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Livro de Sophia

de Álvaro Alves de Faria
Editor: Palimage, dezembro de 2008 ‧
10,60€
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"Neste poema que não é poema", Álvaro Alves de Faria continua "a colher as últimas palavras" na poesia dos poetas portugueses - essa que escolhe como a sua tradição última, em que o nome de Sophia de Mello Breyner também se inscreve, - para, mais uma vez e a exemplo de todos os seus livros já publicados em Portugal, procurar a forma do poema que é, nas suas próprias palavras, "um risco de silêncio". Autor de Palavra de Mulher (S.Paulo: SENAC, 2003), uma marcante colectânea de vinte entrevistas em homenagem a outras tantas escritoras brasileiras, este texto, dirigido a uma das mais reputadas escritoras portuguesas, reafirma a continuada admiração deste poeta e jornalista brasileiro pela escrita e/ou a diferença de um território, a partir do qual, reconhece, jamais poderá articular. Num tom coloquial, entre a epístola e a prece, Faria fala para Sophia, no dia em que ouve o anúncio do falecimento desta poeta portuguesa. Percorrendo mais um caminho metapoético no espaço excessivo da infinita possibilidade de articulação por dizer, nesse espaço sempre em aberto, Faria busca uma possibilidade de reterritorialização: através do espaço das palavras, com e no espaço das palavras, para "uma poesia que não é e que não sabe". Filho de portugueses, esta busca apresenta-se, inevitável e simultaneamente, como uma reinvenção identitária e poética ("para renascer em mim o ser que um dia me habitou") - lembrando Sophia, a lembrar Caeiro, num "poema que não é poema", "que se nega como poema". No estilo eminentemente paradoxal a que Faria já nos habituou, emerge, perante a morte e o silêncio (o lugar da infinita possibilidade), uma poesia de luz, "um baque", um evento, a testemunhar o carácter nómada e sempre incompleto de uma escrita que nada "acrescenta em sua forma" ao poema, mas que, por isso mesmo - nesse "nada que salva" a escrita e/ou o poeta - afirma o devir da poesia da língua portuguesa, "como se lhe fosse possível existir", para morrer ainda e, de novo, renascer. "Procuro-me em Portugal/e vejo-te morta" - daqui, deste primeiro verso do Livro de Sophia, se faz o trabalho para um (re)nascimento da escrita e do poeta.

Livro de Sophia

de Álvaro Alves de Faria

Propriedade Descrição
ISBN: 9789728999582
Editor: Palimage
Data de Lançamento: dezembro de 2008
Idioma: Português
Dimensões: 170 x 170 x 20 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 44
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789728999582

SOBRE O AUTOR

Álvaro Alves de Faria

Prémio de Poesia Guilherme de Almeida de 2019, pelo conjunto da obra, São Paulo.
Da Geração 60 de Poetas de São Paulo, Álvaro Alves de Faria é um dos nomes mais significativos. Autor de mais de 50 livros, incluindo poesia, novelas, romances, ensaio literário, livros de entrevistas com escritores e peças de teatro. Mas é fundamentalmente poeta. Como jornalista cultural, pelo seu trabalho em favor do Livro, recebeu por duas vezes o Prémio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1976 e 1983, e por três vezes o Prémio Especial da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1981, 1988 e 1989. Recebeu ao longo dos anos os mais importantes prémios literários do país. A sua peça de teatro "Salve-se quem puder que o jardim está pegando fogo" recebeu o Prémio Anchieta para Teatro, um dos mais importante dos anos 70 no Brasil. A peça, no entanto, foi proibida a encenação 15 dias antes da estreia e permaneceu censurada até a abertura política no país, quase no fim da ditadura. Foi o iniciador, nos anos 60, dos recitais públicos de poesia em São Paulo, quando lançou o seu livro O Sermão do Viaduto, em pleno Viaduto do Chá, então o cartão-postal da cidade. Com microfone e quatro altifalantes realizou nove recitais no local e foi preso cinco vezes como subversivo pelo DOPS – Departamento de Ordem Pública e Social. Voltou a ser detido em 1969, por desenhar os cartazes do então clandestino Partido Socialista Brasileiro. Há mais de 15 anos que se dedica à poesia de Portugal, país onde tem 12 livros publicados – 11 de poesia e uma novela. Essa trajetória na terra dos seus pais começou quando representou o Brasil no III Encontro Internacional de Poetas na Universidade de Coimbra, em 1998, a convite de Graça Capinha, tendo sido, então, o nome mais discutido no evento. Foi o poeta homenageado, em 2007, no X Encontro de Poetas Ibero-americanos, de Salamanca, em Espanha, nesse ano dedicado ao Brasil, convidado pelo poeta peruano-espanhol Alfredo Perez Alencart, da Universidade de Salamanca. Teve publicada, no evento, uma antologia de poemas – Habitación de Olvidos (Fundación Salamanca Ciudad de Cultura), com seleção e tradução de Alfredo Perez Alencart. Participa em mais de 70 antologias de poesia e contos no Brasil e em vários países. É traduzido para o espanhol, francês, húngaro, italiano, inglês, japonês e servo-croata.

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