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Como Animais

de Violaine Bérot
Editor: Antígona, junho de 2025 ‧
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Como Animais (2021), novela breve e magnética, emerge dos depoimentos dos habitantes de uma aldeia isolada nos Pirenéus, quando uma criança desconhecida é avistada numa gruta e a suspeição se abate sobre um deles, reavivando antigas lendas e mistérios. Desta polifonia se tece um conto da montanha, forte e ambicioso, sobre o direito à diferença, que revisita o tema da criança selvagem.

Um livro que se lê de um só fôlego e nos deixa uma duradoura pergunta: quando os que vivem pacificamente à margem da sociedade esbarram na incompreensão de um mundo cada vez mais desumano e alheado da natureza, quem são afinal os animais?

Como Animais

de Violaine Bérot

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726084730
Editor: Antígona
Data de Lançamento: junho de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 137 x 211 x 10 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 120
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789726084730

Inquietante

Sílvia Miranda

Uma história curta e inquietante sobre um jovem encontrado na floresta, aparentemente criado longe da sociedade. Através dos testemunhos dos habitantes da aldeia, o livro revela mais sobre o medo, os preconceitos e a curiosidade humana do que sobre o próprio rapaz. Com uma escrita simples mas poderosa, a autora questiona: o que realmente nos torna humanos? Uma leitura breve, misteriosa e cheia de reflexões sobre a diferença, a sociedade e a nossa natureza. Foi um livro mesmo muito interessante.

Um livro bom para refletir sobre a diferença

Cláudia Sousa

Como Animais é um livro pequeno em extensão, mas imenso na sua profundidade e sensibilidade. Construído com uma narrativa delicada, intercala pequenos poemas que, pouco a pouco, se entrelaçam com a história principal, enriquecendo-a emocionalmente. A obra dá voz a pessoas diferentes, marcadas pela marginalização e pelos preconceitos de uma comunidade que observa, julga e condena. Através dos relatos da população sobre Mariette e o seu filho, somos conduzidos a um retrato profundamente humano, que aquece o coração e, ao mesmo tempo, nos inquieta. O que é dito — e o que fica implícito — surpreende, revelando personagens grandiosas na sua simplicidade e resistência. Num primeiro momento, a ligação entre os poemas e a narrativa pode parecer difusa, mas, à medida que a leitura avança, esses fragmentos tornam-se belíssimos e essenciais, funcionando como ecos emocionais da história. Entre os temas centrais do livro destaca-se o da violação e o destino dos bebés que nascem de um ato tão atroz e violento, abordado com respeito, coragem e crueza. Como Animais é um livro duro, mas necessário: obriga-nos a refletir sobre a injustiça de aprisionar — física ou socialmente — quem não vê a vida segundo as normas institucionalizadas. É uma leitura que marca, incomoda e permanece.

Ex-tra-or-di-ná-rio.

Ler, um prazer adquirido

De vez em quando um livro marca e sabemos que, não o iremos esquecer. A personagem ou a história, mas neste pequeno livro, ambos. O título adiou esta leitura. Apesar de muito recomendado, interpretei o “como” na primeira pessoa do singular do verbo comer e receava que a história fosse sobre caça ou crueldade com animais. É exatamente o oposto e é extraordinário porque desde a primeira página que este miúdo nos conquista e mais ainda quando se percebe a ligação que cria com os animais. Cura. O drama surge quando se descobre uma criança numa gruta com ele e a polifonia de vozes se sucede. Testemunhos. O que estes revelam surpreendem e ficamos a conhecer estas personagens grandiosas e profundamente humanas nesta história terna e muito sensível. Adoro as novelas da Antígona. Não nos deixam indiferentes. Este amei. Precisamos de livros como este para nos conectarmos com a nossa natureza e com os que nos rodeiam. E perceber os perigos.

Pensar a diferença

Cláudia Sobral Azevedo

"Como Animais" é um pequeno livro belíssimo sobre as pessoas diferentes, a marginalização a que são sujeitas, os preconceitos de que são alvo. A história, que se lê rapidamente, obriga o leitor a refletir sobre a deficiência, o isolamento, a violência, o sistema judicial e a prisão. Com que direito encerramos num cárcere alguém incapaz de se conformar com regras que não compreende? Em foco estão também a violação de meninas, raparigas e mulheres e o destino dos frutos não desejados desse ato hediondo. Será a institucionalização, legalíssima mesmo quando destruidora, superior ao amor interdito ainda que redentor? Fechamos crianças não desejadas em jaulas coletivas, privando-as de quem as pode amar deveras, se bem que imperfeitamente. Mas existe algum amor perfeito? "Nós as fadas vemos o que alguns homens por vezes fazem às mulheres sem lhes perguntarem nada Sem pedirem às mulheres o seu consentimento sem lho pedirem os homens antes"

SOBRE O AUTOR

Violaine Bérot

Os caminhos menos percorridos não são estranhos à escritora francesa Violaine Bérot (n. 1967). Escreve-nos do coração dos Pirenéus, na sua cabana engolida pelas nuvens e empoleirada na montanha onde se refugiou aos trinta anos, trocando o ramerrame da cidade pela criação de cabras e depois, em exclusivo, pela escrita. Estreou-se na ficção em 1994, com Jehanne, e é hoje autora de uma obra singular, dominada por mulheres determinadas, de Joana d’Arc a Penélope, e pelas violências exercidas contra elas. Entre os seus romances saudados pela crítica, contam-se Tombée des nues (2018) e Nuits de Noces (2023). Considerada pelos leitores um dos segredos mais bem guardados das letras francesas, destaca-se pela construção e pelo ritmo dos seus textos, que burila até à perfeição.

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