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Fadários

de José Xavier Ezequiel
Editor: Arranha-céus, outubro de 2021 ‧
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«Era uma vez um bairro popular (muito parecido com o Bairro Alto, em Lisboa). Havia putas às esquinas quase tão gastas como a tinta das paredes onde faziam tempo para o galão morno e a meia torrada a pingar de margarina vegetal na Leitaria Bar Nelson, havia negócios surdos com relógios de marca e tirantes de ourina catados de esticão, havia velhos quase a cair da tripeça, daqueles que se agarram apaixonadamente à bengala e se debatem com tenacidade por cada centímetro de calçada polida, e também havia velhos um pouco menos velhos que, nos intervalos da venda da lotaria e dos jornais, ainda conseguiam decifrar a cor dos reis das senas e dos duques antes de os lançarem em voo planado para o difícil aeródromo da mesinha de mármore furta-cores, bem mais preocupados em não acertar nas rodelas olímpicas de tinto benzido do que em ganhar pontos lambidos ao adversário de todas as tardes.»

Fadários

de José Xavier Ezequiel

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898980120
Editor: Arranha-céus
Data de Lançamento: outubro de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 158 x 236 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 248
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Jovem Adulto
EAN: 9789898980120

SOBRE O AUTOR

José Xavier Ezequiel

José Xavier Ezequiel (Luanda, 1962). Depois de muitas intermitências, licenciou-se na Faculdade de Direito de Lisboa. Ao serviço da Pátria, gastou dezoito meses na infantaria e outros quatro longos anos como funcionário público. Em busca de uma vocação tardia, desde 1991 trabalhou na publicidade, em agências nacionais e multinacionais. Começou como júnior, chegou a head copy e acabou por se render à precariedade dos recibos verdes. Farto de vender detergentes, automóveis, bancos e iogurtes, começou a escrever na imprensa, mas depressa descobriu que era apenas outra esquina tão mal frequentada como a outra. Nos anos 1980 tinha editado inúmeros fanzines e colaborado noutros tantos. Foi bolseiro do Ministério da Cultura, em 1997, o que pela primeira vez lhe permitiu escrever, de forma remunerada, sem ser para agradar ao cliente que paga os anúncios e as revistas onde são publicados. Por falar nisso, publicou o romance Fados & Desgarrados, Campo das Letras, 2007, e o folhetim eletrónico Futurabold 2.0, entre 2009-10. Belos tempos. Para ajudar nas despesas, dava música, da mais variada, em bares da Grande Lisboa, sobretudo na Margem Sul. Como ensina o Eclesiastes, tudo tem o seu tempo. As saudades só servem para serem mortas. E as mágoas para serem afogadas. Com muito gelo.

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