O Homem do Pé Direito / O Homem da Picareta

de Miguel Castro Caldas
Editor: Cotovia, Janeiro de 2006 ‧
O HOMEM DO PÉ DIREITO foi escrito para a companhia Primeiros Sintomas que produziu a peça em 2003, na Associação Abril em Maio.

O HOMEM DA PICARETA foi escrito para a companhia Primeiros Sintomas que produziu a peça em 2004, no espaço Karnart.


O Homem do Pé Direito
Ana está no quarto e o seu discurso é sobre o tempo que ainda não veio, de quando for crescida, ou então do tempo que passou, de quando era criança. Que idade tem ela? Mas as casas, os quartos, ficam, apesar das pessoas passarem, e este quarto, de uma vila operária de Lisboa, é o quarto insalubre de operários e é o quarto alugado a alta renda cem anos depois no tempo em que já não há operários. No escuro do quarto de qualquer época os fantasmas e as coisas ganham vida: a roupa amontoada na cadeira que parece um monstro (mas o monstro é monstro ou não passa de roupa amontoada?), os poetas que entram pela porta dentro, (entram para o quarto ou entram para a Fnac?) e os ladrões, que procuram não se sabe que tesouro. Só uma coisa sabemos certa, que é a linguagem. A acção dá-se a partir do que se diz, a partir do texto. Tudo o que é dito passa a ter existência palpável. Dizer ó papão vai-te embora de cima desse telhado, é acender uma lanterna que nos permite ver as paredes do buraco onde estamos a cair. Impossível determinar a medida do pé direito.

O Homem da Picareta
Na cave, o homem da picareta escava uma parede para ganhar espaço na sala. A sua mulher procura um escadote para poder ir à janela. Sem querer, o homem da picareta fura os canos e tem de chamar um canalizador. Mas na verdade o que se está a passar é um terramoto que o canalizador tem de consertar.
Na avaliação fatalista do canalizador entra o discurso d' O Poema sobre a desgraça de Lisboa de Voltaire. O homem da picareta tece considerações dignas de um Kant. O ajudante do canalizador percorre uma viagem por dentro de um terramoto. A mulher espera que se resolva um problema de infiltração.
Aqui ou ali cita-se:
- O Poema sobre a desgraça de Lisboa de Voltaire;
- ensaios a propósito do terramoto de 1755 em lisboa de Kant;
- o relato do que aconteceu ao Sr. Thomas Chase, em Lisboa, no grande terramoto, escrito por ele próprio;
- a carta dum mercador inglês, residente em Lisboa à data do terramoto;
- e uma frase apenas do Fernão Mendes Pinto que não tem nada a ver com isto.
Miguel Castro Caldas

O Homem do Pé Direito / O Homem da Picareta

de Miguel Castro Caldas

Propriedade Descrição
ISBN: 9789728972004
Editor: Cotovia
Data de Lançamento: Janeiro de 2006
Idioma: Português
Dimensões: 104 x 154 x 3 mm
Encadernação: Capa mole
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Arte > Artes de Palco
Livros em Português > Literatura > Outras Formas Literárias
Livros em Português > Literatura > Teatro (Obra)
EAN: 9789728972004
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

Miguel Castro Caldas

Miguel Castro Caldas (Lisboa, 1972) escreve peças de teatro, ergue e desmantela espetáculos e traduz ocasionalmente. Dá aulas na licenciatura em Teatro da ESAD, no curso CGPAE do Fórum Dança e na pós-graduação em Artes da Escrita na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Recentemente, publicou Se Eu Vivesse Tu Morrias e Outros Textos (2019, Imprensa Universitária de Coimbra) e A Espectadora (2024, Mariposa Azul).

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