SINOPSE
EXCERTOS
«Eu e o mecânico: onças numa clareira, passos em volta,
pêlo hirto. Ou o ar dentro de um balão. Há que chegar
ao ponto em que o corpo estoura no ar.
Ofereci-lhe um café, sentámo-nos na varanda. Ele
contou que vai à o)cina domingo de manhã porque a
mulher trabalha numa igreja, só volta às duas, deixa
o almocinho feito. Têm uma boa vida, moram numa
urbanização na Bobadela, ela é uma santa e gosta de
sexo. Com a mãe do )lho também se entende bem mas
ela mora na Coina porque faz tortas de Azeitão, dálhe
mais jeito. E por aí fora até aos castanheiros do avô
no Rebordelo. Onde )ca isso?, perguntei. Em Trás-os-
Montes, respondeu. Ah, adoro Trás-os-Montes, disse
eu, no tom daquelas pessoas que dizem que adoram
Fernando Pessoa. (…)
Por cada pergunta um buraco, por cada buraco cem
perguntas, estou habituada. Claro que quanto menos
soubermos menos pensamos, e neste caso tratava-se de
não pensar nada, mas esse é o ponto em que o corpo
faz tudo, e eu ainda não tinha chegado lá. Aliás, a certa
altura comecei a andar para trás, duas, quatro, oito vezes
mais rápido do que o )lme andara para a frente. Eu
tinha mesmo engatado o mecânico que arranjara o meu
carro, ex-marido de uma pasteleira da Coina, agora casado
com uma santa? Tinha mesmo comprado uma
caixa de 12 (doze) preservativos para foder com ele?
Íamos mesmo para a cama, e antes das duas da tarde?»
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789896712372 |
| Editor: | Tinta da China |
| Data de Lançamento: | novembro de 2014 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 145 x 198 x 16 mm |
| Encadernação: | Capa dura |
| Páginas: | 184 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789896712372 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Uma narradora antropofágica
Jorge V Valentim
Um dos trabalhos mais emblemáticos de Alexandra Lucas Coelho. Com uma arquitetura narrativa muito bem urdida, a narradora vai antropofagicamente digerindo cada um dos seus eventuais amantes, até o momento em que se depara com o "mecânico", que acabará por desencadear a expurgação do "caubói", o amante anterior que a traiu, roubando-lhe a privacidade. Caetano Veloso, Nelson Rodrigues, Shakespeare e Machado de Assis são alguns dos intertextos devorados pela narradora que os vai entretecendo em cada uma das etapas das suas aventuras amorosas, culminando com a escrita de um romance homônimo. Se os palavrões incomodam os mais conservadores, a própria narradora adverte "Todo palavrão tem arte". E, com essa arte, vai tecendo de forma despudorada e despojada a sua forma de viver a sua vida em plena liberdade e autonomia. Seu corpo, suas regras. Afinal, como bem nos ensina Jorge de Sena, "o sexo não é uma vergonha, nem pode ser um pecado" (Dialécticas teóricas da literatura, 1977, p. 279). Que assim entendamos. Leitura absolutamente necessária nos dias atuais.
a banalidade das frases curtas
Paulo André
Como é que um livro cuja escrita é a banalidade no seu estado puro consegue atrair muito público? Eis a questão que se deve formular sobre este livro. Quer a conceptualização da história, quer a coerência narrativa, quer ainda a linguagem são, neste livro, um exemplo claro do que os jovens escritores devem evitar. Se pretendeis ser escritores, não pegueis neste livro. Como não se pode dar menos de uma estrela, fica aqui a opinião que é abaixo de zero.
o livro é um chorrilho de calão e de lugares-comuns
Romeu Pereira
Se pretende ler um bom livro, este é certamente o livro que deve evitar. Apesar das boas críticas da crítica (vá-se lá saber porquê - ou daí até se sabe, não fosse a autora jornalista), e de ter recebido o prémio APE (como foi possível?), o livro é um chorrilho de calão e de lugares-comuns, ao estilo Margarida Rebelo Pinto. Dir-se-ia que Alexandra Lucas Coelho está para a primeira metade do século XXI o que a Margarida Rebelo Pinto esteve para a última década do século passado.
Amante e Alexandra
Paula Tavares
Quando escreve Alexandra entranha-se. Nesta narrativa estranha-se e depois adora-se e colamo-nos à personagem fantástica que ela conseguiu construir. Mais uma belíssima surpresa, obrigado Alexandra.
O Meu Amante de Domingo
Susana Rodrigues
Alexandra Lucas Coelho escreve belissimamente bem, de uma forma crua e clara que transmite o âmago das personagens, tendo a capacidade de nos enredar na história e querer devorá-la num só trago.
HUMOR ACUTILANTE
Luísa Barreta
Muito bem escrito. Humor acutilante. Comovente e ao mesmo tempo quase pornográfico mas muito intelectual e cultural.
Um livro do nosso tempo
FGL
Um livro escrito com uma fluidez e um ritmo que acompanha muitíssimo bem a contemporaneidade da nossa sociedade.
O Meu Amante de Domingo
Ana Paula David
É um livro muito sagaz, muito "rápido" na escrita e com um sentido crítico muito próprio. Leitura diferente, que faz com que queiramos, sem nos dar conta, acabar o livro com rapidez.
Literatura de domingo
Rui Faustino
Se for imune à linguagem brejeira e conseguir ignorar o manancial de referências a autores brasileiros, este livro será o ideal para qualquer pessoa que procura um amante de domingo.
O meu amante de Domingo
Leonor
Diria que Alexandra Lucas Coelho escreveu este livro de um fôlego, com todas as ganas. O livro tem ritmo e um sentido de humor acutilante. A Autora escreve maravilhosamente e tem acervo suficiente para carrear a história. É pena o recurso que creio excessivo da linguagem vulgar que, muito embora não vulgarize a história, torna-se, a dada altura, cansativa. Faltou-lhe esse equilibrio.
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