Noa Noa seguido de Regresso à Oceania
SINOPSE
CRÍTICAS
«Imperiosos deveres de família, diz o capítulo final de Noa Noa para justificar o regresso de Gauguin à França.
Era difícil falar de má saúde, de alcoolismo, do casamento a complicar-se com uma gravidez perturbadora daquela liberdade de mãos livres; da expectativa de uma exposição de quadros em Paris; da tentativa fracassada de trocar as desilusões de Taiti pelas promessas intactas de uma das ilhas Marquesas. Ao repudiar a Europa e os seus homens, ao cantar céus clementes e terras saturadas de cor num lugar à imagem do Jardim original, Gauguin não podia ceder ao rasgo de franqueza terrena que nos fica a meio de uma das suas cartas, quando atira sombras àquele paraíso: todos os dias maiore, um fruto insonso que parece pão, e um copo de água; nem uma chávena de chá posso oferecer a mim mesmo porque o açúcar é caro. Suporto a situação com valentia mas altera-me a saúde, e os olhos de que tanto preciso estão neste momento a piorar.
Deste Gauguin doente e desiludido, que termina uma aventura maori repatriado pelo governo francês, vai toda a distância a outro: — o bancário, o agente de seguros que na vida folgada de vinte anos antes coleccionava pintura e comprava-a de nomes agora sonantes, a justificar-nos visita ao museu que a tivesse exposta. Que já pintava. Que suportava em si o Impressionismo mas inquieto por outra liberdade à espera do golpe de asa que iria afirmá-la com a supremacia da cor e do seu grito.
Isto preparava um caminho difícil: A pouco e pouco esqueço os negócios, ou antes, a forma como se fazem. Mas abandonar a pintura — nunca!
[…]
Durante muitos anos Noa Noa foi remetido para citações copiadas da edição rara de 1901. Em 1924 ficou acessível o texto do manuscrito do Louvre; em 1954 o do primeiro manuscrito. Hoje está bem divulgado com as suas duas formas. Escolher uma ou outra é dar preferência à pureza do primeiro ímpeto ou preferir a elaboração do discurso mais literário.
Mas Noa Noa é sobretudo, e em qualquer dos casos, a sensação em palavras de um Taiti que conhecemos vivo e pintado sobre telas. Um sonho que nunca existiu exterior àquela arte, um exercício autobiográfico transtornado nas verdades mais cruas pelos símbolos de um Paraíso: um paraíso de cores.»
Aníbal Fernandes
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789898833600 |
| Editor: | Sistema Solar |
| Data de Lançamento: | setembro de 2025 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 149 x 205 x 10 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 144 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Biografias
|
| EAN: | 9789898833600 |
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