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Discutindo Autonomia Relativa com Professores

A Indisciplina Como (Contra)Argumentos

de Luiza Cortesão
Editor: LivPsic, novembro de 2012 ‧
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"Chamada "crise da educação" justifica que, em diferentes perspectivas, se multipliquem trabalhos que têm vindo a ser feitos sobre problemas que se enfrentam neste campo. Vivem-se actualmente tempos perturbados que, assumindo formas mais ou menos violentas, se fazem sentir em muitos países e em diferentes zonas do globo. Esta crise, que tem significativos reflexos também na semi-periferia europeia como Portugal, tem curiosos efeitos nas relações que cada sociedade estabelece com a educação. Os processos educativos, denunciados pelos trabalhos desenvolvidos no quadro das Teorias da Reprodução, como tendo um funcionamento que se articula com a manutenção da sociedade estratificada são, neste contexto de crise social, objecto de uma crítica que, curiosamente, parece ir no sentido contrário. A escola é agora descrita, por alguns, como incapaz de produzir nos alunos as competências necessárias às exigências de um mercado de trabalho e do domínio da(s) tecnologia(s). "

Discutindo Autonomia Relativa com Professores

A Indisciplina Como (Contra)Argumentos

de Luiza Cortesão

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898148599
Editor: LivPsic
Data de Lançamento: novembro de 2012
Idioma: Português
Dimensões: 153 x 231 x 7 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 149
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Ensino e Educação > Políticas Educacionais e Administração Escolar
EAN: 9789898148599

A Reprodução Social revisitada: a escola pode fazer a diferença

Luís Santos

Em 1970, Bourdieu e Passeron, dois conhecidos e influentes sociólogos franceses, publicaram uma importante obra, "La Reproduction. Éléments pour une théorie du système d'enseignement", onde evidenciavam o papel do sistema de ensino na reprodução social, contribuindo a escola, ao contrário de algumas perspectivas optimistas do pós-guerra, para que os filhos permanecessem na mesma classe social dos pais, e para o acentuar das desigualdades. Estes factos vieram a ser amplamente confirmados por toda a investigação posterior, incluindo em Portugal, sendo hoje reconhecido que um dos aspectos determinantes no sucesso escolar é o nível de habilitações dos pais, o que está, em geral, relacionado com o seu nível socioeconómico. Esta é, aliás, uma das explicações (parciais) para a tão mediatizada posição do ensino privado nos resultados dos exames. Mas diversos autores, também desde há bastantes anos (ex.: Stoer & Magalhães), sem porem em causa a tese de fundo de Bourdieu e Passeron, vêm contestando o carácter determinístico dessa reprodução. A ser aceite esse determinismo, a escola estaria de pés e mãos atados e, por mais que fizesse, não deixaria de ser parte dessa engrenagem de promoção das desigualdades. Este é, aliás, um argumento recorrente em escolas e professores que procuram desculpas para a sua passividade na matéria, remetendo para causas exógenas todos os problemas de insucesso dos alunos e a incapacidade de a escola compensar as condições de partida. O que Luiza Cortesão, pessoa com larga experiência e obra na área da Educação, nos vem dizer é que a escola pode mesmo fazer a diferença, que pode ser cómodo, mas não é sério, imputar todos os problemas ao meio, às famílias, às condições de habitação, à pobreza, etc. A escola, dependendo das decisões e orientações dos seus elementos, pode contribuir fortemente para atenuar ou inverter as fragilidades de partida. Se o fará, ou não, dependerá, obviamente, de políticas educativas centrais, mas também das direcções das escolas e dos seus professores. Luiza Cortesão relata e discute, neste trabalho, a investigação realizada em torno da questão da indisciplina e dos procedimentos adoptados pelas escolas neste campo, focando-se, em especial, nos alunos dos crusos CEF. A autora analisa a resposta de professores num escola concreta, a propósito de um processo formativo sobre a temática da indisciplina, e mostra como passos positivos podem ser dados quando se criam oportunidades de reflexão e partilha. Esta experiência poderá, sem dúvida, ser inspiradora para todos e todas que queiram contribuir para a mudança da escola.

SOBRE O AUTOR

Luiza Cortesão

Atualmente Professora Emérita da Universidade do Porto, é Professora Catedrática Jubilada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), onde, para além de investigadora do Centro de Investigação e Intervenção Educativas, é Presidente da Direção do Instituto Paulo Freire de Portugal e Coordenadora do Centro de Recursos Paulo Freire. Desenvolve vários projetos de investigação e intervenção, sobretudo na área da educação e diversidade cultural. Para além de colaborar com centros de investigação e universidades brasileiras, realizou, como consultora da UNESCO, missões nos PALOP, nomeadamente em Moçambique, Cabo Verde, Angola e São Tomé. Tem publicado livros e artigos em revistas nacionais e internacionais. Foi agraciada, pelo então Presidente da República Dr. Jorge Sampaio, com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública.

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