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Cabo Verde - Ilhas Crioulas (2ª Edição)

Da Cidade-Porto ao Porto-Cidade (Séc. XV-XIX)

de Manuel Brito-Semedo
Editor: Rosa de Porcelana Editora, abril de 2024 ‧
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Este livro de Manuel Bito-Semedo centra a atenção do leitor no inegável caráter crioulo da sociedade cabo-verdiana, começando logo no título. O autor destaca o papel constitutivo da miscigenação (entre europeus e africanos, e entre africanos de diferentes etnias) típica da identidade cabo-verdiana.

Todo o livro está organizado em torno da espinha dorsal da crioulidade. E embora não estejam formalmente separadas, no tratamento deste tema podem ser distinguidas duas partes, diferenciadas pelas perspetivas adotadas. A primeira metade do texto oferece-nos uma visão histórica e espacial do processo de crioulização, enquanto na segunda metade encontramos uma análise sociocultural detalhada do imaginário insular e das suas manifestações mais relevantes.

Cabo Verde - Ilhas Crioulas (2ª Edição)

Da Cidade-Porto ao Porto-Cidade (Séc. XV-XIX)

de Manuel Brito-Semedo

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898961600
Editor: Rosa de Porcelana Editora
Data de Lançamento: abril de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 148 x 210 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 136
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ensaios
EAN: 9789898961600

O filósofo da crioulidade

Paulo Sanches

Brito Semedo é o atual filósofo da crioulidade cabo-verdiana. Segundo Dulce Duarte, a crioulidade tem duas componentes: uma africana e outra europeia. Embora o grupo dos Claridosos — constituído por Baltasar Lopes, Onésimo Silveira, Gabriel Mariano, entre outros — reclamasse um nacionalismo cabo-verdiano, este era ainda limitado, pois não dava atenção a África, talvez por influência de Gilberto Freyre. Por sua vez, Brito Semedo, mais sofisticado, fundamenta a sua definição de crioulidade na filosofia de Édouard Glissant, embora não desenvolva o pensamento deste autor no livro. Todavia, a sua definição de crioulidade não se afasta do movimento Claridoso, ou seja, de uma crioulidade de componente sobretudo europeia. Em Brito Semedo, o mito romântico do pai europeu e da mãe africana como génese da crioulidade é substituído pela noção deleuziana de rizoma. A crioulidade não é um embondeiro africano — é a recusa da matriz africana — mas sim um rizoma de lugar nenhum, dado que é síntese de várias culturas. Neste sentido, coloca-se a questão sentida por Amílcar Cabral: é preciso reafricanizar o crioulo?

SOBRE O AUTOR

Manuel Brito-Semedo

Manuel Brito-Semedo é Doutor em Antropologia, na especialidade de Etnologia, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Professor universitário, exerceu funções de docência, investigação e gestão académica na Universidade de Cabo Verde, desenvolvendo um percurso marcado pela reflexão crítica sobre a identidade cabo-verdiana, a crioulidade, a cultura, a educação e a história intelectual do arquipélago.
É membro da Academia das Ciências e de Humanidades de Cabo Verde, da Cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa e da Associação de Escritores Cabo-verdianos, tendo participado em diferentes iniciativas de consolidação do campo cultural e científico no país. Exerceu igualmente funções de Diretor Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (CPLP), contribuindo para o debate e a formulação de políticas linguísticas no espaço lusófono.
Para além da atividade académica, Brito-Semedo afirma-se como intelectual público, com intervenção regular no espaço cultural e cívico cabo-verdiano. Mantém, desde 2010, o blogue Esquina do Tempo e colabora com o jornal Expresso das Ilhas, onde publica textos de reflexão, crónica e intervenção cívica. É também autor e apresentador do programa televisivo Nôs Tera, Nôs Gente, dedicado à memória cultural e marítima de Cabo Verde.
Atualmente, é Presidente do Júri do Prémio Literário Arnaldo França, da Imprensa Nacional Casa da Moeda / Imprensa Nacional de Cabo Verde, reafirmando o seu compromisso com a promoção da literatura, da cultura e do pensamento crítico no espaço lusófono.

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