Montse Grases
Biografia breve
SINOPSE
EXCERTOS
Preâmbulo
Agosto de 1939. Diante da porta do gabinete do tenente-coronel
Fenech, encontrava-se, indeciso, Manuel Grases, um jovem oficial
a quem as vicissitudes da guerra civil tinham levado até àquela 58.ª
Divisão do Exército destacado em Benicarló. Não era militar de carreira.
Tinha sido mobilizado três anos antes, ao concluir os estudos
de técnico industrial na Escola Industrial de Terrasa. «Não é a melhor
altura para me incorporar no Exército…», pensou.
Tinha sido mobilizado há já três anos. Três anos de padecimentos
e fadigas, em que tinha conhecido todos os rostos da guerra:
a incerteza da retaguarda, a dureza da primeira linha da frente e, por
fim, a paz. E a paz não tinha trazido a desmobilização, como esperava,
mas sim uma tensa e longa espera que parecia não mais ter fim.
Hesitou uns momentos antes de bater. A corpulenta figura do
tenente-coronel, com a sua voz vigorosa, impunha-lhe um profundo
respeito, quase temor. Mas, decidiu-se. Ao fim e ao cabo, já não podia
continuar a esperar.
– Às suas ordens, meu tenente-coronel.
– Entre, entre, Grases. Que deseja?
– Vinha pedir uma autorização, meu tenente-coronel…
– Uma autorização? Para quê?
– Para me casar…
– Casar? Casar agora?
– É que a minha noiva espera-me há já muito tempo, em Barcelona,
meu tenente-coronel. Já estou há três anos na guerra, sempre
de cá para lá e…
– Mas, Grases, tem noção do que me está a dizer? Não vê tudo
o que está para acontecer?
Manuel Grases já esperava a reação. O mundo precipitava-se
para o abismo da Segunda Guerra Mundial e a situação de Espanha,
naquele novo contexto político, tinha-se tornado especialmente crítica.
Aguentou, impassível, o discurso do tenente-coronel e continuou
a insistir:
– É que já atrasámos três anos o casamento… E estou cansado
de esperar…
Fez-se silêncio. Manuel pensou que já não havia nada a fazer.
Mas, inesperadamente, o tenente-coronel cedeu.
– Bom, Grases… Vou dar-lhe oito dias de licença. Mas só oito
dias! Nem mais um! Depois, tem de se apresentar sem falta.
Passados poucos dias, depois de cruzar o Ebro numa barcaça
(todas as pontes estavam cortadas), Manuel Grases conseguiu chegar
a Barcelona, onde rapidamente fez todos os preparativos para o casamento.
Combinou com Manolita que o padre Ricardo Falp, um velho
amigo da família, iria casá-los no dia 7 de agosto, às onze da manhã,
em São Severo, uma pequena igreja barroca próxima da catedral.
E aí estava Manuel, às 11 da manhã, à porta da igreja, com a sua
farda de alferes de engenharia acabada de engomar. Deram as 11.10.
E Manolita não chegou. Era o atraso da praxe, mas…
Deram as 11.15 e Manolita sem aparecer. Às 11.30, ainda nada.
Já tinha esperado tanto tempo por aquele momento! Bateu um quarto
para o meio-dia. Que teria acontecido?
«Não tinha acontecido nada», comenta, rindo, Manolita, «a não
ser que… em casa da minha mãe só havia um espelho grande, em
frente do qual a minha irmã, a minha prima e eu nos quisemos arranjar…
E o resultado foi chegar à igreja ao meio-dia, de chapéu e saia
e casaco azul-escuro, com uma hora de atraso. Uma hora de atraso.
Apenas uma horinha…».
Depois do casamento foram a Burgos em viagem de núpcias.
Chegaram à capital castelhana a 8 de agosto. E, no dia seguinte, Manuel
cumpriu uma promessa que tinha feito à Virgem se saísse com vida
da guerra: ir descalço, rezando, de Burgos até à Cartuxa de Miraflores.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789898809414 |
| Editor: | Lucerna |
| Data de Lançamento: | outubro de 2017 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 145 x 228 x 11 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 192 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Religião e Moral
>
Catolicismo
|
| EAN: | 9789898809414 |
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