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O Céu Cairá Sobre Nós

30 Crónicas e 1 Discurso

de Lídia Jorge
Livro eBook
Editor: Dom Quixote, abril de 2026 ‧
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Um conjunto de crónicas que, pela sua importância e pertinência, não podiam deixar de ser lidas pelos leitores portugueses.

Em Janeiro de 2024, Lídia Jorge iniciou uma colaboração regular nas páginas de opinião do jornal El País, espaço que partilha com os escritores Juan Gabriel Vásquez, Irene Vallejo e Leonardo Padura. O presente volume é uma recolha de trinta dessas crónicas, incluindo cinco das várias que foram sendo publicadas irregularmente, no mesmo periódico, desde 2020, sendo uma das primeiras aquela que dá o título a este livro.

O Céu Cairá Sobre Nós corresponde ao primeiro verso de uma canção popular afegã, mas ao ser transposto para título de um livro de crónicas o seu sentido alarga-se e globaliza-se. Ele corresponde ao espírito de ameaça do nosso tempo, e simultaneamente à força da resistência que a lucidez da análise dos factos permite.

Lucidez e resistência, talvez sejam as duas palavras que emanam destas crónicas de carácter literário. E nada melhor o poderá confirmar do que o discurso proferido pela autora em Lagos, a 10 de Junho de 2025, aquando das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e que temos o gosto de incluir neste livro. Esse texto provocou uma polémica que de algum modo marca as contingências paradoxais do nosso tempo. Publicamo-lo para que não se esqueça.

«Encaro o Mundo como um mistério por desvendar. Se escrevo romances é para imaginar que as personagens lançadas num palco, animadas de voz própria, dialogam de tal modo que chegam a conclusões que eu sozinha não alcançaria. Mas com as crónicas é diferente. Eu mesma sou personagem e promovo o inquérito a minhas próprias expensas. Ao publicá-las tenho a ideia de escrever cartas de desafio contra o que a História oculta. E assim, pelos enganos que ela comporta, nada de mais ambicioso e nada de mais humilde do que esta labuta com o tempo que passa e a verdade que voa.»
Lídia Jorge

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O Céu Cairá Sobre Nós, crónicas de Lídia Jorge sobre o nosso tempo

A escritora portuguesa Lídia Jorge é a escritora distinguida com o prestigiado Prémio Camões 2026, o maior galardão da literatura em língua portuguesa, que reconhece a sua vasta obra com romances, contos e ensaios, celebrada a nível nacional e internacional. O júri do Prémio Camões distinguiu a escritora pelo «diversificado conjunto da sua obra» e pelo «grande contributo para o enriquecimento do património literário e cívico-cultural da língua portuguesa».
Esta distinção junta-se ao Prémio Estatal Austríaco de Literatura Europeia, atribuído em junho passado, e ao Prémio Pessoa 2025, pelo conjunto da sua obra, além do Prémio Médicis Étranger, atribuído ao romance Misericórdia, entre muitos outros.
Com uma obra que nos deslumbra e desarma, Lídia Jorge tem aquela capacidade rara reservada aos grandes escritores: uma compreensão profunda do ser humano, através do seu compromisso inabalável com o poder da palavra escrita. Acredita no potencial transformador da narração das histórias. A literatura, afirma, segue um caminho constante, como uma espécie de sombra branca, e vai dulcificando as coisas. Criar traços de beleza dá-lhe uma grande sensação de liberdade, como nos revelou nesta entrevista que nos concedeu em 2024.
A sua escrita é conhecida por retratar a história recente de Portugal e a sociedade contemporânea com uma voz única e humanista. O seu mais recente livro, O Céu Cairá Sobre Nós, é uma compilação de crónicas escritas pela autora numa colaboração com o jornal diário El País, desde 2020. O título do livro corresponde ao primeiro verso de uma canção popular afegã. Lídia Jorge destaca-o como forma de refletir o espírito de ameaça do nosso tempo, mas também a força da resistência.
A defesa contínua, na sua obra, da igualdade entre os povos e do humanismo, foi a tónica do discurso da autora em Lagos, a 10 de Junho de 2025, aquando das comemorações do Dia de Portugal, e que este livro também inclui.

«(…) por aqui ninguém tem sangue puro, a falácia da ascendência única não tem correspondência com a realidade. Cada um de nós é uma soma. Tem sangue de nativo e de migrante, do europeu e do africano, do branco e do negro e de todas as outras cores humanas. Somos descendentes do escravo e do senhor que escraviza, filhos do pirata que foi roubado. Mistura daquele que punia até à morte e do misericordioso que lhe limpava as feridas

Um texto que, como toda os escritos de Lídia Jorge, permanecerá como seu legado.
Deixamos aqui o excerto do início do livro O Céu Cairá Sobre Nós.

O céu cairá sobre nós

1.
No início deste século, quando os soldados americanos iniciavam a auscultação das montanhas para tentarem perceber em que caverna se escondia Osama Bin Laden, e o mundo tinha acesso às imagens dos trilhos por onde caminhavam os burros carregados de papoila, chegou-me às mãos a tradução da autoria de Manuel João Magalhães de uma canção tradicional afegã. A terem sido respeitados a dimensão e o ritmo dos versos, por certo que se deve tratar de uma bela balada. Não imagino o som da música, mas a letra diz o seguinte – «O céu cairá sobre nós / e ainda assim estarei por cá para vos amedrontar. / As nossas barbas deixarão de ser grisalhas / e os nossos ossos regressarão à terra que os deu a nascer / mas ainda assim cá estarei para vos atrapalhar. / Há muito que este solo sagrado deixou de ser fértil. / E as nossas mulheres são feias: / Porque quereis então este território?»

2.
Também desconheço em que século surgiu esse canto, mas o que se depreende é que ele fala de invasões, e sem invocar factos concretos, ficam no ar incursões que terão sofrido desde a investida de Alexandre, o Grande às ocupações por parte dos impérios britânico, soviético e americano. Logo a pergunta é justa – Porque quereis esta terra infértil? E a resposta é simples – Porque ela ocupa um lugar estratégico importante, uma encruzilhada íngreme por onde outrora passava a rota da seda. No entanto, a todos os invasores, a canção dirige uma promessa – Aqui estamos nós, vigilantes, mesmo depois de mortos, para vos atrapalhar.
(…)

O Céu Cairá Sobre Nós

30 Crónicas e 1 Discurso

de Lídia Jorge

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722088787
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: abril de 2026
Idioma: Português
Dimensões: 158 x 236 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 208
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Crónicas
EAN: 9789722088787

Leitura de conforto

Beatriz

Quando tudo parece de cabeça para baixo, Lídia Jorge recentra-nos.

SOBRE O AUTOR

Lídia Jorge

Romancista e contista portuguesa. Nasceu em 1946, no Algarve. Viveu os anos mais conturbados da Guerra Colonial em África. Foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. É professora do ensino secundário e publica regularmente artigos na imprensa. O tema da mulher e da sua solidão é uma preocupação central da obra de Lídia Jorge, como, por exemplo, em Notícia da Cidade Silvestre (1984) e A Costa dos Murmúrios (1988). O Dia dos Prodigíos (1979), outro romance de relevo, encerra uma grande capacidade inventiva, retratando o marasmo e a desadaptação de uma pequena aldeia algarvia. O Vento Assobiando nas Gruas (2002) é mais um romance da autora e aborda a relação entre uma mulher branca com um homem africano e o seu comportamento perante uma sociedade de contrastes. Este seu livro venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores em 2003.
Venceu o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas 2020.
Venceu o Prémio Pessoa de 2025.

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