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O Castelo Surrealista de Mário Cesariny | The Surrealist Castle of Mário Cesariny

de Mário Cesariny
idioma: português, inglês
Editor: Documenta, fevereiro de 2026 ‧
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João Pinharanda, Afonso Dias Ramos, Marlene Oliveira: «A obra de Mário Cesariny tem uma energia própria que nos transporta sem transições bruscas, mas sob os efeitos de uma vertigem, da palavra para a imagem trazendo-nos de volta à palavra. Palavra, é palavra escrita e é palavra dita, porque a oralidade adulta e a da velhice de Cesariny é, em si mesma, um veículo de atravessar os corpos a alta velocidade.»

«Os passos alongavam-se com a elegância ferida de um animal em frémito e em fuga pelas ruas da cidade (Em todas as ruas te encontro / em todas as ruas te perco). O vulto era o eco de uma voz perdida no tempo e encontrada no espaço. Na sua ¿gura, estava inscrita a sua vida, com o que nela havia de génio e de tormento, de desejo e de desespero, de perigo e de persistência, de poeira levantada do chão e de poente deposto do céu.
Mário Cesariny chegava a um lugar e esse lugar mudava a sua posição no mapa. O corpo seco e transparente — quase de fantasma, às vezes de funâmbulo, outras vezes de feiticeiro — ganhava forma humana quando os seus gestos começavam a acompanhar as palavras que dizia com vertiginosa lentidão e os olhos que incandesciam no rosto, dando-lhe a luz selvagem de um fogo antigo, feroz e interior, como um segredo sulfuroso e sacrílego.
[…]
Falava e o cigarro na sua longa mão ágil de prestidigitador era um ponteiro que apontava ao in¿nito e que ele respirava com a profundidade intensa de quem alcança um pensamento futuro que é tão antigo como um pensamento passado.»
José Manuel dos Santos

«A paixão do colectivo anima o trabalho polifacetado de Mário Cesariny de uma ponta à outra. Abordá-lo, seja a partir de que ângulo ou vertente for, implica tropeçar numa imensa cadeia de figuras que jamais cessam de se inscrever e de tomar parte. Caso de aguda fulgurância dos vasos comunicantes, são figuras que insistem e cruzam todos os planos em que aquele se desdobra, através deles instaurando um amplo circuito remissivo, numa espécie de vertigem onomástica.»
Emília Pinto de Almeida

O Castelo Surrealista de Mário Cesariny | The Surrealist Castle of Mário Cesariny

de Mário Cesariny

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895681389
Editor: Documenta
Data de Lançamento: fevereiro de 2026
Idioma: Português, Inglês
Dimensões: 170 x 240 x 26 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 288
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Arte > Artes em Geral
Livros em Inglês > Arte > Artes em Geral
EAN: 9789895681389

SOBRE O AUTOR

Mário Cesariny

Poeta, autor dramático, crítico, ensaísta, tradutor e artista plástico português, nasceu a 9 de agosto de 1923, em Lisboa, e morreu a 26 de novembro de 2006, também naquela cidade.
Depois de ter estudado no Liceu Gil Vicente, entrou para Arquitetura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde frequentou o primeiro ano, e mudou depois para a Escola de Artes Decorativas António Arroio. Depois de ter frequentado esta escola, prosseguiu estudos de belas-artes em Paris, tendo, ainda, estudado música com o compositor Fernando Lopes Graça.
Figura maior do surrealismo português, a influência que viria a exercer sobre as gerações poéticas reveladas nas décadas posteriores aos anos 50, período durante o qual publicou alguns dos seus títulos mais significativos, ainda não foi suficientemente avaliada. Promoveu a técnica conhecida por "cadáver esquisito", que consistia na elaboração de uma obra por um grupo de pessoas, num processo em cadeia criativa, na qual cada uma dava seguimento à criatividade da anterior, resultando numa espécie de colagem de palavras, a partir apenas de um acordo inicial quanto à estrutura frásica.
Colaborou em várias publicações periódicas como Jornal de Letras e Artes e Cadernos do Meio-Dia, entre outras. Começou por se interessar pelo movimento neorealista - ainda que essa breve incursão não tenha ultrapassado mais que uma postura irónica e paródica, firmada em Nicolau Cansado Escritor - para, em 1947, regressado de Paris, onde frequentou a Academia de La Grande Chaumière e onde conheceu André Breton, fundar o movimento surrealista português.
A sua postura polémica na defesa de um surrealismo autêntico levou-o, porém, a deixar o grupo no ano seguinte, para criar, com Pedro Oom e António Maria Lisboa, o grupo surrealista dissidente.
Como um dos principais críticos e teóricos do movimento surrealista, manteve ao longo da sua carreira inúmeras polémicas literárias, quer contra os detratores do surrealismo quer contra os que, na prática literária, o desvirtuavam.
A sua obra poética começou por refletir, em Corpo Visível ou Discurso Sobre a Reabilitação do Real Quotidiano, o gosto pela observação irónica da realidade urbana que, fazendo-se eco de Cesário Verde, constitui ainda uma fase pouco significativa relativamente a volumes próximos da prática surrealista como Manual de Prestidigitação. Aí, a mordacidade e o absurdo, o recurso ao insólito, aliados a uma discursividade que raramente envereda por um nonsense radical, como ocorre na obra de António Maria Lisboa, permitem estabelecer, como nenhum outro autor da década de 50, um ponto de equilíbrio entre o primeiro modernismo e a revolução surrealista.
No domínio do teatro, em Um Auto Para Jerusalém, pastiche de um conto de Luís Pacheco, revela a influência de Pirandello ou da prática teatral de Alfred Jarry. No fim da década de 60 e início de 70, Mário de Cesariny encetou um trabalho de reposição da verdade histórica do movimento surrealista, coligindo os seus manifestos, editando a obra poética inédita de alguns dos seus representantes, e dando ao prelo textos seus datados do período de maior envolvimento com a teoria e prática do surrealismo, como 19 Projectos de Prémio Aldonso Ortigão seguidos de Poemas de Londres (1971), ou Primavera Autónoma das Estradas (1980) ou Titânia (1977).
Em 2005, recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, entregue pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, e, em novembro desse mesmo ano, foi galardoado com o Grande Prémio Vida Literária, uma homenagem à sua notável contribuição para a literatura portuguesa.

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