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Dor Fantasma

de Rafael Gallo
Editor: Porto Editora, março de 2023 ‧
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Rômulo Castelo, um pianista virtuoso, dedica-se inteiramente a buscar a perfeição na sua arte e, todas as manhãs, ao acordar, fecha-se na sua sala de estudos. Por trás da porta blindada, que também o distancia de um casamento problemático e de um filho que jamais corresponderá aos seus ideais de excelência, ensaia aquela que é considerada a peça intocável de Liszt, o Rondeau Fantastique. Em breve, Rômulo irá oferecer a sua genialidade ao mundo, numa tournée pela Europa que o sagrará como o maior intérprete daquele compositor. A vida, porém, tem outros planos e, de um dia para o outro, incapaz de se reinventar na adversidade, Rómulo vê fugir-lhe aquele que julgava ser o seu lugar por direito no pódio do mundo.
Partitura de dor, este romance de Rafael Gallo, vencedor do Prémio Literário José Saramago 2022, vem dar a conhecer ao público português um autor que promete deixar a sua marca na literatura contemporânea.

Romance inquietante com música dentro, e também dor e desespero. A ânsia de alcançar a perfeição cruza-se com todas as fragilidades humanas. Uma leitura que prende. Absolutamente.

Pilar del Río

A mão de Rafael Gallo […] é mão cirúrgica, aplicando incisões seguras e sábias, é mão de pintor, na pincelada criativa e intencional, é mão de maestro segurando a batuta e guiando a orquestra num crescendo de som e fúria a culminar no magistral desenlace do romance.

Bruno Vieira Amaral

Uma escrita e uma história que carregam dor, mas também ironia e uma certa alegria que paira, apesar de tudo, por ali, como um outro fantasma, benigno, na sala.

Gonçalo M. Tavares

Dor Fantasma é um belíssimo romance […]. O cruzamento entre a música, a literatura e a fragilíssima condição humana (representada, neste livro, pelo atavismo) é absolutamente brilhante.

João Tordo

Estamos em presença de um texto seguro, que guia quem lê por caminhos que provocam diversas reflexões contemporâneas e de todos os tempos, como é o caso do contraste entre o humano e a arte, entre a imperfeição e o ideal.

José Luís Peixoto

Rafael Gallo tem um enorme talento, uma grande experiência narrativa e, sem dúvida, ele é um herdeiro das portas da imaginação, que Homero abriu.

Nélida Piñon

O livro de Rafael Gallo é brilhante. Este romance é ele mesmo educado, no sentido em que as feras podem ser eruditas na sua própria caçada, no rigor de sua mordida, no exercício de seus temores.

Valter Hugo Mãe

A caneta de Gallo, confundida com uma batuta, guia a história por caminhos intensos e audíveis. Um livro feito numa autêntica trilha sonora clássica. E, repito, o autor brasileiro consegue tudo nesta obra. Transforma acontecimentos corriqueiros em narrações profundas. Sentem-se as ironias do autor perante a figura de Deus e pressente-se, ao longo de todo o livro, a frágil condição humana a acompanhar toda a música das palavras.

João Carvalho, Diário do Alentejo

"Por trás de uma porta blindada, Rômulo Castelo, um pianista virtuoso, dedica-se a buscar a¿perfeição na¿sua arte, ensaiando obsessivamente aquela que é¿considerada a¿peça intocável de¿Liszt, o Rondeau Fantastique. Numa existência que se resume à busca da excelência não há espaço para o erro e tudo o resto, incluindo os laços familiares, é relegado para segundo plano. Até que, de um dia para o outro, tudo muda e Rômulo vê fugir-lhe aquele que julgava ser o seu lugar por direito no pódio do mundo.
Ao terceiro livro, Rafael Gallo estreou-se em Portugal vencendo o Prémio Literário José Saramago com rasgados elogios da crítica. Como notou Pilar del Río, este é um "romance inquietante com música dentro, e também dor e desespero. A ânsia de alcançar a perfeição cruza-se com todas as fragilidades humanas."
Dor Fantasma é um murro no estômago, um livro do qual não se sai igual. E não é essa afinal a marca de toda a grande literatura?"

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«A escrita é um movimento que volta sempre para dentro» – Entrevista a Rafael Gallo

Rafael Gallo, autor premiado e conhecido pela sua habilidade em narrativas curtas e introspectivas, partilha com os leitores um percurso fascinante que cruza a música e a literatura. Formado em música para TV e cinema, Gallo encontrou na escrita uma nova forma de expressão criativa. O autor de obras como Rebentar e Dor Fantasma reflete sobre as dificuldades de ingressar no mundo editorial, a inspiração que encontrou em grandes clássicos como José Saramago e Guimarães Rosa, e a relação pessoal com suas personagens, onde revela um pouco de si mesmo.
Nesta entrevista, Gallo fala também sobre os desafios de romper a rigidez de suas histórias como tem vindo a repensar sua relação com a escrita. Um diálogo profundo sobre o papel do íntimo na literatura e o equilíbrio entre o silêncio, a música, e a palavra escrita.

Formaste-te e trabalhaste em música para tv e cinema. O que te levou a dar o salto para a escrita?
Desde que me conheço, tenho um impulso criativo. A maneira de expressar essa criatividade mudou ao longo do meu crescimento, mas todas as artes mexem comigo. A literatura chamou-me por causa do gosto pela leitura – quis contribuir com a minha parte, e comecei a escrever quase como uma atividade de lazer, sem pretensão nenhuma. Mas depois comecei a olhar para a escrita como uma aprendizagem para a qual eu não tinha muita habilidade, mas que, com prática, podia melhorar. E foi o que fiz, até ao ponto em que comecei a escrever textos que realmente achava que podiam estar num livro, que eu gostaria de ler. Acho que essa é a grande referência. E, a partir daí, a escrita começou a desenvolver-se. Rafael Gallo, Foto © Wilian Olivato Houve algum autor que tenha ajudado a moldar o teu caminho enquanto escritor?
Sim, houve muitos, sobretudo os clássicos. Eu conhecia muito pouco da literatura contemporânea, o que acho que é um problema cultural no Brasil, onde esta está muito fora da circulação central. A única figura viva que eu conhecia era o José Saramago. Ele foi uma grande influência, juntamente com os clássicos que já lia como Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Machado de Assis. Esses foram os primeiros nomes que ajudaram a semear a minha escrita.   «O Prémio Saramago [atribuído a Dor Fantasma] salvou-me e resgatou a minha confiança.» Enfrentaste alguns desafios para conseguires publicar o teu primeiro livro. Foi difícil?
Sim, sobretudo porque não sabia como funcionava o sistema editorial. Já estava quase a desistir, mas acabei por ganhar o Prémio Sesc, no Brasil, em que o vencedor vê o seu inédito publicado por uma grande editora. Esse foi o início. Nesse momento, percebi: «Aparentemente, sou um escritor.» Deve ter sido um momento marcante.
Sim, foi uma realização. Vivi aquele drama de um artista que ainda não encontrou o seu lugar. Ficas na dúvida se o que pensas sobre ti mesmo faz sentido ou se é uma grande loucura. Quando vem esse reconhecimento, é uma afirmação de que, afinal, não estás louco. Aquilo que vês em ti mesmo pode ser visto por outras pessoas e validado – é um acordo com o público.

O que te dá mais prazer escrever: contos ou romances? E que desafios apresenta cada género para ti?
São duas coisas bem diferentes, com desafios e recompensas distintas. No caso dos contos, mesmo que não saiba exatamente como vão terminar, ficam num certo espaço circunscrito que quase dá para ver na totalidade desde o início.
O romance é diferente. No início, a sensação é como se estivesse a conduzir na estrada com nevoeiro. Vês só um pouco à tua frente, sabes que ainda tens muito que andar, mas não consegues imaginar o que vem a seguir. O romance permite explorar muito mais o terreno de uma história. Em Rebentar, que é sobre a mãe de um filho desaparecido, teria de escolher algum elemento que representasse esse filho – poderia ser o quarto dele, a casa, ou os retratos na casa. Vencida essa primeira ansiedade, é bastante recompensador. Podemos encontrar um pouco de ti no protagonista de Dor Fantasma?
Eu queria falar de uma determinada pessoa, mas não queria chamá-la pelo nome, porque isso seria quase ofensivo. Então, a personagem acaba por ser uma mistura de várias figuras com as quais convivi. Mas também tem muito do que essas figuras deixaram em mim. São, de certa forma, fantasmas com os quais também batalho. Há aquela velha história do «Emma Bovary c’est moi» e, nessa mescla de várias pessoas, há um pouco de mim no Rômulo, assim como na Marisa, no Franz e na Ângela. Acho que, em todas as personagens, alguma coisa minha acaba por entrar.

É verdade que, como disse Pilar del Río, Dor Fantasma representou para ti um novo começo?
Sim, é verdade, especialmente por causa do Prémio Saramago e por ter a Pilar a falar sobre um livro meu, e por todo esse novo universo que se abriu para mim. Aqui em Portugal, Dor Fantasma, foi o meu primeiro livro e representou aquele momento em que fui apresentado enquanto autor.

Precisavas deste reconhecimento e do apoio do mundo editorial para não desisitires de escrever, recuperares a auto-confiança?
Esse livro marcou um recomeço para mim, em vários sentidos. Acabei de escrevê-lo pela primeira vez no final de 2019. Depois, veio 2020 com a pandemia, e o livro foi recusado por alguns editores. Nesse período, tive uma crise pessoal imensa. A minha vida passou por várias transformações, e senti que tinha perdido a minha relação com a escrita. Felizmente, o prémio salvou-me e resgatou a minha confiança. Se não tivesse ganho o prémio, Dor Fantasma teria grandes chances de ir parar ao lixo, o que é estranho pensar agora.   «Para mim, a escrita é sempre um movimento que volta para dentro.» Dor Fantasma foi editado novamente. Por que foi importante alterá-lo?
Saí do período da pandemia a sentir que o que escrevi já não refletia o que sinto e penso. Reescrevi Dor Fantasma para o prémio, para que essas histórias refletissem essa mudança, o que fez uma grande diferença no livro, especialmente em relação à rigidez do Rômulo, tema central da história. Percebi que a narrativa era rígida e tive de aprender a quebrar isso em mim primeiro, e depois na história, nos diálogos, nas situações íntimas da casa, do Rômulo com o filho. Há momentos no livro em que se respira por contraste, essa austeridade é muito presente, mas há também um equilíbrio entre o que há de bom e de mau. Acho que, ao longo do livro, conseguimos perceber que, na vida, podemos ser mais flexíveis, mais tolerantes connosco mesmos. Os teus romances são sobretudo introspectivos. O nosso íntimo domina sempre a nossa existência?
Acredito que sim. Às vezes leio escritores que fazem grandes analogias com a história, com a filosofia, entrecruzando ideias, e sinto uma certa inveja, porque o meu pensamento não funciona assim. Para mim, é sempre um movimento que volta para dentro. Mesmo que eu escreva sobre algo político ou social, como um governo ditatorial, provavelmente focaria no íntimo dessa figura. Quero explorar o que um tirano pensa quando está sozinho, por exemplo, no banho, sem o poder e a influência que o rodeiam.

Que livro estás a ler neste momento?
Acabei de terminar O Perigo de Estar no Meu Perfeito Juízo, da Rosa Montero, que adorei. É um livro incrível onde ela aborda a loucura, os transtornos psiquiátricos e a criatividade. Foi uma leitura que me incentivou a explorar referências externas ao livro. Ela menciona artistas, autobiografias e temas que me fizeram querer pesquisar e aprender mais, como o caso do filho de Sylvia Plath, que também se suicidou. É um livro muito inspirador.

Como vês o surgimento da nova geração de autores brasileiros?
Felizmente, houve um reavivamento, em grande parte devido às redes sociais e à internet, que nos imerge o tempo todo. Isso permitiu trocas que faltavam antes, fundamentais para a valorização dos autores contemporâneos. Mas há uma coisa que eu estranho um pouco em mim mesmo, e acho que ninguém mencionou nunca. É que, embora eu ame escrever e isso seja uma parte fundamental da minha vida, eu não sou uma pessoa que está sempre a ler, o que talvez seja um pouco inesperado para alguém que é escritor. Não que eu não goste de ler, mas sou muito seletivo com as minhas leituras e, às vezes, passo longos períodos sem ler nada, simplesmente porque não sinto vontade, preciso de pausas, para poder voltar à leitura, e à escrita, com a mente mais fresca.

E o que fazes nesses períodos em que não estás a ler ou a escrever? Tens outras paixões que te ajudam a manter esse equilíbrio?
Sim, uma delas é a música, uma parte importante da minha vida. Gosto de tocar violão, de experimentar com sons, e isso ajuda-me a expressar emoções de uma forma diferente da escrita. Além disso, sou uma pessoa que aprecia muito o silêncio e o tempo sozinho, caminhadas, meditação... Esses momentos de pausa, longe dos livros e da escrita, são tão importantes quanto os momentos de imersão nas histórias. Eles permitem que eu me reconecte comigo mesmo e com o mundo ao meu redor, e isso, de certa forma, acaba alimentando a minha criatividade quando volto a escrever.

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As Entrelinhas da Obsessão

A obsessão é um tema recorrente na literatura, que a explora sob múltiplos prismas. Em Dor Fantasma, a perda de capacidades motoras surge como catalisador de sofrimento e identidade. Lolita aborda o fascínio perturbador do desejo proibido. O Conde de Monte Cristo é um exemplo perfeito de como a ideia de vingança e de justiça pode tranformar-se numa compulsão. Em O Alienista, a ânsia pela ordem e pela razão desencadeia absurdos que expõem os limites da lógica e do poder. E em O Pintassilgo embarcamos numa viagem lancinante que alia o peso da memória ao trauma e ao apego inconsciente por uma obra de arte. O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas Poucas pessoas conhecem Edmond Dantès, mas se mencionarmos o seu outro nome, Conde de Monte Cristo, é difícil encontrar alguém que não tenha ouvido falar da sua história. Preso injustamente e privado da juventude e do amor, o protagonista do romance de Alexandre Dumas encontra no desejo de justiça o alimento para resistir. Depois de passar alguns anos na prisão, Edmond regressa à sua terra natal como um homem enigmático, dono de um carisma e de uma riqueza invejáveis, que utiliza para alimentar uma obsessão que o impele a reequilibrar o mundo à sua volta através do castigo. Ao longo da história, a vingança é apresentada como um fogo que o consome lentamente e que exige anos de preparação, cálculos e manipulações. O protagonista dedica cada gesto a essa missão como se não houvesse mais nada para além dela. O que começa como uma resposta a uma injustiça transforma-se num labirinto de obsessão em que até a bondade é contaminada. A força do romance está nesse paradoxo, a obsessão que liberta pode ser a mesma que aprisiona. Edmond Dantès vive pela vingança, mas também se perde nela, incapaz de regressar ao homem simples que um dia fora. COMPRO NA WOOK! » Dor Fantasma, de Rafael Gallo Em Dor Fantasma, de Rafael Gallo, acompanhamos o processo de desmoronamento de um homem impulsionado por uma obsessão de natureza distinta. Rômulo Castelo, um pianista brilhante, descobre no próprio corpo o seu maior inimigo. Quando se prepara para uma viagem pela Europa, onde se confirmaria como referência mundial no seu ofício, vê-se privado das mãos, intermediárias indispensáveis entre ele e o piano, parte da sua essência e do seu propósito, e mergulha numa dor física que dá lugar a outra ainda mais intensa, invisível mas insuportável. Esta ausência tem repercussões na sua própria conceção de identidade e apresenta-se como um tormento impossível de ignorar. Rômulo refugia-se na memória dos gestos, como se o piano ainda lhe pertencesse, mesmo que o corpo o tenha traído. Neste romance, a obsessão manifesta-se como uma vingança íntima, uma necessidade de reencontrar aquilo que se perdeu, ainda que essa busca possa conduzir o protagonista a um abismo. A dor torna-se uma presença concreta, e a vida, antes dedicada à perfeição da música, passa a ser governada por essa ausência insuportável. COMPRO NA WOOK! » Lolita, de Vladimir Nabokov Desde a sua publicação, Lolita inquietou leitores e desafiou normas morais, impondo reflexões sobre os limites entre arte e tabu. Humbert Humbert, personagem criada por Vladimir Nabokov, atrai o leitor para a sua mente obsessiva, onde a paixão se confunde com a manipulação e o encanto dissimula a violência. O livro perturba porque não oferece refúgio. O leitor descobre rapidamente que Humbert é um narrador pouco fiável, um dos mais célebres da literatura mundial, e deixa-se arrastar pela linguagem enquanto assiste à vida do protagonista transformar-se num ritual doentio. Humbert confunde amor com uma ideia perniciosa de posse e tem em Dolores Haze, a pré-adolescente objeto da sua obsessão, o reflexo do seu próprio delírio. Nabokov não escreveu apenas um romance, criou uma armadilha literária onde a beleza do estilo contrasta com a violência do conteúdo. À beira de completar 70 anos desde a sua primeira edição, o romance permanece envolto em polémica, não só pelo tema incómodo, mas pelo modo como obriga leitores e críticos a confrontarem-se com questões de ética, consentimento e poder. Entre acusações de escândalo e leituras que o elevam a obra-prima da literatura do século XX, continua a evidenciar como a obsessão pode corroer a integridade de um indivíduo e expor, de forma brutal, os silêncios e cegueiras de uma sociedade inteira. COMPRO NA WOOK! » O alienista, de Machado de Assis Machado de Assis brinca com a noção de obsessão em O Alienista através da figura do Dr. Simão Bacamarte. O médico, convencido de que deve estudar a loucura, acaba por transformar toda a sua cidade num verdadeiro laboratório. A obsessão pelo diagnóstico ultrapassa a ciência e converte-se em tirania, num delírio mascarado de racionalidade. Tudo pode ser interpretado como sintoma: a alegria excessiva, a tristeza discreta, a virtude ou o vício. A lógica do alienista é viciosa e, quanto mais avança no seu propósito, mais se enreda na própria obsessão. A sátira de Machado de Assis revela como a busca pela verdade absoluta pode levar à arbitrariedade e como a linha entre razão e loucura se dissolve quando o poder é movido pelo fanatismo. A Casa Verde, que deveria acolher doentes, transforma-se numa metáfora de uma sociedade dominada pela obsessão científica e política. No fundo, o próprio Bacamarte encarna o que mais persegue, o delírio sem fim. COMPRO NA WOOK! » O Pintassilgo, de Donna Tartt Em O Pintassilgo, romance de Donna Tartt vencedor do Pulitzer em 2014, a obsessão nasce da perda. Theo, ainda criança, sobrevive a uma explosão que lhe rouba a mãe e, no caos, agarra-se a um quadro, O Pintassilgo, como se fosse uma tábua de salvação. A pintura transforma-se numa presença silenciosa que acompanha todas as etapas da sua vida, tornando-se um símbolo da beleza intocável e da dor impossível de esquecer. Tartt constrói um romance em que a obsessão não se limita ao quadro, mas se estende ao peso da memória, à culpa e ao desejo de encontrar sentido no acaso trágico. Theo tenta viver, mas cada relação e cada decisão são marcadas pela sombra do quadro e pelo trauma inicial. A pintura, pequena e frágil, adquire uma dimensão mítica que o guia e aprisiona. A narrativa revela como a arte pode ser um refúgio e uma prisão, um lugar onde a beleza e a obsessão se confundem até se tornarem inseparáveis. COMPRO NA WOOK! » Veja aqui o trailer de O Pintassilgo, o filme de cinema nascido do livro Cada um destes livros demonstra que a obsessão na literatura não serve apenas para ilustrar um traço psicológico, é um instrumento narrativo poderoso que interroga a ética, a identidade, a memória e a própria natureza da experiência humana.

Dor Fantasma

de Rafael Gallo

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-0-03638-4
Editor: Porto Editora
Data de Lançamento: março de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 235 x 21 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 280
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 978972003638411
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Um livro-concerto

Ana D.

Escrita inteligente, com um vocabulário muito rico. Personagem principal complexa e fascinante que acompanhamos na sua (nossa enquanto humanidade?) busca, paranóica, pela perfeição. Uma interessante reflexão sobre a fragilidade humana.

Superação da dor e dos traumas

Tiago

Dor Fantasma do Rafael é uma história profunda e intimista que explora o luto e a dor de maneira extremamente humana. Foi um livro comovente que misturou delicadeza e uma espécie de crueza poética para descrever o vazio deixado pela perda. Sem querer desvendar demasiado, a protagonista, Helena, perdeu a perna e, simbolicamente, também perdeu partes de si mesma e de sua identidade. O que Gallo faz de forma belíssima é entrelaçar essa dor física — a chamada "dor fantasma" — com as questões emocionais não resolvidas de Helena, oferecendo uma metáfora para como todos nós lidamos com traumas e ausências, o que inevitavelmente acontecerá na vida.

Magistral

Rita Marques

Uma obra magistral que me deixou, muitas vezes, sem palavras. Doce e dura mas muito bem escrita

O Bom é inimigo da Perfeição

Ana Ávila

Este livro é brutal e é assutador entrar na cabeça de um perfeccionista. Não conseguia parar de ler.

Prêmio Saramago merecido

luciabooksnstuff

Rômulo Castelo é um pianista brilhante e o melhor executante da obra de Liszt, mas também é uma besta insensível que só vive para a música e a sua perfeição. A vida profissional corre bem, mas tudo muda num instante. A partir daí, o seu carácter narcisista e revoltado só piora. Esta obra trata de forma eximia fragilidade humana, o que os acontecimentos da vida nos fazem, a (in)capacidade de lutar, de ver o que está e quem está à nossa volta. A parte final é um "murro no estômago", chegando a ser chocante. Rômulo é uma personagem repulsiva, mas será justo tudo o que lhe acontece? Não criamos uma certa empatia de redenção? É uma obra excecional que vale muito a pena ser lida. Prémio Saramago muito bem entregue!

Intenso. Recomendo

Mário Cordeiro

Nem sempre as histórias de vida são felizes. Sabemos isso no quotidiano. Esta história é +ingente, e faz-nos pensar que todos os actos têm a sua razão de ser, independentemente do juízo ético que possamos fazer deles. Somos assim, e o que fazemos do nosso temperamento depende das nossas escolhas, e é essa a nossa verdadeira liberdade, Dramático, ora sentimos empatia pela personagem principal, ora a detestamos. É esse o segredo de um grande livro.

Dor constante

Ana Rita Ramos

Este livro marca-nos pela dor que surge nos acontecimentos. O escritor tem um claro domínio da escrita e um enorme conhecimento musical. A história é original, embora eu ache que certas partes se tornam monótonas. Quanto à personagem principal, Rómulo Castelo, devido às suas atitudes e à forma como trata os outros não me deu oportunidade de criar empatia.

Avassalador

AllbyMyShelves

Livro tremendamente bem escrito, mas que nos deixa com uma dolorosa sensação de não redenção. Já "conheci" muitos personagens cinzentos...Complexos! Difíceis! Mas nunca me tinha deparado com a escuridão de um Rômulo Testemunhar a queda de um génio execrável e egocêntrico até então em ascensão, marcou-me enquanto leitora. Por um lado, há a esperança de, em algum momento, derivado às vicissitudes da sua situação, que o nosso protagonista se possa retratar. Por outro, a enorme angústia de nunca isso podermos testemunhar. Parabéns Rafael Gallo que bem entregue está o Prémio José Saramago de 2022! Que livro Avassalador

O Personagem!

Joana G.

Esta foi a minha estreia com Rafael Gallo e ainda estou maravilhada com a sua capacidade descritiva e com este personagem, Rômulo Castelo, a malvadez e presunção em pessoa. Recomendo vivamente que leiam.

Dor constante

Ana Rita Ramos

Sofremos ao longo da história com os acontecimentos que vão tendo lugar. O escritor tem um claro domínio da escrita e um enorme conhecimento musical. A história é original. Devido às atitudes de Rómulo Castelo, o protagonista, não consegui criar empatia com ele.

Um escritor a seguir

Sandra Fernandes

Leitora fervorosa de Saramago, tenho descoberto grandes obras escritas pelos seus "herdeiros". Comprei este livro do mais recente galardoado com o Prémio Saramago assim que saiu e li-o em poucos dias, é difícil parar. Uma história sobre uma dor lancinante, não tento física, mas da alma, muito bem descrita. Um final arrepiantemente inesperado.

Dor Fantasma.

João S.

Um livro incrível. Expõe brilhantemente as nossas fragilidades enquanto seres humanos. De como a busca incessante e irracional pela perfeição nos pode tornar autodestrutivos. Uma leitura permanentemente angustiante e inquietante. E também é disso que se faz um grande livro como o é Dor Fantasma!

Perturbador

SQ

Uma leitura diferente, muito dolorosa e incrivelmente perturbadora.

SOBRE O AUTOR

Rafael Gallo

Rafael Gallo nasceu em São Paulo, no Brasil, onde publicou o romance Rebentar (2015), vencedor do Prémio São Paulo de Literatura e já publicado pela Porto Editora, e Réveillon e outros dias (2012), livro de contos vencedor do Prémio Sesc de Literatura. Tem ainda diversos textos em antologias e coletâneas, incluindo publicações em países como França, EUA, Cuba, Equador e Moçambique. Com Dor fantasma, foi laureado vencedor do Prémio Literário José Saramago 2022. Atualmente reside em Portugal.

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