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O Luto É a Coisa com Penas

de Max Porter
Editor: Elsinore, setembro de 2016 ‧
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Aqui está ele: marido e pai, romântico desarranjado e académico apaixonado por Ted Hughes, um homem perdido depois da morte súbita da sua mulher. E ali estão os seus dois filhos, a enfrentarem, como ele, a tristeza insuportável que os engoliu no seu apartamento londrino perante um vaivém de amigos bem-intencionados e um futuro de absoluto vazio. Neste momento de desespero, são visitados pelo Corvo — antagonista, trapaceiro, curandeiro, babysitter. Este pássaro «sentimental» é atraído pelo luto da família e ameaça permanecer com eles até que não mais precisem da sua ajuda. À medida que o tempo passa, as semanas se tornam meses e a dor se transforma em memória, esta pequena unidade de três pessoas começa a curar-se. Numa estreia absolutamente extraordinária — parte novela, parte fábula polifónica, parte ensaio sobre o luto —, Max Porter combina sensibilidade e um estilo corajoso, criando um efeito deslumbrante. Carregado de um humor inesperado e marcado por uma profunda verdade emocional, O Luto É a Coisa com Penas marca a chegada de uma nova voz literária, entusiasmante e original.
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Julgar livros pelos títulos

Sigo uma tradição há muitos anos que acabou por moldar a forma como leio e como ofereço livros. Eu e o meu pai escolhemos muitos livros pelo título. Pensamos na pessoa em questão e, não ignorando os critérios de qualidade literária que gostamos de seguir, vemos que título se adequa, de forma carinhosa ou humorística, a cada pessoa. É um gesto quase instintivo, que acontece quando um título nos lembra alguém. Durante anos, foi assim que fomos oferecendo livros um ao outro. Longe da Árvore, de Andrew solomon Quando mudei de casa, para longe dele, do nosso bairro e das árvores que lá plantámos, ofereci-lhe o livro Longe da Árvore, de Andrew Solomon. O título funcionou como uma imagem imediata. A árvore como origem, raiz, pertença, e a distância, no meu caso, literal, que a mudança prometia, como diferença, desvio, identidade, caminho próprio.
Claro que a intenção de oferecer um livro pelo título pode sair gorada assim que se começa a leitura e se percebe que a história nada tem a ver com a nossa narrativa. Mas, fora a brincadeira com o título, este livro foi marcante para nós.
É uma reportagem, ensaio, testemunho, história cultural e uma conversa sobre o que significa pertencer. Solomon parte de uma ideia muito simples e muito profunda: nem sempre os filhos continuam os pais; às vezes nascem com características, identidades ou condições que os colocam fora daquilo que a família esperava, imaginava, sabia nomear. Ao longo de histórias reais (e de um trabalho de escuta impressionante), o livro mostra o amor a ser esticado até aos limites e, por vezes, a crescer precisamente aí. É uma leitura intensa, por vezes dolorosa, mas também cheia de humanidade: não idealiza, não moraliza, não facilita. Faz perguntas difíceis sobre aceitação, orgulho, vergonha, culpa, autonomia, e sobre como se aprende a amar aquilo que não se entende de imediato. No fim, fica a sensação de que o normal é muito mais vasto do que o que nos ensinaram.

COMPRO NA WOOK! » O livro, na sua dimensão humana e investigativa, expande esse abraço com histórias e perguntas difíceis: o que fazemos quando quem amamos é “outro” de uma forma que nos obriga a reaprender o amor? Não é uma leitura leve, mas é profundamente clarificadora.
E, quase sempre, são os títulos que me fazem pensar no momento certo para oferecer um livro: quando alguém precisa de nomear aquilo que está a viver, ou quando eu própria preciso de uma frase que me ajude a atravessar um período.
Deixo aqui alguns desses títulos, livros que se tornaram importantes para mim, primeiro como promessa, e depois como experiência de leitura , e que ofereci (ou me ofereceram) em momentos em que a escolha do nome já era metade do gesto. A vida mentirosa dos adultos, de Elena Ferrante Este título tem uma provocação doméstica: a vida mentirosa dos adultos. Não é “a mentira dos adultos”, é a vida inteira, como se a mentira fosse uma forma de funcionamento. Ao lê-lo, sente-se um arrepio de reconhecimento: crescer é descobrir que os adultos não são uma categoria estável, nem sinónimo de verdade, são pessoas com contradições, fragilidades, teatro, medo, e muitas versões de si mesmas.
Ofereci este livro num momento de transição: daqueles em que alguém está a deixar para trás a ideia de que “quando eu for adulto vou perceber tudo”. O título parecia um aviso e, ao mesmo tempo, uma libertação. Porque há um consolo inesperado em aceitar que a vida adulta é uma negociação contínua entre aquilo que mostramos e aquilo que escondemos, entre o que acreditamos e o que fazemos.
Ferrante tem esta capacidade rara de escrever como se estivesse a acender luzes em zonas que preferíamos manter na penumbra. E o título é a primeira dessas luzes: curto, directo, cruel, como muitas verdades importantes. COMPRO NA WOOK! » O luto é a coisa com penas, de Max Porter Há títulos que são, por si, uma metáfora completa. Este é um deles, e ainda por cima carrega uma referência que cria uma estranheza bonita: trocando a esperança do verso de Emily Dickinson pela dor, O Luto é a Coisa com Penas foi um livro que ofereci (com algum receio, confesso) num período de perda. Há alturas em que o luto é tão pesado que qualquer tentativa de falar parece inadequada, e, ao mesmo tempo, há uma necessidade de linguagem, de forma, de companhia. O título sugeria isso: que o luto também é ave. Que a dor, por mais absurda que pareça a imagem, pode ter movimentos inesperados: pousar, agitar-se, gritar, bater asas.
E o livro confirma essa intuição com uma inteligência emocional rara. É breve, intenso, estranho no melhor sentido: não explica o luto, encena-o, dá-lhe corpo, dá-lhe voz, dá-lhe a possibilidade de ser vivido com alguma arte quando a realidade não tem arte nenhuma.
Se o ofereço, é porque às vezes um livro serve para não deixar alguém sozinho naquilo que não tem solução.

COMPRO NA WOOK! » O coração é um caçador solitário, de Carson McCullers O Coração é Um Caçador Solitário tem em mim um efeito ao mesmo tempo lírico e implacável. Um título que resume tudo. Ofereci este livro num momento em que a solidão de alguém à minha volta era silenciosa. O título serviu como um recado delicado.
Quando lemos o livro, percebemos que McCullers escreve precisamente sobre isso, sobre a fome de ligação, sobre mal-entendidos, sobre o que carregamos sem saber dizer.
E o título continua a ser, para mim, uma das melhores descrições do que é sentir: uma caça íntima, insistente, nem sempre correspondida.
Numa pequena cidade do sul dos EUA, acompanhamos várias personagens encostadas umas às outras pela necessidade: a adolescente Mick, com uma fome de música e futuro, um médico cansado de lutar contra a injustiça, um homem que quer mudar o mundo mas não consegue mudar a própria solidão, gente comum que fala muito porque não sabe ser ouvida. No centro, John Singer, um homem surdo que, justamente por escutar de outra maneira, se transforma no ecrã onde todos projectam aquilo que lhes falta. O livro é sobre desencontros: sobre o que pedimos aos outros sem lhes perguntar se podem dar, e sobre a esperança que nasce quando encontramos alguém que parece compreender-nos.
A edição que apresentamos é a da língua original, em inglês.

COMPRO NA WOOK! » O meu ano de repouso e relaxamento, de Ottessa Moshfegh Este título tem uma ironia sedutora: quem não quer um ano de repouso e relaxamento? Lê-se e imaginamos mantas, silêncio, cura, uma espécie de reinício limpo. Comprei este livro num momento em que o cansaço já não era só físico. Uma fadiga que não se resolve com uma noite bem dormida, porque é a vida inteira que parece precisar de pausa. O título funcionou como uma piada cúmplice.
O título promete “relaxamento”, mas o que entrega é uma reflexão ácida sobre vazio, consumo, auto-anulação e a fantasia moderna de que podemos hibernar até a vida ficar suportável.
A narradora: jovem, bonita, financeiramente segura, decide hibernar: apagar-se durante um ano com a ajuda de medicamentos, como se o sono pudesse ser um botão de reiniciar. O que podia soar a fantasia acolhedora depressa se revela uma sátira feroz: sobre privilégio, sobre consumo, sobre a solidão em pleno sucesso, sobre a depressão mascarada de indiferença.
A edição que apresentamos é a da língua original, em inglês.

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O Luto É a Coisa com Penas

de Max Porter

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898843616
Editor: Elsinore
Data de Lançamento: setembro de 2016
Idioma: Português
Dimensões: 157 x 229 x 11 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 128
Tipo de produto: Livro
Coleção: Literatura traduzida
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789898843616

Luto em forma poética

AV

É um livro que se lê rapidamente, pese embora algumas passagens não sejam facilmente apreendidas pelo leitor mais leigo. Uma leitura bastante diferente do habitual, um género de poesia em prosa, com muitas alegorias e hipérboles. Uma narrativa que retrata, através da figura de um Corvo (alucinação?), as várias fases do luto das três personagens principais da história: o marido que perdeu a mulher e os dois filhos que perderam tenramente a mãe. O Corvo vai ajudar nessa luta contra a dor da ausência e, pouco a pouco, o sofrimento vai-se atenuando na vida dos três. Para quem entender todo o significado desta "pequena grande" obra vai-se emocionar e deixar tocar pela sua sensibilidade. O livro é lindíssimo, toda a sua estrutura, desde a capa ao interior. Max Porter será um autor a seguir!

Fábula sobre o luto

Filipe M.

A estreia de Max Porter num belo livro sobre a sobrevivência de um pai e dois filhos que têm de lidar com a morte da mãe. Por vezes cómico, outras trágico, como a nossa existência. Ficção, prosa-poética, escapa às amarras da definição, numa leitura que desafia a integrar o luto como algo fundamental para melhor apreciar a vida.

Interessante

Ana Fonseca

Forma diferente de abordar um tema tão pesado

Muito bom

SEC

Uma história muito diferente, que nos coloca a pensar. Comprei o livro pela capa, é maravilhosa. Mas o interior é a condizer. Aconselho.

Duro e reflexivo

NA

A magnífica tradução de Daniel Jonas tem de ser salientada. "O luto é a coisa com penas" é um livro maravilhoso sobre um tema difícil: o luto e como a perda de alguém que amamos se entranha na nossa vida como uma névoa.

SOBRE O AUTOR

Max Porter

Max Porter é autor de O Luto é a Coisa com Penas, obra de estreia vencedora dos prémios Sunday Times/Peters Fraser + Dunlop Young Writer of the Year Award, do Europese Literatuurprijs e do International Dylan Thomas Prize, tendo sido o texto adaptado e levado a cena em 2018, sob a direção de Enda Walsh. Seguiram-se Lanny, nomeado para o Booker Prize de 2019, e The Death of Francis Bacon. Com uma obra publicada em mais de vinte países e muitíssimo elogiada pela crítica, Max Porter é unanimemente considerado uma das vozes mais originais da literatura inglesa contemporânea. Shy é o seu novo romance.

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