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Como Caminhar Num Pântano

de Marta Pais Oliveira
Editor: Gradiva, março de 2026 ‧
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«Liberdade pode ser isto - nenhum peso nas mãos.» Entre o gesto transgressor e a escrita, aqui constrói-se um retrato íntimo e vívido de quem observa o mundo enquanto o corpo dá repetidos sinais de quebra. Uma personagem consciente da proximidade da morte, mas ferozmente avessa à piedade alheia, que inventa para si um modo singular de estar no tempo - cria legendagens para filmes, imagina diálogos, altera sentidos, como se a linguagem ainda pudesse suspender o fim que se avizinha. A culpa é um bicho de muitas cabeças: culpa de quê?

Na cidade, a narradora de duas vozes cruza-se com figuras laterais e intensas: uma jovem grávida, um amigo esotérico, a dona de uma papelaria. Cada testemunho de encontro revela um fragmento de um espaço urbano entendido como um coro de desajustados, onde todos travam as suas batalhas invisíveis.

Entre lucidez, ironia e ternura áspera, esta história é uma meditação sobre liberdade, perda e resistência, onde a escrita se afirma como um último ato de insubmissão.

«[Em Como Caminhar num Pântano, o novo romance de Marta Pais Oliveira] destaca-se a originalidade da voz autoral, que faz um ziguezaguear permanente entre a primeira e a terceira pessoas narrativas. Uma prosa límpida e poética, crítica e cheia de sentido de humor, que conta a singular história de uma mulher que, nas horas vagas, se dedica ao roubo das malas de mão de outras mulheres para lhes deixar as mãos livres.»
Júri do Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho

Como Caminhar Num Pântano

de Marta Pais Oliveira

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897854156
Editor: Gradiva
Data de Lançamento: março de 2026
Idioma: Português
Dimensões: 148 x 228 x 11 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 168
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897854156

Um livro singular

Belisa Nogueira

"Como caminhar num pântano, quero saber. (...) Mas isto não é sobre aprender a caminhar sobre o pântano. É sobre saber distinguir quando já se está no pântano, sem o querer." Este foi um livro que ressoou muito em mim. Foi uma leitura que me transportou numa viagem até a algumas memórias de infância ("Erva daninha, trevo-azedo, azedinha, trazem-me a memória de chupar os caules na minha infância. (...) E deitar-me nestas flores amarelas."), a pensamentos/crenças da minha adolescência/juventude até ao presente. "Uma memória dentro de uma memória dentro de uma memória. É isso que eu sou." A personagem "convida-nos" para uma viagem lenta e reflexiva, mas que pode ter alguma turbulência. Convida a fruir, a sermos nós próprios, a libertarmo-nos do peso supérfluo que nos impede a liberdade e de procurar a nossa singularidade. "A liberdade pode ser isso -- nenhum peso nas mãos." Adorei este livro que "pede" para ser saboreado.

Uma mulher que reconheço

Ler, um prazer adquirido

Um livro muito pequeno mas imenso no que conta em dois tempos verbais. Um mulher que, no fim que sabe próximo, rouba malas para libertar as mãos das mulheres. Na contagem dos dias, do quotidiano em fluxo de consciência, um pensamento flui. No seu caminho cruza com outros em situações delicadas. A vida que, não se planeia. Avessa à piedade ou à auto compaixão é lúcida, terna e irónica. Uma mulher que reconheço. Magistral. Um livro que vou ler e reler com prazer.

SOBRE O AUTOR

Marta Pais Oliveira

Marta Pais Oliveira (Porto, 1990) é autora dos romances Escavadoras (Gradiva, 2021, Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís) e Faina (Gradiva, 2024, Finalista do Prémio Literário Fundação Eça de Queiroz).
Publicou os contos O Homem na Rotunda, Quando Virmos o Mar e Medula (Prémio Nortear Galiza - Norte de Portugal, levado a cena pela Peripécia Teatro). Tenho os Olhos a Florir (Gradiva, 2024) marca a entrada na literatura infantojuvenil. Recebeu o Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho com o inédito Como Caminhar num Pântano, que será publicado em 2026.
Enquanto dramaturga, escreveu os libretos das óperas Maria Magola, Madrugada: As razões de um movimento, Belo é o Destino Desconhecido, o teatro musical O Guarda-Rios Mágico e o circo Cícero e o Milagre da Vida.
Estreia-se na não-ficção com A Última Lição de José Gil (Contraponto, 2025), longa entrevista ao filósofo.
Acaso é Nascer (Flâneur, 2025), edição solidária pelas crianças palestinianas, é o seu mais recente livro.
Acredita no poder e na liberdade da palavra.

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