Confissão

de Cláudia Lucas Chéu
Editor: Companhia das Ilhas, março de 2020 ‧
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Na casa onde vivíamos,
as paredes grossas estavam cobertas por uma película de bolor
e das inúmeras fendas saíam pequenos tufos de ervas,
dando-lhes a aparência de jardim vertical abandalhado.
No interior, fazia tanto frio no Inverno
que soltávamos vapor pela boca ao falarmos durante o jantar.
Nunca tirávamos os casacos dentro de casa,
e era um verdadeiro suplício nos dias de banho ter de trocar de roupa.
É um exagero chamar casa a duas divisões frigoríficas,
mais um género de casa de banho inventada.
Não se podia dar mais de quatro passos sem embater na bancada da cozinha.
A casa de banho, medida num generoso passo e meio de criança,
continha um lavatório e, por cima deste,
um espelho hexagonal sem moldura, enferrujado nos cantos,
mais uma retrete branca com um tampo preto de plástico.
A divisão sanitária improvisada encontrava-se separada da cozinha
pela cortina translúcida de nylon branca, suspensa por argolas no varão,
ambos em plástico também. Eu gostava daquela casa.
Só tive noção de que não era adequada às nossas necessidades
por ver e ouvir o choro regular da mãe,
num queixume de insolúvel desgraça.

Confissão

de Cláudia Lucas Chéu

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899007048
Editor: Companhia das Ilhas
Data de Lançamento: março de 2020
Idioma: Português
Dimensões: 139 x 218 x 4 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 40
Tipo de produto: Livro
Coleção: Azulcobalto
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789899007048

SOBRE O AUTOR

Cláudia Lucas Chéu

Escritora, poeta e dramaturga. Docente na Universidade de Évora. Tem publicados os textos para teatro Glória ou Como Penélope Morreu de Tédio (2011) e Violência – Fetiche do Homem Bom (2013), nas edições Bicho-do-Mato/Teatro Nacional D. Maria II, A Cabeça Muda (2014, na Cama de Gato edições e 2024, na Companhia das Ilhas), e Veneno (2015, Coleção Curtas da Nova Dramaturgia – Memória), nas edições Guilhotina. Em prosa poética, publicou o livro Nojo (2014), na (não) edições, e em poesia, o livro Trespasse (2014), nas Edições Guilhotina, e Pornographia (2016), na Editora Labirinto. Em 2017, foi publicado o seu livro Ratazanas (poesia) pela Selo Demónio Negro, em São Paulo (Brasil). Em 2018, publicou o seu primeiro romance, Aqueles que Vão Morrer, na Editora Labirinto, e Beber Pela Garrafa (poesia), na Companhia das Ilhas. Seguiram-se A Mulher-Bala e Outros Contos, Editora Labirinto (2019), Confissão (poesia), Companhia das Ilhas (2020), A Mulher Sapiens (contos e ensaios), Companhia das Ilhas e jornal Público (2021), A Vida Mentirosa das Crianças, Nova Mymosa, (2021), Ode Triumphal à Cona (poesia), Companhia das Ilhas (2022), e Orlando – Tratado Sobre a Dignidade Humana (dramaturgia), Teatro Nacional D. Maria II (2022). Em 2023, publicou A Angústia da Rapariga Antes da Faca (ensaio), pela Nova Mymosa, e em 2024, Um Quarto Com Vista Sobre o Meu Quarto (crónicas e contos), pela Companhia das Ilhas e jornal Público. Em 2025, igualmente na Companhia das Ilhas, publicou os livros de poemas Escrevo por Vingança à Morte, e, em 2026, Fazer Festas por Entre as Grades (poesia) e Malparidos (crónicas ficcionais).
O livro Confissão foi semifinalista do Prémio Oceanos em 2021. Orlando – Tratado sobre a Dignidade Humana faz parte do Plano Nacional de Leitura.

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