Mais Uma Desilusão
SINOPSE
Partindo do reflexo ao espelho, vai contrapondo as suas próprias experiências formativas - a que não faltam as memórias de infância ou as dores de crescimento - ao território fértil em contradições e promessas de uma país órfão da sua fantasia atlântica e dos territórios que lhe correspondiam, lançado aos braços de uma União Europeia de bolsos fundos e exigências - aparentemente - razoáveis, desejoso de sacudir o mofo de cinco décadas de ditadura para finalmente chegar à tão desejada e misteriosa modernidade e, já agora e no mesmo passo, à idade adulta.
Numa altura em que a profética expressão de Marshall McLuhan, segunda a qual «o meio é a mensagem», conforma até a realidade da criação poética, vergando o verso ao cartesianismo perfeito em perpétuo fluxo, Romão opta pela latitude de uma composição incompatível com a ordenha do like contemporâneo, onde o adolescente borbulhento da máquina de jogos dos anos noventa convive com matilhas de ferozes autistas e o pesadelo de uma tropicalização radical e irremediável que acabe por transformar o rectângulo numa estância balnear de lés-a-lés e cada português num curador de memórias alheias.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789899014398 |
| Editor: | Abysmo |
| Data de Lançamento: | novembro de 2024 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 156 x 210 x 5 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 64 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Poesia
|
| EAN: | 9789899014398 |
OPINIÃO DOS LEITORES
A poética do pensamento
Maria Gonçalves
A primeira estranheza vem da mancha gráfica, a acumulação das perceções e das referências seguidas de interstícios e suspensões, a segunda da linguagem límpida e metafórica. Ler poesia é difícil, convoca partes de nós que permanecem obscuras, apagadas, mas latentes. Esta obra de Valério Romão equilibra-se neste fio da navalha, na superfície e na profundidade, assente numa digressão deambulatória que é, em si uma geografia da alma.
Redentor
Luís Palma Gomes
"Mais uma desilusão" de Valério Romão está repleto de referências a um tempo (anos 80) e a um conjunto de lugares, percecionado também por uma consciência muito particular (e genial). É difícil defini-lo enquanto subgénero: memorialista talvez, mas também um manifesto, um protesto sem redenção aparente, uma manifestação de mal-estar na voz de um taxista erudito. Li-o, sem parar, numa noite e uma manhã. Já não me acontecia há anos este apetite incontrolável, esta gulodice. Não sei se é boa ou má literatura. Sei que me revejo nela dos pés à cabeça. Um livro que fechei a pensar: "Era exatamente isto que eu queria dizer e não consegui". Agora façam o que quiserem com a possibilidade de o ler. A Bíblia diz-nos que "ninguém sabe o dia nem a hora". Por isso, aconselho-vos a não metê-lo no fim da pilha.
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