De Quatro
SINOPSE
Uma artista californiana, que vive com o marido e uma criança num bairro de classe média em Los Angeles, planeia passar duas semanas em Nova Iorque. Terá exposições e espetáculos para ver, contactos a fazer, reuniões de trabalho e encontros com amigos. Com a quantia avultada de um prémio que acaba de ganhar, reserva um quarto num dos melhores hotéis da cidade e, depois de uma conversa durante uma festa, resolve fazer a viagem não de avião, mas de carro.
Não tendo avançado na viagem mais do que meio estado, ou trinta minutos depois de sair de casa, a nossa heroína sai da autoestrada para abastecer num lugarejo de província, e acaba a prolongar a sua estada, dia após dia, indefinidamente, no quarto de um motel que ela redecora e transforma - num ninho de amor? Numa obra de arte?
O que terá dado origem a esta bizarra decisão? Nem ela sabe. Terá sido o olhar trocado com um rapaz na bomba de gasolina? De Quatro é um romance rítmico, maravilhosamente lúcido e divertido e uma reinvenção terna da vida sexual, da vida romântica e da vida doméstica. July «rapta» o que nos é familiar e torna-o numa coisa nova, exaltante e profundamente viva.
CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Histórias divertidas e inteligentes, com momentos de total tristeza nas suas narrativas mais profundas e sofisticadas.»
The New York Times Book Review
«Com De Quatro, as leitoras na perimenopausa têm finalmente o seu próprio O Complexo de Portnoy. Mas mesmo esta comparação não capta o imediatismo da prosa de July, o seu timing infalível, o seu sentido palpável de performance.»
Washington Post
«Mostra os poderes de observação irónicos de July sobre o casamento, o sexo, o envelhecimento e o workaholism criativo, além do seu sentido de humor obsceno e filosófico.»
San Francisco Chronicle
BLOG WOOKACONTECE
Os livros também têm estações? – Outono e inverno
Continuamos a viagem literária pelas quatro estações da alma – porque nem todos os livros se leem da mesma forma o ano inteiro, e alguns só revelam a sua plenitude quando escolhidos no tempo certo. Esta semana, olhamos para o outono e o inverno.
OUTONO – INTROSPEÇÕES, PERDAS, NOSTALGIA
Tao, de Osho
Há caminhos que se percorrem com os pés, e há outros que só se percorrem quando deixamos de caminhar. O taoismo é isso: o caminho que não se força, o movimento que acontece sem esforço, a sabedoria de deixar a vida fluir. Neste livro, Osho convida-nos a desaprender o controlo, a largar a rigidez do ego e a escutar os mestres que falaram a partir do vazio — Lao-Tsé, Chuang Tse e tantos outros que, sem mapas nem metas, ensinaram a arte de ser.
Com o seu estilo provocador e lúcido, Osho mostra como o Tao continua vivo — não como doutrina, mas como experiência; não como sistema, mas como entrega. O leitor não encontrará respostas prontas, mas pistas subtis e reflexões que rasgam as certezas do pensamento racional. Um livro que não ensina o caminho — mas ajudará a reconhecer o chão por onde sempre se caminhou.
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De Quatro, de Miranda July
Uma mulher sai de casa para atravessar o país — e acaba por se atravessar a si própria. Com uma mala cheia de intenções e um prémio acabado de ganhar, esta artista prepara-se para duas semanas em Nova Iorque: arte, encontros, vida cosmopolita. Mas trinta minutos depois de sair de casa, faz um desvio numa bomba de gasolina — e nunca mais retoma a viagem. O que a prende naquele motel de beira de estrada, num lugar onde nada acontece? O olhar de um estranho ou talvez o cansaço do mundo que deixou para trás? Ou um desejo mais obscuro, mais íntimo, mais livre?
De Quatro é uma reinvenção radical das histórias de amor, das convenções familiares e das fugas que não parecem ter destino. Miranda July desmonta o quotidiano com humor, estranheza e uma ternura desarmante, criando uma narrativa em que tudo — o corpo, a arte, o desejo e a maternidade — se reinventa à margem. É literatura que não pede licença para sair da estrada; uma viagem sem mapa, na qual o absurdo e a beleza caminham lado a lado. Uma história sobre o que acontece quando se para… e, finalmente, se começa a viver.
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O Problema Final, de Arturo Pérez-Reverte
Um crime à moda antiga, uma ilha isolada, um ator que já foi detetive — no cinema. Quando Edith Mander é encontrada morta no pavilhão da praia, tudo parece apontar para o suicídio. Mas nada é o que parece, sobretudo numa ilha onde nove pessoas ficaram presas por uma tempestade, sem saída nem comunicação com o mundo exterior. Entre elas está Hopalong Basil, um ator britânico que já foi a cara de Sherlock Holmes no grande ecrã. E é com esse olhar treinado, meio fingido, meio verdadeiro, que começa a decifrar o que os outros não veem: os gestos impercetíveis, as mentiras bem contadas, o pormenor que trai.
O Problema Final não é apenas mais um romance policial: é uma homenagem engenhosa ao género, um jogo subtil entre a realidade e ficção, em que Arturo Pérez-Reverte desafia o leitor a resolver o enigma antes que as cortinas se fechem. Um livro que pisca o olho a Agatha Christie, que honra Conan Doyle — e que transforma o leitor no verdadeiro adversário do crime. Porque, no fim, o verdadeiro mistério é este: será que queremos mesmo saber quem matou Edith Mander?
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INVERNO – SOLIDÃO, SILÊNCIO, ESPIRITUALIDADE, CLÁSSICOS DENSOS
José Matias, de Eça de Queiroz
José Matias já nasce morto — pelo menos, para o mundo dos vivos. É numa bela tarde lisboeta que se realiza o seu enterro, e é nessa luz irónica que começa esta narrativa, conduzida por um professor de Filosofia que o recorda com um misto de perplexidade, ternura e espanto. O que há para dizer de um homem que viveu à margem de tudo, exceto da paixão que o consumiu? E que paixão é essa que rejeita o corpo e se alimenta de ausência?
Neste conto inquietante, Eça de Queiroz dá voz a uma história de amor tão radical que ultrapassa os limites do desejo. José Matias ama com uma intensidade que se subtrai à carne, numa entrega que beira o delírio, entre a devoção metafísica e o masoquismo emocional. Mais do que amar, José Matias transcende-se — e, ao fazê-lo, destrói-se.
Com uma ironia subtil e uma inteligência precursora do pensamento psicanalítico, Eça traça o retrato de uma alma excêntrica e dilacerada, em luta com os próprios sentimentos e com a moral da sua época. O resultado é um conto breve, mas vertiginoso, no qual filosofia, loucura, amor e renúncia se entrelaçam num dos textos mais enigmáticos e fascinantes da literatura portuguesa.
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Na Gaiola, de Henry James
Num pequeno posto telegráfico londrino, uma mulher observa sem ser vista. Na Gaiola acompanha os dias de uma jovem telegrafista que, do seu posto de trabalho, assiste em fragmentos à vida de desconhecidos. Limitada ao que ouve e transcreve, e ao pouco que o olhar lhe permite captar, começa a construir hipóteses sobre as intenções e os dramas daqueles que passam por ela — especialmente um casal que lhe desperta um interesse difícil de nomear.
Henry James compõe aqui uma narrativa de grande subtileza, na qual a perceção e a imaginação caminham sem fronteiras nítidas. Através de uma escrita precisa e carregada de intenção, explora temas como o desejo, a vigilância e a exclusão social, com uma atenção particular aos matizes da linguagem e às limitações impostas pela classe e pelo género. Na Gaiola é uma reflexão sobre a distância entre o que se vive e o que se pressente — e sobre como a observação, quando privada de contexto, pode distorcer tanto quanto revela.
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Os Quatro Evangelhos, de Frederico Lourenço
Antes de serem fundamento de uma fé, os Evangelhos foram palavras escritas com simplicidade. Num grego despojado, sem ornamentos nem ambições literárias, os quatro textos que compõem esta edição deixaram uma marca na história do mundo. Lidos hoje, dois milénios depois, continuam a impressionar não só pela mensagem que transportam, mas pela força serena da sua linguagem — direta, desarmante, próxima.
Nesta nova edição bilingue, a tradução aproxima-se o mais possível da experiência textual dos primeiros cristãos, seguindo o Codex Vaticanus, o mais antigo manuscrito completo dos Evangelhos. O resultado é um regresso às origens, não só da fé cristã mas também de uma forma de narrar que combina transcendência com Humanidade. Ao lado do grego original, o leitor encontrará uma tradução rigorosa e sensível, que respeita as inflexões do texto primitivo e propõe uma leitura renovada dos Evangelhos enquanto testemunho, memória e, em muitos momentos, verdadeira literatura. Este volume é mais do que um exercício filológico. É um convite à escuta — não apenas das palavras, mas do silêncio entre elas.
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Corpos que escrevem
Escrever sobre o corpo é entrar num território movediço. O corpo é linguagem antes da linguagem: dor, desejo, vergonha, memória, tudo isto pulsa como uma gramática anterior às palavras. A literatura que se escreve a partir do corpo, e, sobretudo, do corpo que foi violentado, atravessado, transformado, não é apenas uma literatura do testemunho. É literatura que resiste, que reinventa a forma, que desconstrói o olhar. O corpo torna-se texto e testemunho: veículo de denúncia, de desejo e de transformação. Aqui estão quatro livros que pensam o corpo como campo de batalha e reinvenção.
Cada um à sua maneira (entre o fantástico e o autobiográfico, entre o manifesto e o romance intimista) evidencia como a escrita pode dar voz ao corpo e reclamar narrativas para aquilo que antes era calado ou marginalizado.
O Corpo Dela e Outras Partes, de Carmen Maria Machado
Carmen Maria Machado, na coletânea O Corpo Dela e Outras Partes, faz do corpo feminino o eixo de uma prosa que é ao mesmo tempo sombria, erótica e estranhamente luminosa. Ao longo de oito contos, a autora expõe tiranias sobre o corpo da mulher como fio condutor de histórias macabras e metafóricas. Sob uma escrita afiada, Machado mistura elementos de horror, fantasia e cultura pop para dissecar as pressões e violências sofridas pelas mulheres. Não por acaso, os seus cenários vão de vírus apocalípticos a reality shows sobrenaturais, refletindo cenários inusitados onde o fantástico amplia verdades cruas sobre género e poder.
Neste livro de contos, o corpo feminino é centro e enigma. Carmen Maria Machado escreve com um estilo que mistura horror gótico, realismo mágico, crítica social e erotismo, sempre com uma tensão latente entre o visível e o que se quer ocultar. O corpo aparece como arquivo: dos abusos, dos desejos, das expectativas sociais, mas também como máquina de invenção. Há um conto em que uma mulher começa a perder partes do corpo, uma a uma. Há outro em que uma epidemia se espalha pelo toque. A violência é tantas vezes estrutural que se torna quase invisível. Machado devolve-lhe contorno, linguagem, ritmo. Em vez de personagens, temos corpos cortados, desaparecidos, desejantes, mutantes, que nos devolvem uma realidade filtrada pelo absurdo. O corpo, em Machado, é sempre excesso: de linguagem, de medo, de desejo.
Um dos contos mais emblemáticos, O Ponto do Marido, reinventa uma fábula urbana para abordar a autonomia corporal e a violência de género. Nele, a protagonista usa permanentemente uma fita verde atada ao pescoço e adverte: ninguém deve tocá-la, nem mesmo o marido. Essa pequena proibição desencadeia a obsessão e a ira masculinas: «Porque é que queres esconder isso de mim?», confronta o marido, ao que ela responde: «Não estou a esconder nada. Só que não é teu». A fita torna-se símbolo do limite inviolável do eu, um lembrete de que nem mesmo dentro do casamento o corpo deixa de ser território próprio. O desfecho trágico do conto, com a violação desse limite que leva a consequências funestas, evidencia de forma visceral o custo da dominação masculina sobre o corpo feminino.
Esta é uma literatura de contornos góticos e feministas, que transforma dores íntimas em alegorias universais.
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Consentimento, de Vanessa Springora
Num gesto de reposição simbólica, Vanessa Springora escreve contra a narrativa que outros escreveram sobre o seu corpo. Aos 14 anos, foi manipulada e abusada por um escritor consagrado, protegido por uma cultura literária que romantizava a pedofilia sob o pretexto da liberdade artística. Este livro não é apenas um testemunho, é uma reconfiguração da linguagem: de vítima silenciosa a autora da própria história. A escrita de Consentimento é seca, precisa, dolorosamente lúcida. A grande violência, aqui, é também narrativa: quem conta a história controla o corpo do outro. Springora recusa esse controlo. Escreve. Reivindica. Desfaz a gramática do abuso.
Aqui, o corpo é o lugar da violação e da disputa narrativa. O livro de Springora é mais do que uma autobiografia: é um gesto político. Ela recupera, com precisão e contenção, a história da sua relação, ou melhor, do abuso, com um escritor francês influente, quando ainda era menor. A força deste livro está em mostrar como a violência não é apenas física, mas simbólica, linguística, social. O predador escreve antes da vítima, define os termos, conquista a empatia pública. Springora escreve para desfazer essa lógica: devolve o corpo à sua própria história. E com isso, abre espaço para outras vozes silenciadas.
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De Quatro, de Miranda Jully
No romance De Quatro, Miranda July faz da meia-idade feminina o palco de uma narrativa corajosa sobre desejo, transformação e cuidado. Com graça e ausência de pudor, July insere a menopausa, e a fase turbulenta que a antecede, a perimenopausa, como questão central, mostrando que este período pode ser uma experiência eroticamente rica. A protagonista, uma mulher de 45 anos, vê-se à beira de uma metamorfose identitária: quem é ela, agora que o seu corpo começa a mudar e os papéis de mulher e mãe já não a definem por completo?
Decidida a reivindicar liberdade, ela elabora um plano audacioso de atravessar os Estados Unidos de carro, sozinha: um gesto de independência para provar (a si e ao marido) que ainda conduz a própria vida.
Curiosamente, esta jornada física descarrila logo ao início: a poucos quilómetros de casa, ela estaciona num motel modesto e fica ali durante dias, performando uma fuga simbólica sem realmente se distanciar de casa. Esta escolha inusitada – redecorar luxuosamente um quarto qualquer, tão perto da rotina com que ela tentava romper – já sinaliza que a verdadeira viagem será interior. De Quatro reinventa, desta forma, o velho “romance de formação”: em vez de uma jovem a descobrir o mundo, acompanhamos uma mulher madura a redescobrir em quem ainda se pode tornar. E a reinvenção não segue caminhos óbvios. Pelo contrário, a maternidade permanece uma âncora terna, e o próprio casamento é tratado com nuance (afinal, como ela admite, «o divórcio... é uma ideia tão conservadora quanto o casamento»). Assim, longe de simplificações, July explora a tensão entre desejo individual e laços afetivos, entre a vontade de mudança e o conforto (ou prisão) das estruturas familiares.
O corpo em transição é o grande protagonista do romance. July aborda a perimenopausa com franqueza e humor. A protagonista sente no corpo os solavancos hormonais: ondas de calor, flutuações de humor, a ameaça da libido em declínio. Até que um encontro fortuito adiciona combustível ao seu renascimento: ela conhece um homem mais jovem, um dançarino amador, e uma atração fulminante irrompe entre dois. Curiosamente, por imposição dele (também casado), eles estabelecem limites estritos: nada de beijos ou sexo convencional, apenas abraços e toques. Esta contenção parece intensificar, em vez de diminuir, a chama que nela desperta. A narradora experimenta «o prazer furioso de desejar um corpo real e específico» pela primeira vez em muito tempo. Ela teme, por um lado, que este seja o seu “último suspiro” de volúpia antes que a menopausa chegue de vez e apague o seu fogo. Por outro lado, justamente quando se permite sentir esse desejo (mesmo sem o consumar totalmente), ela tem acesso a uma nova vitalidade. De Quatro trata o estímulo sexual como combustível, capaz de catalisar transformações. O corpo, antes fonte de insegurança e envelhecimento, revela-se também fonte de conhecimento e poder criativo.
As memórias intercaladas do livro ampliam o romance para além da experiência individual: revelam como a sociedade historicamente empurrou mulheres maduras para o silêncio ou desesperança, por incapacidade de imaginá-las desejantes e plenas. De Quatro recusa essa invisibilidade: pelo contrário, faz da menopausa um tema literário incontornável e prova que há vida após os 45. Com linguagem ágil, sarcástica e ternamente estranha (marca registada de July), o romance normaliza os tabus do corpo maduro ao mesmo tempo que desafia o leitor com situações inusitadas.
O livro celebra a liberdade feminina de se reinventar mesmo quando o mundo espera resignação; celebra a sexualidade que persiste (e até floresce) na perimenopausa; e aborda com honestidade o cuidado, de si e dos outros, necessário para atravessar as metamorfoses da meia-idade.
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Eu Sou O Monstro Que Vos Fala, de Paul B. Preciado
Este texto, inicialmente concebido como conferência para o colégio de psicanálise fundado por Lacan, é uma verdadeira performance filosófico-política. Faz sentido, por isso, propor a leitura no formato audiolivro – que pode ouvir em espanhol, na língua original em que o texto foi escrito.
Preciado recusa o lugar de paciente e assume o microfone como “monstro” pós-foucaultiano, trans, queer, dissidente. O corpo, para Preciado, é território de construção política, biotecnológica, farmacológica. Mas também é linguagem que explode as normas, que ridiculariza as autoridades, que inventa novos modos de estar. A escrita aqui é um grito lúcido, entre a filosofia e o manifesto, o testemunho e a ironia. «Sou o vosso futuro», escreve. «E estou a falar convosco».
Assume a voz do “monstro”, aquele que escapa às categorias do saber, para falar da transição de género, da medicalização dos corpos, das tecnologias de poder que moldam a identidade. Ao reivindicar a posição de “monstruoso igual”, Preciado desmonta a autoridade daqueles que rotulam e convida a uma nova epistemologia do corpo: uma em que a transição, a fluidez e o híbrido deixem de ser temidos como anomalia e passem a ser entendidos como parte legítima e luminosa da experiência humana.
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DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789895820221 |
| Editor: | Quetzal Editores |
| Data de Lançamento: | abril de 2025 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 151 x 237 x 22 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 384 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Serpente Emplumada |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789895820221 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
OPINIÃO DOS LEITORES
Ousado, divertido, sarcástico e um tanto ou quanto bizarro
Andreia Machado
É assim, não sei bem o que acabei de ler e estava aqui há já alguns minutos a tentar decidir se colocava 4 ou 5 estrelas, mas acho que é percetível pelas avaliações de outros leitores (no goodreads), de que ''De Quatro'' é um daqueles livros que ou amas ou odeias, portanto como não há meio termo, fico-me pelas cinco estrelas! Definitivamente não acredito mesmo que seja um livro para toda a gente, basta ler a sinopse para perceber que é uma história, no mínimo, com um premissa original, é demasiado louco, tem cenas um tanto ou quanto ''cringe'' ou até mesmo bizarras, com descrições sexuais bastantes cruas e explícitas, a escrita tem sempre um tom sarcástico e ousado, mas ao mesmo tempo divertido, o que me fez rir imenso e em momentos bastante inusitados da ação, mas ao mesmo tempo conseguiu emocionar-me, em especial com a relação entre mãe e filho, e claro quando ela se questiona sobre a sua liberdade, é impossível como mulher e mãe, não sentir empatia por ela. A nossa protagonista é uma artista de classe média, mais ou menos famosa e está numa fase em que se questiona sobre coisas como, o sentido da vida, satisfação pessoal, liberdade, desejo, seu casamento, a monotonia da sua vida. A autora toca em temas como a maternidade, o papel da mulher, perimenopausa e menopausa, relações monogâmicas, relacionamentos hetero e não hetero, o casamento, amizades femininas, traumas não totalmente curados, e obviamente, traz alguma crítica à sociedade patriarcal às vezes de forma simples, subtil, outros mais vincada e direta. Tudo temas que considero relevantes e necessários na literatura e que são pouco comuns. Para mim é um daqueles livros em que a brincar se fala muito a sério! E que apesar de ao ler, achar muitas vezes que a nossa protagonista é um bocado chalupa, e que se mete em situações totalmente aleatórias e sem muito sentido, no final de contas, todas as dúvidas dela são pertinentes, as suas dores, medos e anseios. Fiquei a pensar no quanto desta história será autobiográfico, senti mesmo proximidade com a autora o que me leva a crer que esta protagonista poderá ser ela, afinal de contas, nunca sabemos o seu nome ao longo do livro. Gostei muito, desta viagem transcendente de autoconhecimento da nossa artista.
Brilhante!!!
Cláudia
Uma abordagem brilhante de um romance em que os limites são sempre ultrapassados. É uma narrativa profunda com humor, inteligente e filosófico.
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