Discutindo Autonomia Relativa com Professores
A Indisciplina Como (Contra)Argumentos
SINOPSE
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789898148599 |
| Editor: | LivPsic |
| Data de Lançamento: | novembro de 2012 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 153 x 231 x 7 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 149 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Ensino e Educação
>
Políticas Educacionais e Administração Escolar
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| EAN: | 9789898148599 |
OPINIÃO DOS LEITORES
A Reprodução Social revisitada: a escola pode fazer a diferença
Luís Santos
Em 1970, Bourdieu e Passeron, dois conhecidos e influentes sociólogos franceses, publicaram uma importante obra, "La Reproduction. Éléments pour une théorie du système d'enseignement", onde evidenciavam o papel do sistema de ensino na reprodução social, contribuindo a escola, ao contrário de algumas perspectivas optimistas do pós-guerra, para que os filhos permanecessem na mesma classe social dos pais, e para o acentuar das desigualdades. Estes factos vieram a ser amplamente confirmados por toda a investigação posterior, incluindo em Portugal, sendo hoje reconhecido que um dos aspectos determinantes no sucesso escolar é o nível de habilitações dos pais, o que está, em geral, relacionado com o seu nível socioeconómico. Esta é, aliás, uma das explicações (parciais) para a tão mediatizada posição do ensino privado nos resultados dos exames. Mas diversos autores, também desde há bastantes anos (ex.: Stoer & Magalhães), sem porem em causa a tese de fundo de Bourdieu e Passeron, vêm contestando o carácter determinístico dessa reprodução. A ser aceite esse determinismo, a escola estaria de pés e mãos atados e, por mais que fizesse, não deixaria de ser parte dessa engrenagem de promoção das desigualdades. Este é, aliás, um argumento recorrente em escolas e professores que procuram desculpas para a sua passividade na matéria, remetendo para causas exógenas todos os problemas de insucesso dos alunos e a incapacidade de a escola compensar as condições de partida. O que Luiza Cortesão, pessoa com larga experiência e obra na área da Educação, nos vem dizer é que a escola pode mesmo fazer a diferença, que pode ser cómodo, mas não é sério, imputar todos os problemas ao meio, às famílias, às condições de habitação, à pobreza, etc. A escola, dependendo das decisões e orientações dos seus elementos, pode contribuir fortemente para atenuar ou inverter as fragilidades de partida. Se o fará, ou não, dependerá, obviamente, de políticas educativas centrais, mas também das direcções das escolas e dos seus professores. Luiza Cortesão relata e discute, neste trabalho, a investigação realizada em torno da questão da indisciplina e dos procedimentos adoptados pelas escolas neste campo, focando-se, em especial, nos alunos dos crusos CEF. A autora analisa a resposta de professores num escola concreta, a propósito de um processo formativo sobre a temática da indisciplina, e mostra como passos positivos podem ser dados quando se criam oportunidades de reflexão e partilha. Esta experiência poderá, sem dúvida, ser inspiradora para todos e todas que queiram contribuir para a mudança da escola.
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