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Delírio Animal

de João Habitualmente; Ilustração: Helder de Carvalho
Editor: Editora Exclamação, agosto de 2024 ‧
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Esquilo

Os animais de grandes dentes são especialmente importantes para a biodiversidade. O caso flagrante é o do elefante, que tem uns dentes que não lhe cabem na boca, uma tromba que não lhe cabe no nariz e umas orelhas que não lhe cabem na cabeça. Com tais excessos, acabou por faltar material para a cauda. O castor e o pernalonga são importantes dentuços.

Mas concentremos a atenção no esquilo, dado que é um caso raro de dissimulação dentária: não lhe vemos os dentes, mas perfura madeira com a facilidade do parafuso. Além disso, é o único ser vivo a quem deu Deus as nozes porque tinha dentes. O esquilo tem sido vítima de abuso: explorado intensivamente pelas histórias infantis devido ao seu aspeto patusco, posto a ridículo pela Disney através dos lamentáveis Tico e Teco, é no entanto introvertido e detesta banda desenhada. Devemos dar sempre de comer ao esquilo. Esquilo que não come fica esquálido. Mas há que calibrar com precisão a quantidade: se 100 gramas é aceitável, já um quilo é muito para o esquilo. Um esquilo emagrecido fica todo pelo e osso - um esquileto. Especialmente adaptado às regiões das grandes neves, esquia o esquilo com a mesma facilidade com que come avelãs, denotando um excecional esquilíbrio. Dotado de grande resistência, movimenta-se por um território arborícola de dezenas de esquilómetros quadrados. Quando retirado deste seu habitat adoece mentalmente e fica esquilofrénico. Não devemos, por isso, levar os esquilos para casa, até porque não servem para nada.

Delírio Animal

de João Habitualmente; Ilustração: Helder de Carvalho

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899214064
Editor: Editora Exclamação
Data de Lançamento: agosto de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 142 x 210 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 132
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ensaios
EAN: 9789899214064

SOBRE O AUTOR

João Habitualmente

Luís Fernandes nasceu no Porto em 1961. Psicólogo, é professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, onde dirigiu durante vários anos o Centro de Ciências do Comportamento Desviante, que lançou em Portugal esta área de especialidade. Foi distinguido em 1998 com o prémio Fernand Boulan da Association Internationale de Criminologues de Langue Française e em 2014 com o Prémio de Excelência Pedagógica da Universidade do Porto. É membro das comissões de ética da Ordem dos Psicólogos e da Universidade do Porto.
Realizou, durante cerca de 20 anos, investigação etnográfica em bairros sociais periféricos conotados com o «mundo da droga». Em meados dos anos 90 ajudaria a fundar o Observatório Permanente de Segurança do Porto, responsável pelos primeiros estudos sistemáticos sobre o sentimento de insegurança no nosso país.
Desde há cerca de uma década redirecionou os seus interesses, desenvolvendo investigação no cruzamento da psicologia corporal com a sociologia do corpo.
Publicou mais de 130 títulos, entre revistas científicas nacionais e internacionais, capítulos em obras coletivas e livros. Com colaboração frequente na imprensa, foi cronista-residente nos jornais O Comércio do Porto e Público. Com o nome literário de João Habitualmente tem mais de dez livros publicados, do diário ao conto, da microficção à poesia. Em 2021, publicou na Contraponto As Lentas Lições do Corpo – Ensaios Rápidos Sobre as Ligações entre o Corpo e a Mente.

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