O Meu Amante de Domingo

de Alexandra Lucas Coelho
Editor: Tinta da China, novembro de 2014 ‧
Uma mulher está decidida a matar um homem, entre a sua casa no Alentejo e as idas a Lisboa, ao domingo. Durante um mês, entre 16 de Junho e 16 de Julho de 2014, acompanhamos os planos de tortura, o livro que ela decide escrever e os vários cúmplices: amantes, amigos, vivos e mortos. O alvo da vingança é um caubói, mais frequentemente nomeado como cabrão ou filho da puta, porque ela é uma tripeira do Canidelo.

«Eu e o mecânico: onças numa clareira, passos em volta, pêlo hirto. Ou o ar dentro de um balão. Há que chegar ao ponto em que o corpo estoura no ar.
Ofereci-lhe um café, sentámo-nos na varanda. Ele contou que vai à o)cina domingo de manhã porque a mulher trabalha numa igreja, só volta às duas, deixa o almocinho feito. Têm uma boa vida, moram numa urbanização na Bobadela, ela é uma santa e gosta de sexo. Com a mãe do )lho também se entende bem mas ela mora na Coina porque faz tortas de Azeitão, dálhe mais jeito. E por aí fora até aos castanheiros do avô no Rebordelo. Onde )ca isso?, perguntei. Em Trás-os- Montes, respondeu. Ah, adoro Trás-os-Montes, disse eu, no tom daquelas pessoas que dizem que adoram Fernando Pessoa. (…)
Por cada pergunta um buraco, por cada buraco cem perguntas, estou habituada. Claro que quanto menos soubermos menos pensamos, e neste caso tratava-se de não pensar nada, mas esse é o ponto em que o corpo faz tudo, e eu ainda não tinha chegado lá. Aliás, a certa altura comecei a andar para trás, duas, quatro, oito vezes mais rápido do que o )lme andara para a frente. Eu tinha mesmo engatado o mecânico que arranjara o meu carro, ex-marido de uma pasteleira da Coina, agora casado com uma santa? Tinha mesmo comprado uma caixa de 12 (doze) preservativos para foder com ele? Íamos mesmo para a cama, e antes das duas da tarde?»

O Meu Amante de Domingo

de Alexandra Lucas Coelho

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896712372
Editor: Tinta da China
Data de Lançamento: novembro de 2014
Idioma: Português
Dimensões: 145 x 198 x 16 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 184
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896712372

Uma narradora antropofágica

Jorge V Valentim

Um dos trabalhos mais emblemáticos de Alexandra Lucas Coelho. Com uma arquitetura narrativa muito bem urdida, a narradora vai antropofagicamente digerindo cada um dos seus eventuais amantes, até o momento em que se depara com o "mecânico", que acabará por desencadear a expurgação do "caubói", o amante anterior que a traiu, roubando-lhe a privacidade. Caetano Veloso, Nelson Rodrigues, Shakespeare e Machado de Assis são alguns dos intertextos devorados pela narradora que os vai entretecendo em cada uma das etapas das suas aventuras amorosas, culminando com a escrita de um romance homônimo. Se os palavrões incomodam os mais conservadores, a própria narradora adverte "Todo palavrão tem arte". E, com essa arte, vai tecendo de forma despudorada e despojada a sua forma de viver a sua vida em plena liberdade e autonomia. Seu corpo, suas regras. Afinal, como bem nos ensina Jorge de Sena, "o sexo não é uma vergonha, nem pode ser um pecado" (Dialécticas teóricas da literatura, 1977, p. 279). Que assim entendamos. Leitura absolutamente necessária nos dias atuais.

a banalidade das frases curtas

Paulo André

Como é que um livro cuja escrita é a banalidade no seu estado puro consegue atrair muito público? Eis a questão que se deve formular sobre este livro. Quer a conceptualização da história, quer a coerência narrativa, quer ainda a linguagem são, neste livro, um exemplo claro do que os jovens escritores devem evitar. Se pretendeis ser escritores, não pegueis neste livro. Como não se pode dar menos de uma estrela, fica aqui a opinião que é abaixo de zero.

o livro é um chorrilho de calão e de lugares-comuns

Romeu Pereira

Se pretende ler um bom livro, este é certamente o livro que deve evitar. Apesar das boas críticas da crítica (vá-se lá saber porquê - ou daí até se sabe, não fosse a autora jornalista), e de ter recebido o prémio APE (como foi possível?), o livro é um chorrilho de calão e de lugares-comuns, ao estilo Margarida Rebelo Pinto. Dir-se-ia que Alexandra Lucas Coelho está para a primeira metade do século XXI o que a Margarida Rebelo Pinto esteve para a última década do século passado.

Amante e Alexandra

Paula Tavares

Quando escreve Alexandra entranha-se. Nesta narrativa estranha-se e depois adora-se e colamo-nos à personagem fantástica que ela conseguiu construir. Mais uma belíssima surpresa, obrigado Alexandra.

O Meu Amante de Domingo

Susana Rodrigues

Alexandra Lucas Coelho escreve belissimamente bem, de uma forma crua e clara que transmite o âmago das personagens, tendo a capacidade de nos enredar na história e querer devorá-la num só trago.

HUMOR ACUTILANTE

Luísa Barreta

Muito bem escrito. Humor acutilante. Comovente e ao mesmo tempo quase pornográfico mas muito intelectual e cultural.

Um livro do nosso tempo

FGL

Um livro escrito com uma fluidez e um ritmo que acompanha muitíssimo bem a contemporaneidade da nossa sociedade.

O Meu Amante de Domingo

Ana Paula David

É um livro muito sagaz, muito "rápido" na escrita e com um sentido crítico muito próprio. Leitura diferente, que faz com que queiramos, sem nos dar conta, acabar o livro com rapidez.

Literatura de domingo

Rui Faustino

Se for imune à linguagem brejeira e conseguir ignorar o manancial de referências a autores brasileiros, este livro será o ideal para qualquer pessoa que procura um amante de domingo.

O meu amante de Domingo

Leonor

Diria que Alexandra Lucas Coelho escreveu este livro de um fôlego, com todas as ganas. O livro tem ritmo e um sentido de humor acutilante. A Autora escreve maravilhosamente e tem acervo suficiente para carrear a história. É pena o recurso que creio excessivo da linguagem vulgar que, muito embora não vulgarize a história, torna-se, a dada altura, cansativa. Faltou-lhe esse equilibrio.

SOBRE O AUTOR

Alexandra Lucas Coelho

Alexandra Lucas Coelho publicou 15 livros. Trabalhou como jornalista desde o fim dos anos 1980, na rádio e no Público, onde foi repórter, editora de suplementos literários, coeditora de cultura e correspondente no Rio de Janeiro e em Jerusalém. Foram-lhe atribuídos vários prémios de jornalismo e literatura (Gazeta, APE, Oceanos). Cinco dos seus livros passam-se no Médio Oriente, região que acompanha desde 2002, entre eles o presente volume, agora reeditado pela primeira vez, 15 anos depois dos acontecimentos na Praça Tahrir.

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