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É Letra

de Jorge Esteves
Editor: LisbonPress, maio de 2024 ‧
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(...) Se julga estar a ler uma estopada, uma maçada, sabia que isso, pelo século XVII, era um guisado de ovos com estopa que servia de remédio? Que, por esse tempo, matulão, não era o calmeirão que mora no segundo andar do seu prédio, mas sim a torcida do candeeiro quando crescia e fazia morrão? Nem sequer o guarda-redes do seu clube é uma bisarma, já que isso é um ferro de lança com duas lâminas. Isto são rabiscos? Não, rabiscos são os engaços das uvas que restam da vindima. Tricana, não, não é aquela moçoila do Choupal, dos seus tempos de estudante; é apenas o manto que ela usa. Pivete! Como? Nada disso, bem pelo contrário: até aos finais século XVIII nenhuma mulher dispensava aquela pastilhinha, ou rolo, odoríficos, que queimavam nos contadores. Isso mesmo, os pivetes! E o badameco? Coitado! Nasceu de um trocadilho popular, vade mecum (vem comigo, à letra), nome que se dava a todo o objecto de que se pode precisar em qualquer momento, que se é obrigado a ter à mão (hoje, um guia de turista, p. ex.), para acabar sinónimo de fedelho, janota ou peralvilho.

A tais florilégios de achados ainda acrescento a pintalegrete proposta etimológica para a palavra cadáver que afirma ser constituída pelas primeiras sílabas da expressão latina caro data vermibus (carne dada aos vermes), supostamente inscrita em túmulos. que nunca se viu em lado algum; mas se o imaginário popular a criou...

Acresce a todas essas naturais, por vezes inopinadas, dificuldades da dinâmica da Língua, a influência dos modismos de cada época, as alterações de grupo, região ou sociedade, o tom, a traça, a variedade da expressão que, em determinados casos, amplifica o custo e o embaraço na demanda.

Beati sunt Lusitani, apud quos vivere est bibere, traduzindo, felizes são os Lusitanos, para os quais viver e´ beber, (já) diziam os romanos.

Sem perceberem bem o entretom do dialecto e da fonética de algumas regiões da Hispânia Gallaecia, um pouco mais a norte, sim, da Lusitânia... (...)

É Letra

de Jorge Esteves

Propriedade Descrição
ISBN: 9789893775745
Editor: LisbonPress
Data de Lançamento: maio de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 149 x 233 x 30 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 414
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789893775745

SOBRE O AUTOR

Jorge Esteves

Com vários estudos e crónicas publicados, nas áreas de História, Cultura Popular e Etimologia, também se dedica à escrita de ficção em contos e memórias.

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