Fados & Desgarrados

de José Xavier Ezequiel
Editor: Campo das Letras, junho de 2007 ‧
"Um dia, era o chuvoso Outono de 98 quase no fim, calcorreava sem destino as vielas laterais por onde praticamente nunca passava e descobri quase sem querer o Novyork. O nome fisgou-me logo. Pesei durante alguns segundos se entrava ou não.
Cedo era. Ver as mesmas caras de sempre nas mesmas tascas do costume, cheias dos mesmos garotos de todos os fins-de-semana a enxofrarem-se de cerveja até à hora do último barco e do último comboio para as reluzentes periferias, também não me apetecia por aí além. Atirei-me portanto ao porteiro com um polido boa-noite. Este, fardado com o rigor de naftalina dos antigos comodoros de estação ferroviária, fez-me sentir num tribunal de polícia a responder por desacatos na via pública. Os seus olhos, onde as cataratas e a pinga haviam já desenhado milhares de minúsculas estrias vermelhazuladas, executaram um impertinente movimento de câmara desde a minha cabeça até aos meus pés.
Muito boa noite faça o favor de entrar."

Fados & Desgarrados

de José Xavier Ezequiel

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896251673
Editor: Campo das Letras
Data de Lançamento: junho de 2007
Idioma: Português
Dimensões: 134 x 208 x 33 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 224
Tipo de produto: Livro
Coleção: O Voo do Morcego
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896251673

SOBRE O AUTOR

José Xavier Ezequiel

José Xavier Ezequiel (Luanda, 1962). Depois de muitas intermitências, licenciou-se na Faculdade de Direito de Lisboa. Ao serviço da Pátria, gastou dezoito meses na infantaria e outros quatro longos anos como funcionário público. Em busca de uma vocação tardia, desde 1991 trabalhou na publicidade, em agências nacionais e multinacionais. Começou como júnior, chegou a head copy e acabou por se render à precariedade dos recibos verdes. Farto de vender detergentes, automóveis, bancos e iogurtes, começou a escrever na imprensa, mas depressa descobriu que era apenas outra esquina tão mal frequentada como a outra. Nos anos 1980 tinha editado inúmeros fanzines e colaborado noutros tantos. Foi bolseiro do Ministério da Cultura, em 1997, o que pela primeira vez lhe permitiu escrever, de forma remunerada, sem ser para agradar ao cliente que paga os anúncios e as revistas onde são publicados. Por falar nisso, publicou o romance Fados & Desgarrados, Campo das Letras, 2007, e o folhetim eletrónico Futurabold 2.0, entre 2009-10. Belos tempos. Para ajudar nas despesas, dava música, da mais variada, em bares da Grande Lisboa, sobretudo na Margem Sul. Como ensina o Eclesiastes, tudo tem o seu tempo. As saudades só servem para serem mortas. E as mágoas para serem afogadas. Com muito gelo.

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