Makas da Banda

de Xakolo Monangumga
Editor: Campo das Letras, Janeiro de 2002 ‧

"A raposa conseguiu entornar o veneno na fonte onde fluía só amizade. Os passarinhos do campo já não podiam beber da sua água. O cardume tenrinho flutuava sem vida nem oxigénio para mitigar o calor do meio-dia. As finas ervas que ao abrir da alvura dançavam para os pastores, trocavam entre si os braços na tentativa de travar a aridez que cavalgava na planície. Os manos desencontrados fumegavam violência e, rasgando montanhas, prometiam-se o esgrime mais violento.
Ti Lukembe viu-se num desespero sem cura e resolveu partir e partiu para muito longe, depois de juntar o seu curral. Não deixou nenhum rasto. Os únicos atalhos que havia fugiam do olhar dos que o procuravam. O Kassete emagrecia que emagrecia que veio a ficar caminho da desgraça da família. Só a cabeça conseguia manter os membros vivos. Desejava ter morte dos animais e caminhar e entregar-se aos jacarés, mas só achava em si pele rija pendurada nos ossos. Nga Féfé via-se privada das suas graças - o leite que jorrava aos pinga-gotas na boca do puto Kassete cortara. Mandioca não tinha, porque o holokoko muloji apossara-se do gado e do marido."

Makas da Banda

de Xakolo Monangumga

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726104773
Editor: Campo das Letras
Data de Lançamento: Janeiro de 2002
Idioma: Português
Dimensões: 120 x 210 x 10 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 104
Tipo de produto: Livro
Coleção: Campo de Estreia
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789726104773