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O Dever de Deslumbrar

Biografia de Natália Correia

de Filipa Martins
Livro eBook
Editor: Contraponto Editores, março de 2023 ‧
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Intimidando pela verve de aríete e pela beleza, Natália Correia simbolizou, como poucos, as inquietações do século XX português. Precoce e radical no pensamento feminino, vítima de efabulações e de mitos, incompreendida e amada, lançou um olhar oracular sobre o seu tempo. Em tertúlias, que eram verdadeiras olimpíadas da confraternização lisboeta, o seu traço aglutinador envolvia, juntamente com o fumo dos cigarros, intelectuais e admiradores, que se irmanavam com párias e malditos em ideias e poemas de vanguarda.

Mulher deslumbrante e carismática, equiparada às maiores pensadoras europeias e às estrelas de Hollywood, atacou o Regime onde mais lhe doía - na moral caduca -, elegeu o erotismo como arma política e tornou-se a autora mais censurada da ditadura. Já no bar que fundou em Lisboa, fez e desfez governos à batuta da sua boquilha.

Nesta biografia, da autoria de uma das vozes mais seguras da nova literatura portuguesa, convivem a libertária e a conservadora, avessa a expor a sua atribulada vida íntima, a mulher que desprezava a política partidária e que nela viveu, inclusive como deputada; o espírito frágil e o temperamento intempestivo; o polémico exercício de funções diretivas em órgãos de imprensa e a defesa intransigente das causas maiores; e, em todas as páginas, as contradições e coerências de uma pensadora capaz de criar para si própria uma narrativa que não a torturasse pelas escolhas que fez.

«Uma excelente biografia porque oferece um retrato comportamental de Natália que é fiel ao modelo retratado.»
Lídia Jorge

«Fosse Natália Correia viva, e sem dúvida que se orgulharia desta biografia, «O Dever de Deslumbrar» – saída do trabalho exaustivo e do talento da escritora Filipa Martins.»
João de Melo

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A vida dos escritores

Interessa o que escrevem, mas pelos vistos também interessa quem são. Não é de agora: já há muito se busca a vida de quem inventa vidas. Eles inventam personagens, histórias, versos, e os biógrafos tentam descortinar quem foram. Isabel Rio Novo: Camões e Agustina Camões nasceu há 500 anos. Dele, conhecem-se as palavras. De um homem cujo nome todos os portugueses conhecem, de um poeta cujos versos são lembrados, é espantoso o quão pouco parece que se sabe. Salvou-se o que escreveu – tal como Camões salvou o que escreveu da água. E Isabel Rio Novo meteu-se na tarefa hercúlea de descortinar quem foi o poeta máximo da lusofonia.
Com prosa veloz, elegante e sem manias, a biógrafa é também uma das vozes mais relevantes da produção coetânea em Portugal. Além disso, já não é estreante nesta tarefa de ir buscar a vida à fonte, já que já antes escreveu sobre Agustina Bessa Luís. O Poço e a Estrada, publicado em 2019, é um trabalho meticuloso sobre uma das mais importantes autoras portuguesas do século XX, e também das mais profícuas. Romance, conto, ensaio, memória, biografia, peças de teatro, tudo lhe saiu das mãos. Enquanto mostra a autora, Isabel Rio Novo mostra também uma mulher pouco convencional. Tal não espanta quem saiba de onde vem o impulso para escrever. A biógrafa lançou mãos à obra como quem tenta fechar os vazios possíveis. O livro é o resultado de dezenas de entrevistas, consulta de cartas e documentários, recolha de testemunhos. Entre a biografia e a obra, há sempre uma ponte. O leitor atravessa-a a cada página, ligando ambos os lados, e lendo uma biografia de forma escorreita.
Enfim, depois de Agustina, veio o poeta maior. O livro Fortuna, Caso, Tempo e Sorte passou cinco anos no forno. Numa biografia que se lê como um romance – uma epopeia, vá –, vamos ligando o homem ao poeta. Dos versos vai-se à vida, e vice-versa. O trabalho é de fundo, a bibliografia é extensa, mas o livro, que é longo, é lido de forma escorreita. Parece que está lá tudo, até o olho perdido, e por isso Camões passa a Luís. O livro parece colmatar o que faltava: conhecimento estruturado, que fosse buscar a vida por trás da obra, não raras vezes explicando-a.
Enquanto mergulha no homem que é poeta, ou no poeta que afinal também é homem, na medida em que é mais conhecido pelo que escreveu do que pelo que fez ou foi, Isabel Rio Novo mostra o criador em toda a sua dimensão. Afinal, para os versos que fez – em especial, n'Os Lusíadas –, muito contribuíram as voltas dadas: o nosso poeta maior não se fez só em bibliotecas. QUERO LER!






  Bruno Viera Amaral: José Cardoso Pires Tenho sempre a ideia de que José Cardoso Pires foi um amigo que não cheguei a conhecer. Entusiasma-me a Lisboa que descreveu, embora, em boa verdade, talvez só na literatura. Não só é mais do que nada como já é quase tudo. Tantas vezes passeei pelo Cais do Sodré ouvindo o seu sussurro vindo do British Bar. Quem lá passava via grupos, via copos: eu via-o escrever como se ainda lá estivesse. E, irremediavelmente, sentia remorsos de estar a ver a vida em vez de estar em casa a escrever sobre ela. José Cardoso Pires é um dos grandes da literatura, e um dos meus maiores. Será também um dos maiores de Bruno Vieira Amaral, pelo menos a julgar pela forma como escreveu sobre ele. Ao ler o O Integrado Marginal, o leitor viaja entre literatura e autor, vê texto e contexto ao mesmo tempo, vê de que forma se faz um escritor. Não será surpresa que não lhe faltem dúvidas na hora de criar. QUERO LER!
  Filipa Martins: Natália Correia Os anos passam e parece que Natália Correia não chega a envelhecer. Em 2024, até as suas intervenções no Parlamento parecem atuais. É difícil esquecer o poema escrito à pressa para responder a João Morgado num debate sobre a interrupção voluntária da gravidez. Natália era densa, completa, complexa, uma das maiores em Portugal no século XX. O que produzia era simbólico e forte, obrigando o leitor a ir à caça dos sentidos. Filipa Martins meteu-se nisto de escrever a vida de uma das mais inquietas autoras da história da literatura portuguesa. O trabalho, também meticuloso, vai-lhe à arte e ao carisma. O Dever de Deslumbrar faz o mesmo que a biografa: deslumbra quem o lê. QUERO LER! Patrícia Reis: Maria Teresa Horta Biografar vivos há-de ser pior do que biografar mortos. Maria Teresa Horta foi censurada e espancada, não pediu licença a ninguém, não baixou a voz. Pelo contrário, após a confusão que deu o livro Minha Senhora de Mim, em 1971, escreveu Novas Cartas Portuguesas, com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa. Conhecê-la é, por isso, conhecer também uma parte fundamental da nossa História. O seu percurso a sós diz-nos muito sobre os tempos do Estado Novo e a forma de agir do lápis azul: não só em relação à literatura, mas também em relação à produção simbólica vinda de mulheres. Escrever a sua vida de forma simpática para o leitor é que há-de ter sido o diabo, mas aqui está o resultado. QUERO LER!

O Dever de Deslumbrar

Biografia de Natália Correia

de Filipa Martins

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896661762
Editor: Contraponto Editores
Data de Lançamento: março de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 149 x 232 x 38 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 696
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Biografias
EAN: 9789896661762
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Uma biografia necessária!

Arnaldo Varela de Sousa

Excelente biografia que vem iluminar recantos da vida de uma figura tão incontornável da cultura portuguesa como Natália Correia. Não sendo um romance, mostra-nos como Natália foi personagem com uma vivência mais rica que muitas heroínas da ficção. Recomendo vivamente!

Uma biografia completa sobre a autora

Joana Gonçalves Campos

Gostei imenso desta biografia sobre este grande vulto da literatura portuguesa,com o estilo que a autora já nos habituou de outros livros. Para mim só pecou por não ser acompanhado por uma pequena foto bibliografia,tinha sido giro para complementar! Recomendo!

O dever de deslumbrar

António Barra

Deliciosa bibliografia. Um trabalho de investigação e criatividade imensos da escritora Filipa Martins. Fiquei absolutamente deslumbrado, uma merecida homenagem à sempre irreverente Natália Correia, que estará, certamente, bastante feliz, onde e como se encontrar, com o derramar de tão encantadora prosa. Parabéns. Recomendo.

Retrato de uma figura impar

Patrícia Pereira

Um livro imperdível para quem gosta de biografias. Natália Correia é muito mais do que a sua obra. Uma figura pioneira e inconrornável do século xx português que a autora nos dá a conhcer através de uma pesquisa meticulosa e das palavras de muitos daqueles que com a poetisa privaram.

Fantástico

João S.

Uma excelente biografia que faz jus ao génio de Natália e das suas convicções. A descoberta em todas as suas camadas de uma mulher tão visionária e à frente do seu tempo. Um belo trabalho minucioso da talentosa Filipa Martins. Quem gosta de Natália em particular e de biografias em geral não pode passar longe deste livro!

O Dever de Deslumbrar

Margarida dos Santos Coelho

Figura marcante do nosso século XX, Natália Correia (setembro de 1923 a março de 1993) marcou sem dúvida a vida social, politica e literária de Portugal – “Depressa demais para ser ausência”. Filipa Martins, a biógrafa, descreve com muita originalidade a vida de Natália Correia, adotando um modo cronológico, que cruza a história pessoal/familiar com a historia do país. Como diz Filipa Martins, desde o nascimento, “Natália ganhava a naturalidade que lhe norteou a escrita – um espirito insular que rememorou na poética – e o desígnio de proteger os apaixonados”. O livro mostra bem que é uma investigação rigorosa, referindo a cada momento as fontes muito diversas utilizadas pela autora, que são citadas em inúmeras notas. Uma luta pela liberdade, o desejo de contactos intelectuais e da discissão em tertúlia , com uma formação talvez não clássica, mais autodidata e com a força de saber e impor o seu saber. O livro retrata duma maneira rigorosa, uma pessoa complexa e fascinante.

Recomendado

Mónica Alexandra Silva

Completamente deslumbrada. Natália Correia foi uma mulher à frente do seu tempo. Parabéns à autora que nos permite mergulhar na vida da "poeta".

Fundamental!

Manuel Mesquita

Se a figura de Natália é um mito, esta biografia está a dar-me muito prazer a ler por estar muito bem escrita e porque nos mostra, nas suas várias facetas, a mulher extraordinária que foi Natália Correia.

SOBRE O AUTOR

Filipa Martins

Filipa Martins é jornalista, escritora, romancista e argumentista. Nasceu em Lisboa em 1983. O seu primeiro romance, Elogio do Passeio Público, foi galardoado com o Prémio APE Revelação. Na Memória dos Rouxinóis, publicado pela Quetzal em 2018, foi distinguido como Prémio Manuel de Boaventura. Em 2023, publicou O Dever de Deslumbrar, biografia de Natália Correia.

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