Contrabando Original

de José Martins Garcia
Editor: Companhia das Ilhas, maio de 2017 ‧
Contrabando Original é um romance que ocupa um lugar especial adentro da produção literária de José Martins Garcia. Lugar justificado pela mestria narrativa e perfeição estilística, pelo modo como fornece ao leitor uma espécie de súmula dos mundos ficcionais até então criados e um refinamento da irreprimível veia crítica (satírica, irónica, sarcástica) que o distingue.

Mestre de uma arte narrativa que domina na prática e na teoria, Martins Garcia oferece-nos neste livro uma rede de grandes e pequenos problemas engendrados a partir da imaginária localidade de Monte Brabo, com extensão à América, lugar de sonhada prosperidade.

As referências históricas, sociais e culturais, corroboradas pelo mais que conhecemos da obra do autor, fazem deste romance muito mais do que uma história bem contada e revelam-no como uma ampla e talvez angustiada questionação ao mundo.

A religiosidade pouco esclarecida e a emigração constituem alguns dos temas satiricamente explorados. Monte Brabo, ponto de observação donde o narrador vê o mundo, é também ponto de referência e posto de vigia para tudo o que existe fora dele.

Também por aí é convocado o tema da emigração, quando ainda se viajava de barco para a América ou quando era de uso, para grande satisfação dos insulares, enviar cartas com dólares ou sacas de roupa, realidade bem conhecida dos açorianos ainda nas décadas de 50 e 60 do século XX.

Contrabando Original

de José Martins Garcia

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898828309
Editor: Companhia das Ilhas
Data de Lançamento: maio de 2017
Idioma: Português
Dimensões: 143 x 221 x 21 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 304
Tipo de produto: Livro
Coleção: Biblioteca Açoriana
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789898828309

SOBRE O AUTOR

José Martins Garcia

José Martins Garcia nasceu na Criação Velha, ilha do Pico, a 17 de fevereiro de 1941. No então Liceu Nacional da Horta fez uma parte dos seus estudos. Os bons resultados escolares deram-lhe acesso a uma bolsa da Junta Geral, o que lhe permitiu completar o curso liceal no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, cidade onde se licenciou em Filologia Românica pela Faculdade de Letras.

No ano letivo de 1964-65 foi professor eventual no Liceu da Horta. Chamado a cumprir serviço militar, em 1965, foi mobilizado para a Guiné, aí permanecendo de 1966 a 1968, experiência que se projeta em Lugar de Massacre (1975), um dos primeiros romances portugueses a abordar a guerra em África, incluído por Rui de Azevedo Teixeira no grupo dos oito romances obrigatórios, canónicos, da literatura da Guerra Colonial. Essa experiência acabaria por pontuar, sob diversas formas e em diferentes circunstâncias, o conjunto da sua obra.

Entre 1969 e 1971 foi leitor de Português na Universidade Católica de Paris. De regresso a Portugal, lecionou na Faculdade de Letras de Lisboa entre 1971 e 1979. Neste ano rumou aos Estados Unidos como professor visitante da Brown University (Providence), aí permanecendo até 1984; o rasto desse tempo americano é detetável em Imitação da morte e no livro de poemas Temporal.

De seguida ingressou na Universidade dos Açores, onde se doutorou com uma tese sobre Fernando Pessoa, Fernando Pessoa: coração despedaçado, escrito precisamente durante a sua permanência nos Estados Unidos e graças às condições de investigação aí encontradas, como o próprio autor confessa na apresentação da obra; a tese representa a sucessiva expansão de um projeto inicial de recensão crítica a um livro sobre o poeta dos heterónimos. Na Universidade dos Açores foi o responsável pela introdução da cadeira de Literatura Açoriana nos planos curriculares das licenciaturas em Línguas e Literaturas Modernas, da qual foi docente durante alguns anos, e ocupou os cargos de Vice-Reitor e diretor da revista Arquipélago-Línguas e Literaturas, tendo terminado a sua carreira académica como Professor Catedrático.

A sua relação com a imprensa de Lisboa está atestada pela colaboração no suplemento Letras e Artes do jornal República (1972-1974), onde publicou uma boa parte das críticas e ensaios reunidos em Linguagem e Criação (1973), bem como as crónicas de Katafaraum é numa nação (1974). Entre 1973 e 1974 foi ainda crítico literário da Vida Mundial; colaborou igualmente n’A Capital e no Diário de Notícias, prolongando-se a colaboração neste último até fevereiro do ano seguinte. Em fevereiro de 1976 passou a exercer as funções de diretor-adjunto do Jornal Novo.

A partir do início dos anos setenta, como refere Ricardo Jorge, José Martins Garcia torna-se «um dos mais assíduos colaboradores de Fernando Ribeiro de Mello nas Edições Afrodite», onde, aliás, publicou parte da sua obra, a começar por Alecrim, alecrim aos molhos (1974) e a prolongar-se em obras de referência como Lugar de Massacre (1975), A fome (1977) e Revolucionários e Querubins (1977). Além disso, a sua colaboração com Fernando Ribeiro de Mello traduziu-se na escrita de prefácios, na organização de antologias e na tradução, substituindo, com as devidas distâncias, «a conterrânea Natália Correia como referência literária da Afrodite», na opinião de Pedro Piedade Marques.

José Martins Garcia faleceu em Ponta Delgada a 3 de Novembro de 2002.

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