Contributo para Uma Teoria da Inconstitucionalidade

(Reimpressão da 1ª Edição de 1968)

de Jorge Miranda
Editor: Coimbra Editora, junho de 2008 ‧
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Este clássico da Justiça Constitucional continua a marcar a fase primeira dos estudos sobre a inconstitucionalidade dos actos normativos. A explicação do Autor relativamente à reimpressão e a nota preliminar de Marcello Caetano quanto à publicação originária assinalam, em termos incisivos e sucintos, a razão de ser desta obra. Acreditamos, porém, que não está tudo dito.
Em primeiro lugar, é justo salientar que não se trata de um texto "histórico" ou de uma obra perimida. Pelo contrário: as ideias defendidas quanto à garantia da constituição e inconstitucionalidade mantêm uma notável frescura doutrinária. As reflexões sobre o princípio da constitucionalidade em Portugal, sobretudo sobre o Estado Português como Estado Constitucional de Direito, revelam o inconformismo juvenil dentro de um contexto político e universitário pouco aberto a construções problematizantes dos limites constitucionais do poder.
No plano metodológico é interessante notar a coerência do Autor quando comparamos esta obra com os seus trabalhos de maturidade. A perspectiva normativo-institucionalista descobre-se já neste trabalho. O enquadramento institucional e teórico não dispensa uma particular atenção conferida aos dados normativos. Contra "ideologismos" redutores e antipositivismos acrílicos, Jorge Miranda iniciou, assim, uma rota metodológica praticamente ininterrompida. Os frutos científicos estão à vista de todos.
Por último, uma nota incidente sobre o fascínio da redescoberta dos livros através das releituras. Quem se der ao trabalho de consultar com atenção esta obra verificará que na discussão intertextual dos problemas há sempre os que lançam os caboucos da problematização. É o que acontece com a análise da "natureza jurídica dos assentos do Supremo Tribunal de Justiça". O tema foi posteriormente objecto de profundas reflexões doutrinais, de controversas decisões do Tribunal Constitucional e de alterações legislativas radicalmente inovadoras. O fermento da problematização — em sede jurídico-constitucional — encontra-se já aqui. Escreveu Marcello Caetano na nota preliminar que "Não é uma obra definitiva, mas pode ser fecunda". A estes anos de distância poderíamos acrescentar: a incompletude e não definitividade foi a abertura para a radicação entre nós de um verdadeiro Estado de direito democrático e constitucional.
Coimbra, Dezembro de 2007
José Joaquim Gomes Canotilho

Contributo para Uma Teoria da Inconstitucionalidade

(Reimpressão da 1ª Edição de 1968)

de Jorge Miranda

Propriedade Descrição
ISBN: 9720032007372
Editor: Coimbra Editora
Data de Lançamento: junho de 2008
Idioma: Português
Dimensões: 161 x 231 x 24 mm
Páginas: 304
Tipo de produto: Livro
Coleção: Clássicos Jurídicos
Classificação Temática: Livros em Português > Direito > Direito Constitucional
EAN: 9720032007372

SOBRE O AUTOR

Jorge Miranda

Jorge Manuel Moura Loureiro de Miranda nasceu em Braga a 15 de abril de 1941. É um professor de Direito e jurisconsulto português.

Licenciado em Direito (1963) e doutor em Ciências Jurídico-Políticas (1979), é professor catedrático das Faculdades de Direito da Universidade de Lisboa e da Universidade Católica Portuguesa. Nas duas Faculdades já exerceu a regência de todas as disciplinas do Grupo de Ciências Jurídico-Políticas, mantendo hoje a seu cargo as de Direito Constitucional e Direitos Fundamentais. Também na Faculdade de Direito de Lisboa, onde foi saneado no pós-25 de Abril, exerceu funções como presidente do Conselho Científico (1988-1990 e 2004-2007) e presidente do Conselho Diretivo (1991-2001). Integrou ainda Comissão Científica da Escola de Direito da Universidade do Minho (1973-2005), coordenou a licenciatura em Direito da Universidade Católica Portuguesa (1983-1989) e foi vogal da Comissão Instaladora da Faculdade de Direito da Universidade do Porto (1996).

Eleito nas listas do Partido Popular Democrático, foi deputado à Assembleia Constituinte (1975-1976), tendo um tido um papel importante na feitura da Constituição da República Portuguesa de 1976. A sua colaboração estendeu-se também à elaboração das Constituições de São Tomé e Príncipe (1990), de Moçambique (1990), da Guiné-Bissau (1991) e de Timor-Leste (2001). Foi membro da Comissão Constitucional (1976-1980), órgão precursor do actual Tribunal Constitucional. Saiu do PSD na cisão que deu origem à Acção Social Democrata Independente, que lhe garantiu uma nova eleição como deputado à Assembleia da República (1980-1983), na coligação Frente Republicana e Socialista. Apoiado pelo PS, foi candidato ao cargo de Provedor de Justiça (2009), mas retirou-se em virtude da sua não eleição à primeira volta.

É contra o aborto, defendendo a inconstitucionalidade dos dois referendos realizados em Portugal sobre a matéria, por estes contrariarem o "Direito à vida", consignado na Constituição de 1976.

Também defendeu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é igualmente inconstitucional, pois contraria os artigos 13.º e 36.º da mesma Constituição, pois atesta que os homossexuais têm todos os direitos, inclusivamente o de casar, mas não com pessoas do mesmo sexo e; ademais, o casamento entre pessoas do mesmo sexo retira o livre direito de constituir família, pois impede logo, a procriação biológica.

É autor de mais de duas centenas e meia de publicações, entre monografias, manuais, lições policopiadas e artigos científicos, salientando-se os títulos Contributo para uma teoria da inconstitucionalidade (1968), A Revolução de 25 de Abril e o Direito Constitucional (1975), A Constituição de 1976: formação, estrutura e princípios fundamentais (1978), Manual de Direito Constitucional (1981), Direito da Economia (1983), Estudos de Direito Eleitoral (1995), Direito Internacional Público (1995), O Constitucionalismo Liberal Luso-Brasileiro (2001) e Teoria do Estado e da Constituição (2002).

É Doutor Honoris Causa em Direito, pela Universidade de Pau (França, 1996), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Brasil, 2000), Universidade Católica de Lovaina (Bélgica, 2003) e pela Universidade do Porto (2005).

A 9 de junho de 1994 foi feito Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, a 9 de junho de 2001 recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e a 9 de junho de 2005 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

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