Maria Lua Cansada de Solidão
Editor:
Chiado Books, outubro de 2014 ‧
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SINOPSE
Uma das estórias que lhe tinha ficado na memória, não sabia bem por que motivo, era a de uma certa mulher, que vivia um inferno dentro da própria casa. Talvez por isso mesmo. A nossa casa é um refúgio de proteção e segurança, onde até o guerreiro despe as armas e repousa na segurança da sua intimidade. É verdadeiramente desconcertante quando é esse espaço, mais íntimo e pessoal, que nos desorganiza e aterroriza. O que há no mundo que nos possa proteger disso? É como usar um escudo de proteção com farpas afiadas viradas para dentro: de fora todos nos julgam protegidos, por dentro sofremos e nem o alívio da palavra nos é permitido, porque expomos a nossa humilhação.
Eu devia chamar a este texto simplesmente grito. Penso que é a melhor definição para isto que sinto, desde que soube. Dentro de mim formou-se um grito, que me acompanha permanentemente, alguma coisa entre o desconforto profundo e uma angústia desesperada. Desde que me apercebi dos primeiros sintomas eu soube, soube logo, que alguma coisa estava irremediavelmente errada.
A tua voz era uma espécie de bálsamo que me curava todos os gritos.
É estranho. Enquanto lá vivi acho que nunca prestei particular atenção à paisagem da minha janela, penso até que, na altura, se me perguntassem, não saberia descrevê-la. Hoje, tão largo o tempo e a distância que me separam da minha aldeia, descobri na memória que ainda sei de cor a paisagem da minha janela, os cheiros de agosto, as searas como mares amarelos de trigo maduro, o odor divinal das primeiras chuvas na terra gretada, curtida pela seca, que recupera os tons de vermelho, os sabores que a saudade insiste em conservar no labirinto das lembranças.
Eu devia chamar a este texto simplesmente grito. Penso que é a melhor definição para isto que sinto, desde que soube. Dentro de mim formou-se um grito, que me acompanha permanentemente, alguma coisa entre o desconforto profundo e uma angústia desesperada. Desde que me apercebi dos primeiros sintomas eu soube, soube logo, que alguma coisa estava irremediavelmente errada.
A tua voz era uma espécie de bálsamo que me curava todos os gritos.
É estranho. Enquanto lá vivi acho que nunca prestei particular atenção à paisagem da minha janela, penso até que, na altura, se me perguntassem, não saberia descrevê-la. Hoje, tão largo o tempo e a distância que me separam da minha aldeia, descobri na memória que ainda sei de cor a paisagem da minha janela, os cheiros de agosto, as searas como mares amarelos de trigo maduro, o odor divinal das primeiras chuvas na terra gretada, curtida pela seca, que recupera os tons de vermelho, os sabores que a saudade insiste em conservar no labirinto das lembranças.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789895121144 |
| Editor: | Chiado Books |
| Data de Lançamento: | outubro de 2014 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 140 x 221 x 13 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 176 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Passos Perdidos |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789895121144 |
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