos de grande comoção e outros que conseguem ser divertidos, quando nos conta alguns aspetos do feitio do seu pai. No fim, a filha, a “menina do papá”, um retrato de uma beleza incrível sobre um momento triste, o tempo mais triste de todos. COMPRO NA WOOK! » O ano do pensamento mágico Joan Didion perdeu o marido, John, de forma súbita, devido a um enfarte, num período da vida em que a sua filha estava nos cuidados intensivos de um hospital, por causa de uma pneumonia severa. Encontramos aqui o testemunho de Joan, passado um ano, sobre a vivência desse ano trágico, onde o chão de repente lhe faltou. Fala-nos de uma forma sensível, ainda que por vezes quase científica, sobre o que é o luto, a perda inesperada, e como lidou com ela. De um primeiro momento de incredulidade, em que guardou os sapatos do marido para o caso de ele voltar, a ter de dizer à filha doente que o pai partira, até breves momentos de superação, ou aceitação. Fala-nos do período de luto como uma patologia que ninguém parece valorizar como tal, dizendo-nos que temos de passar por isso, que não podemos camuflar a dor. Apenas passado um ano começa a leve sombra da mudança a fazer-se sentir. COMPRO NA WOOK! » Notas sobre o luto O pai de Chimamanda era um notável académico nigeriano, que faleceu subitamente em 2020, esse estranho ano que nos parece já longínquo. A sua filha presta-lhe uma homenagem neste curto livro, falando em celebrar de forma bela uma vida que foi ela também vivida com grande beleza e que por isso merece ser recordada dessa mesma maneira. Contudo, o seu desaparecimento teve um impacto brutal em Chimamanda, que atravessou momentos de grande dor, sobretudo tendo em conta que os últimos tempos foram vividos em pandemia, quando nem sempre era possível a sua presença e dos netos junto do avô. Além da sensibilidade com que está escrito, Notas Sobre o Luto é de uma universalidade incrível, falando-nos ao coração e tornando-nos a nós, também, filhos daquele pai. COMPRO NA WOOK! » A ridícula ideia de nunca mais te ver O sentimento é precisamente esse, durante os primeiros tempos após a notícia da morte de alguém próximo: é ridículo. A vida que estava planeada, organizada, tendo em conta a presença de alguém, de repente muda. Projetos que se desfazem, sonhos… ou apenas as ações do dia a dia que perdem o seu significado. Rosa Montero leu o diário de Marie Curie, que falava sobre a forma como viveu o luto pelo seu marido, e identificou-se com esse relato. Também Rosa perdera o seu companheiro, após lutar em vão contra o cancro. A autora habituou-nos já a leituras vertiginosas, quase delirantes, e este livro não é exceção, não obstante tratar de um tema tão delicado. As consequências dessa perda na vida de Rosa Montero são inúmeras e são-nos contadas com toda a liberdade, mesmo que nisso haja muita dor. Uma dor quase indizível. COMPRO NA WOOK! » Cão como Nós Quando a morte próxima é a de um animal de estimação, à dor da perda junta-se o receio em admiti-la com toda a sua voracidade, receosos de que não nos entendam, de que achem que estamos a sobrevalorizar. Afinal, um cão não é uma pessoa e, mesmo ainda hoje, há quem ache que apenas entre humanos está autorizada a dor do luto. Nada mais errado. E que o diga Manuel Alegre, que a princípio não era muito apologista de um patudo lá em casa, mas de quem, depois, se tornou melhor amigo. Neste livro, Alegre dirige-se-lhe após a sua morte, mostrando um sentimento real, inequívoco. Um vazio que preenche com retratos familiares, com alguns momentos autobiográficos, com um entendimento tal com o seu amigo canino que o leva a crer que estão bem próximos. Se era ele um cão como nós, ou se deve cada um de nós ser mais cão como ele, é uma reflexão que fica muito além de o livro terminar. COMPRO NA WOOK! »

O Meu Pai Voava

de Tânia Ganho

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722083263
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: julho de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 123 x 182 x 21 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 192
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Memórias e Testemunhos
EAN: 9789722083263

Comovente

Raquel Coelho

Um pequeno livro que se lê num ápice. Um grande livro cheio de emoção. O refazer do que somos quando alguém que amamos morre. Belíssimo!

Comovente

Raquel Coelho

Uma conversa interna que tem como mote a morte do pai da autora. Simplesmente belo!

O meu pai herói… para sempre :)

Mari Gio

Um livro que nos descreve as emoções vividas num processo de luto… Tânia Ganho recorda as boas memórias tidas com o seu pai e ganha mais consciência dos momentos felizes vividos com a família… «Quando o meu pai perdeu a memória, as palavras foram morrendo até restar o silêncio, até deixar de sonhar com os olhos»… E nós? Que recordações deixamos aos nossos mais próximos? Uns têm uma morte súbita… outros lenta… Parece que nunca estaremos prontos para a receber… «Deixa-me ir… não faças nada… deixa-me ir»…

Lindo!

Patrícia

Tanto, tanto amor neste pequeno livro. ¿¿ Uma homenagem tão profunda, tão bonita e, seguramente, tão dolorosa. Quem ama, admira. Quem ama, sofre. Especialmente quando alguém voa para outra dimensão. Mas que bom que esse amor e admiração voaram para estas páginas. Quem escreve assim, deve escrever sempre. Recomendo imenso a leitura deste livro.

O MEU PAI....

Márcia Pereira

O MEU PAI criava luz, não podemos dizer que era um senhor muito dado ao conhecimento e à leitura. Ele gostava de andar na sua mota, ver o seu Benfica e tirar a sua sesta ao sol. Queria ouvir as suas músicas do Rui Veloso e estar sozinho. Aproveitava o carro da minha mãe para ouvir as cassetes, carro que nunca teve coragem de conduzir. O meu pai dava me colo e deixava me ficar com a cabeça enterrada no seu pescoço durante horas. O meu pai comprava o silêncio dos meus irmãos e o meu com gelados e batatas fritas. O meu pai não gostava de dormir comigo. O meu pai tinha bigode e tomava banho com sabão rosa. O meu pai morreu quando eu tinha oito anos. O meu pai guardava os melhores morangos para mim. O meu pai morreu tentando trazer a luz às pessoas. O meu pai morreu depois de se despedir de mim. O meu pai amava-me. Eu era a luz dos olhos dele. OBRIGADO Tânia por este livro ¿¿¿

Grande pequeno livro

Neuza

Que grande livro, apesar do seu pequeno tamanho. Depois de ler três páginas já estava absolutamente rendida à escrita da Tânia Ganho (mais uma vez). É uma partilha crua e a céu aberto de um dos momentos mais pessoais pelo qual podemos passar, o luto. Senti como se tivesse ido ao velório do Dr. Edmiro e me tivesse rido e comovido com todas as histórias que fui ouvindo.

Um testemunho de amor

Mireille Amaral

Um pequeno grande livro!

Tocante com toques de Joan Didion

Tiago Bento

É uma curta história íntima sobre relações familiares e perdas, abordando a complexidade emocional de se lidar com um pai que está a perder a memória, que infelizmente é um flagelo que muitos nós passamos. O livro traz uma narrativa envolvente, mas também melancólica, ao retratar a luta da Tânia para cuidar do pai, enquanto revisita a sua própria infância e as memórias que compartilham. O que mais me tocou no livro foi a forma como a Tânia constrói os sentimentos conflitantes da filha entre o amor, a frustração e o luto antecipado, algo que muitos podem relacionar em situações semelhantes. A escrita é sensível e poética, com um olhar profundo sobre o envelhecimento, a perda e a fragilidade das relações humanas.

Uma pequena obra prima

TeresaC

Sem querer (mas querendo) peguei-lhe assim só para o folhear e apreciar por alto, e não consegui parar. Foi duro. Foi um voltar a submergir, como refere a autora, quando ainda nem consegui voltar totalmente à superfície. Identifiquei-me com tanto do que lá está escrito que chega a ser assustador, parecendo que o livro me fala olhos nos olhos. É incrível o que um livro nos traz, o que dele colhemos, a forma como nos obriga a libertar as emoções e a compreender alguns sentimentos, como nos faz ver que não estamos sozinhos, que mais alguém pensa e sente de forma idêntica à nossa. Este livro sensibilizou-me muito. Deixou-me uma bola gigante à entrada do estômago, e agradeço à Tânia Ganho pela sua força e coragem, por ter escrito este livro, este documento maravilhosamente bem escrito que não é apenas dor, mas sobretudo amor, dedicação, gratidão e memórias boas. Uma bonita e sentida homenagem, um carpir. Enterneceu-me não só o que escreveu sobre o seu pai, como também sobre a cumplicidade com o seu filho, sobre o seu cuidado face ao seu legado emocional.

Especial este livro

Ler, um prazer adquirido

Conheci a Tânia através dos livros. Os livros que traduziu e os que escreveu. Alguém que se admira à distância. E que se deseja conhecer pessoalmente, apenas por sentir uma inexplicável empatia. Talvez nada inexplicável. A linguagem aproxima. E este livro, transportou-me para um passado com algumas memórias afetivas comuns. O pai. O meu pai era um acelerado despistado muito inteligente. Um faz tudo, electricista de automóveis de profissão que, não pode estudar e era a maior mágoa da sua vida. Ateu. O que temia era envelhecer ou adoecer. A simplicidade de amar. Esta é para mim a linguagem comum, resultante daquele modelo de ser e estar que tinha tanto de rigoroso como de livre. Chorei no comboio enquanto o lia. Eu que raramente choro. E não serei a única pessoa a ler este livro e a sentir tanto. Tanto passado. Não o senti como triste ainda que me tenha feito chorar. Terno, talvez. Visceral. Saudade é uma palavra com muito sentido neste tributo de uma filha a um pai. Especial este livro. E que obrigatoriamente se lê sem parar. Eu li.

SOBRE O AUTOR

Tânia Ganho

Tânia Ganho nasceu em 1973, em Coimbra. Dedica-se à tradução literária há mais de vinte anos, tendo traduzido autores como Amor Towles, Annie Ernaux, Chimamanda Adichie, Elizabeth Strout, Hervé Le Tellier, Leila Slimani, Maya Angelou, Siri Hustvedt, Toni Morrison e Yukio Mishima, entre muitos outros. É autora do romance Apneia. O Meu Pai Voava é o seu primeiro livro de memórias.

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