La Costurera De Chanel
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WOOK SE ESCREVE EM CUBA – PARTE I
A literatura cubana é marcada por profundas transformações sociais e políticas. Após a Revolução, muitos escritores escreveram obras que glorificavam o processo revolucionário e a sua ideologia. No entanto, a censura também aumentou, levando ao exílio de escritores críticos do castrismo como Reinaldo Arenas e Guillermo Cabrera Infante. Estes continuaram a escrever de fora, criando uma literatura da diáspora em que a nostalgia, a perda e a resistência ao regime castrista são temas constantes.
Os netos da revolução foram educados como pioneiros no marxismo-leninismo, mas cansaram-se de ouvir discursos utópicos. Alguns abandonaram a ilha, fartos de perseguições, em busca de um futuro, mas outros decidiram ficar e esquivar-se à censura a partir do coração de Havana.
A literatura cubana já viu grandes mudanças. Os novos escritores já não têm a visão dos seus pais. Desde o final do século passado, uma literatura crítica começou a narrar o desencanto e a visão do povo, em contraste com a vida para lá dos muros do regime. A mestria, coragem e brilhantismo dos seus escritores é a prova de que a literatura não só subsiste muito além das amarras do regime, como floresce com um vigor aplaudido internacionalmente. Conheça os escritores que mais a têm engrandecido.
Esta semana, apresentamos já três dos mais icónicos.
Nota: Este artigo foi originalmente publicado na Revista Wookacontece nº 13, de novembro de 2024
LEONARDO PADURA
Leonardo Padura (n. 1955) é um escritor distinguido com importantes prémios literários e que se tornou conhecido com Um Passado Perfeito, o primeiro livro da série de policiais protagonizada pelo detetive Mario Conde e que mostra uma Havana urbana, distante da capital turística, numa espécie de radiografia moral do país. Com uma capacidade analítica notável, em O Homem que Gostava de Cães, Padura entrelaça as histórias de Leon Trotsky, do seu assassino Ramón Mercader e de um escritor cubano. O resultado é um retrato histórico das consequências da mentira ideológica e do seu poder destrutivo no contexto da utopia mais importante do século XX. O escritor é parte de uma geração que vivou sucessivas ondas de saída de pessoas de Cuba, e aborda esta problemática em várias das suas obras, entre as quais Como Poeira ao Vento, a história de um grupo de amigos que sobreviveu a um destino de exílio em vários lugares do mundo. Padura, que não deixou Cuba e não hesita em exprimir as suas opiniões, já viu livros seus serem tirados da circulação nacional.
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Pedro Juan Gutiérrez
Pedro Juan Gutiérrez (n. 1950), com obra traduzida em mais de 20 idiomas, é reconhecido internacionalmente como um dos escritores mais talentosos da nova narrativa latino-americana, tendo alcançado o estatuto de escritor de culto. Foi catapultado para a fama pelo livro Trilogia Suja de Havana, que faz parte de um conjunto de cinco títulos do seu Ciclo de Havana Central.Trata-se de uma série que reflete a vida do autor, visto por muitos como uma espécie de Bukowski caribenho. Na série, encontramos Carne de Cão, um livro autobiográfico, vertiginoso e descarnado em que o autor faz um striptease da sua vida mantendo um sorriso cínico de desprezo de tudo e de todos. Igualmente marcante é O Insaciável Homem Aranha, contos sobre a vida de um homem (o autor) de 50 anos em busca de prazer e sentido nas ruas decadentes de Havana, numa mistura desenfreada de amor, sexo, ódio, sonhos, paixões, realidade e frustações. Fabián e o Caos, baseado em factos reais, conta a história da amizade improvável entre dois párias da revolução cubana, um sedutor insolente e um pianista recluso e frágil, ambos com condutas que não se ajustam à ideologia do novo governo cubano. Um romance de contrastes, prova do gigante talento deste escritor, visto por muitos como uma espécie de Bukowski caribenho.
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Wendy Guerra
A escritora e poetisa Wendy Guerra (n. 1970) vive em Cuba e tem os seus livros publicados em muitos países, mas não no seu. Os seus romances compõem um poderoso retrato geracional dos incómodos netos da revolução, com uma capacidade de diálogo elogiada por García Márquez. Wendy é uma filha do idealismo guerrilheiro que saltou o muro para ver o outro lado. O seu discurso ficcional é crítico em relação à historiografia cubana e apresenta uma nova visão da Cuba contemporânea.
A sua grande obra sobre o mundo da resistência cubana é El Mercenario Que Coleccionaba Obras De Arte, que narra a vida de Adrián Falcón, inspirado num indivíduo real que desempenhou um papel fundamental no escândalo Irão-Contras. É uma espécie de autobiografia ficcional, reconstruída a partir dos diários de batalha do contrarrevolucionário. Os capítulos cobrem três décadas da história da América Latina e são intercalados com o encontro do protagonista com Valentina, uma cubana que viaja para Paris para leiloar os quadros de um antepassado. Falcón, que em adolescente deixou Cuba, nos anos 60, determinado a derrubar Fidel e a vingar a execução do pai, tornou-se num indivíduo cínico e sem ideais, e o livro vai revelando como se deu essa transformação: os primeiros contornos da sua luta, os aliados e amigos perdidos, os rivais e as guerras.
O romance mais recente da autora, La Costurera de Chanel, move-se de Paris, na Primeira Guerra Mundial, a Cuba, nos anos 30, até à França ocupada pelos nazis. Uma mistura de realidade e ficção onde a moda sumptuosa contrasta com os tempos sombrios que rodearam a vida de Coco Chanel.
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Wook se escreve em Cuba – Parte II
Depois de, na semana passada, termos apresentado o premiado Leonardo Padura, o desenfreado Pedro Juan Gutiérrez e a resistente e poética Wendy Guerra, olhamos agora para mais quatro grandes escritores que fazem da literatura cubana universal. Esta semana, apresentamos já três dos mais icónicos.
Nota: Este artigo foi originalmente publicado na Revista Wookacontece nº 13, de novembro de 2024
REINALDO ARENAS
Reinaldo Arenas (1943-1990), romancista, dramaturgo e poeta dissidente, foi expulso de Cuba e condenado ao exílio. Chegou a publicar sem a autorização da UNEAC (Unión Nacional de Escritores y de Artistas de Cuba), que confiscou e destruiu algumas das suas obras. Vítima das perseguições movidas pelo regime castrista aos homossexuais, e sobretudo por criticar o governo, foi aprisionado num campo de reeducação. Quando, em 1980, pôde finalmente sair de Cuba, acabou por se instalar em Nova Iorque onde, padecendo de sida, se viria a suicidar em 1990.
Arturo La Estrella MÁs Brillante, uma pequena obra-prima, é o seu relato lírico e alucinante enquanto prisioneiro dos campos de reeducação do regime castrista, entre 1974 e 1976, e ao mesmo tempo um testemunho belo e chocante – uma única frase de 110 páginas em que Arenas ficciona a sua experiência dolorosa. Aqui temos homens enlouquecidos pela «realidade intolerável»: uns sucumbem, outros resistem, todos enlouquecem.
A autobiografia de Reinado Arenas, Antes que Anoiteça, adaptada ao cinema em 2000, é um relato que vai desde a infância, quando vivia no quarto dos criados de uma tia que era informadora da polícia, à descoberta da homossexualidade e à sua repressão, aos encontros com outros escritores, às perseguições e fuga, à chegada à América e a desilusão final. Este que é considerado o mais delirante ajuste de contas na literatura cubana, transporta para a ficção os seres meio monstros, meio vítimas que o castrismo fez nascer, ridicularizando-os.
O segundo romance do escritor, O Mundo Alucinante, um dos romances mais audazes do boom latinoamericano, foi proibido por ser considerado uma alegoria subversiva. Nele, Arenas conta a história de Servando Teresa de Mier, o monge travesso e aventureiro que viveu entre os séculos XVIII e XIX e foi perseguido pela sua heterodoxia religiosa. O monge foi banido, preso inúmeras vezes, percorreu a Espanha de Carlos IV e de Godoy, a França de Chateaubriand e de Madame de Staël, a Inglaterra de Lady Hamilton, a Itália, os Estados Unidos e Cuba. Perseguido pelo Santo Ofício, confrontou-se obstinadamente com a tirania colonial espanhola. O brilhantismo de Arenas faz deste um romance de aventuras com uma dimensão fabulosa e tranbordante de vida, marca indelével da sua obra.
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Guillermo Cabrera Infante
Guillermo Cabrera Infante (1929-2005), romancista, contista, crítico de cinema e ensaísta, foi o mais proeminente escritor cubano a viver no exílio e o mais conhecido porta-voz contra o regime de Fidel Castro. Em 1998, foi-lhe atribuído o Prémio Cervantes. O tom atrevido e inovador com que escreve os seus romances, ensaios, contos e críticas de cinema é descrito como um género híbrido e novo, a “opinião narrativa”.
Tornou-se um escritor renomado com Três Tristes Tigres, um romance que, à maneira de Ulisses, de James Joyce, relata as aventuras de várias personagens jovens na vida noturna pré-revolucionária de Havana – Códac, fotógrafo; Eribó, músico; Silvestre, ator; e Bustrófedon, poeta morto que sobrevive através dos registos das suas experimentações linguísticas. Todos, cativos de uma realidade medíocre e sem futuro. Um livro divertido, repleto de jogos textuais e trocadilhos de todo o género. Mapa Desenhado por um Espião, publicado postumamente, reúne as suas memórias mais políticas, passando pelo seu desencanto perante a Revolução Cubana e a sua decisão de exiliar-se definitivamente. Persona non grata junto do establishment cultural cubano, acabaria por deixar Cuba e estabelecer-se em Londres.
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Zoé Valdés
Romancista, jornalista e guionista, Zoé Valdés (n.1959) é autora de uma obra que explora temas como a liberdade, o exílio, a repressão e a identidade, em obras como Pájaro Lindo De La Madrugá. Valdés cresceu em Havana, no meio das privações e do controlo apertado da ditadura castrista. O seu desejo de liberdade levou-a a pedir asilo político em França, aos 24 anos, no que seria o início de uma carreira literária frutuosa, em exílio e sempre crítica do regime castrista, espelhada no livro La Intensa Vida. Vive e publica os seus romances em Paris, mas as suas personagens são sempre cubanas. Valdés foi considerada a precursora do sucesso que os escritores cubanos gozam actualmente em todo o mundo.
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Alejo Carpentier
Além de escritor, Alejo Carpentier (1904-1980) foi jornalista, musicólogo e crítico de arte, tendo vencido importantes prémios como o Cervantes e o Médicis Étranger. Foi o criador do “real maravilhoso” – na sua opinião, é a melhor definição da idiossincrasia do continente americano –, o estilo que ficaria conhecido como realismo mágico. O Reino deste Mundo é uma das suas obras mais importantes, uma história alucinante passada na corte real haitiana do rei Henri Christophe. O livro expõe a luta pela liberdade dos povos escravizados na sociedade haitiana dos séculos XVIII e XIX, e mostra como a conquista de direitos não termina com os processos revolucionários contra os poderes e impérios que subjugam outros povos.
Autor-diplomata, grande amigo de Fidel Castro e da sua revolução, em toda sua obra Carpentier hesitou entre a tentativa de reconciliar a cultura europeia com a América pré-colombiana e o desespero de constatar impossível tal reconciliação.
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DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9788426431868 |
| Editor: | LUMEN |
| Data de Lançamento: | fevereiro de 2025 |
| Idioma: | Espanhol |
| Dimensões: | 1,500 x 230 x 23 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 376 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Espanhol
>
Literatura
>
Ensaios
|
| EAN: | 9788426431868 |
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