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Butcher's Crossing

de John Williams
Livro eBook
Editor: Dom Quixote, outubro de 2015 ‧
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Em 1870, Will Andrews chega a Butcher’s Crossing. É jovem, fartou-se de Harvard, quer descobrir na natureza o seu "eu inalterado". E naquele vilarejo, num Oeste prestes a ser domado, encontra o seu mentor: Miller, um caçador de poucas falas, que conhece o refúgio da última grande manada de búfalos.
Seduzido pela promessa de aventura, Will junta-se à expedição. Quatro homens em marcha, numa luta épica contra o tempo, a sede e os elementos. Depois de chegarem ao vale, o que se segue é uma carnificina, a viagem iniciática de Will ao coração das trevas.
Butcher’s Crossing é considerada a primeira das três grandes obras de John Williams. Tal como Stoner, o romance passou despercebido durante mais de meio século e só agora foi resgatado por um coro invulgarmente unânime de críticos e autores, que viram na obra o antiwestern por excelência, despido de romantismo e eivado de uma crueza visceral (que muito influenciaria a obra de Cormac McCarthy).
Escrito com a precisão quase maníaca que caracteriza John Williams, a obra é a negação do legado de Ralph Waldo Emerson, cuja epígrafe abre o romance. A natureza que aqui nos deslumbra é apenas a humana - e por pouco resiste ao confronto com o Oeste selvagem.
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Até ao fim do verão

Alguns livros pedem apenas um fim de semana. Outros reclamam uma estação inteira. Não porque sejam difíceis, mas porque nos convidam a passar muito tempo com as suas personagens e o universo que constroem. Durante o resto do ano, nem sempre é fácil encontrar esse tempo. O verão muda as regras. Os dias esticam-se, as férias oferecem um ritmo diferente e, pela primeira vez em muitos meses, um romance de seiscentas ou setecentas páginas deixa de parecer um compromisso impossível. Os cinco livros que se seguem têm pouco em comum à primeira vista. Entre eles encontramos uma grande saga familiar, um clássico americano, um romance experimental, uma narrativa contemporânea construída em fragmentos e um western que está muito longe dos clichés do género. Todos recompensam o tempo que lhes dedicamos. Não se esgotam na história que contam. Quanto mais tempo passamos com eles, mais há a descobrir. A Leste do Paraíso, de John Steinbeck Quando John Steinbeck terminou A Leste do Paraíso, disse ao seu editor que tudo o que tinha publicado até então tinha servido para preparar aquele livro. Mais de setenta anos depois, é difícil discordar das suas palavras. À superfície, a história acompanha duas famílias, os Trask e os Hamilton, ao longo de várias décadas. Embora a narrativa atravesse diferentes momentos da História americana, Steinbeck interessa-se sobretudo pela forma como os pais moldam a vida dos filhos. As rivalidades mudam de protagonistas, os erros repetem-se e cada geração herda conflitos que julgava pertencer à anterior. É neste contexto que conhecemos Cathy Ames, uma personagem que conquistou um lugar de destaque na literatura mundial. Bastam poucas páginas na sua companhia para perceber porquê. Manipuladora e incapaz de sentir remorso, altera a vida de todos os que a rodeiam. Ainda assim, o romance nunca depende apenas dela. Lee, Adam Trask e Samuel Hamilton dão-lhe o contraponto necessário e impedem que a história se transforme numa visão fatalista da natureza humana. Um dos momentos decisivos da obra gira em torno da palavra hebraica timshel ("tu podes"). A discussão sobre o seu significado ocupa apenas algumas páginas, mas ilumina todo o romance. Para Steinbeck, o passado pesa, mas não decide. Herdamos muito da família em que nascemos, mas continuamos livres para escolher outro caminho. É essa convicção que faz de A Leste do Paraíso muito mais do que uma saga familiar. COMPRO NA WOOK! » V., de Thomas Pynchon Por vezes, tudo começa com uma obsessão. Herbert Stencil passa anos a tentar descobrir quem é, ou o que é, "V.". Pode ser uma mulher misteriosa, uma cidade, uma ideia ou um padrão escondido na História. Na tentativa de responder a essa pergunta, segue um rasto de documentos e episódios históricos espalhados por diferentes países. Noutro registo, surge Benny Profane, um jovem sem rumo que vagueia por Nova Iorque ao lado de um grupo de amigos tão errático quanto ele. À primeira vista, estas duas histórias parecem não ter qualquer ligação. Mas, pouco a pouco, detalhes que pareciam irrelevantes regressam com um novo significado. Percebemos então que Thomas Pynchon nos foi dando as peças deste puzzle desde o início, sem nunca mostrar como encaixam entre si. Apesar da reputação de romance difícil, há nestas páginas um humor absurdo que torna a leitura estimulante. Não é um livro para ler à pressa. Exige alguma disponibilidade, mas recompensa quem aceita entrar no seu jogo. Talvez seja por isso uma excelente companhia para os dias longos de verão. Se estiverem a lê-lo na praia, não estranhem dar por vocês de olhos postos no horizonte, a perguntar: «Mas o que é que se passa com estas pessoas?». COMPRO NA WOOK! » As Correções, de Jonathan Franzen Os Lambert já conheceram dias melhores. Alfred, o pai, vê a doença de Parkinson roubar-lhe lentamente a autonomia. A sua mulher, Enid, recusa aceitar que a família se desfez e sonha reunir os três filhos para um último Natal em casa. Mas Gary, Chip e Denise vivem absorvidos pelos próprios problemas, divididos entre carreiras instáveis, relações falhadas e a dificuldade permanente em corresponder às expectativas dos pais e às suas. A partir desta premissa, Jonathan Franzen constrói um romance que transforma um drama familiar num retrato da América do final do século XX. O mais impressionante em Correcções não é o enredo, mas a forma como o autor desmonta os julgamentos fáceis sobre cada personagem. À medida que o romance alterna entre pontos de vista, também a nossa perceção das personagens muda. Quem nos irritava num capítulo desperta a nossa compreensão no seguinte, como se quisesse lembrar-nos de que, dentro de uma família, ninguém conhece verdadeiramente a história do outro. Na tradição de autores como Philip Roth ou John Updike, Franzen parte da intimidade de uma família para falar de uma sociedade inteira, conjugando momentos de grande carga dramática com um humor ácido. Talvez seja isso que torne Correcções tão difícil de largar. Não porque viva de grandes reviravoltas, mas porque queremos continuar ao lado daquela família e descobrir se ainda há forma de reparar o que parece irremediavelmente partido. COMPRO NA WOOK! » A Visita do Brutamontes, de Jennifer Egan A Visita do Brutamontes parece um livro de contos. Cada capítulo apresenta uma personagem diferente, muda de época e altera o registo narrativo. Mas depressa percebemos que Jennifer Egan está a construir um romance em que todas essas histórias acabam por se encontrar. Como seria de esperar, não há um protagonista único. Ao longo de várias décadas, as vidas de Bennie Salazar, Sasha e muitas outras personagens cruzam-se, afastam-se e reaparecem em momentos distintos. A ordem dos acontecimentos raramente é a esperada. É normal conhecermos primeiro o destino de alguém e só depois o percurso que o conduziu até ele. Essa estrutura faz com que estejamos constantemente a reorganizar a narrativa na nossa cabeça. Jennifer Egan não se limita, porém, a brincar com a cronologia. Também experimenta diferentes formas de contar a história. A maior surpresa chega num capítulo construído inteiramente através de diapositivos PowerPoint. A ideia não parece, à partida, capaz de resultar, mas funciona tão bem que esse capítulo acaba por se tornar um dos momentos mais memoráveis do livro. A Visita do Brutamontes é a prova de que ainda há muito espaço para reinventar a forma de contar uma história. COMPRO NA WOOK! » Butcher's Crossing, de John Williams Quando William Andrews abandona Harvard e viaja para a pequena povoação de Butcher's Crossing, acredita que a verdadeira aprendizagem está longe das salas de aula. Pouco depois conhece Miller, um caçador experiente e de poucas palavras que afirma conhecer o paradeiro de um enorme rebanho de búfalos praticamente intocado. Convencido de que encontrou a aventura que procurava, Andrews junta-se a uma expedição que depressa deixa de ser uma simples caçada. À medida que os dias passam, a ambição começa a sobrepor-se ao bom senso. O objetivo inicial transforma-se numa obsessão e a natureza revela-se indiferente aos planos daqueles homens. Em Butcher’s Crossing, John Williams desmonta, assim, um dos grandes mitos do western americano: os heróis dão lugar a homens confrontados com os próprios limites e com um mundo que nunca esteve verdadeiramente sob o seu controlo. Muito mais do que o relato de uma aventura, este é um livro sobre obsessão e sobre o preço que pagamos quando acreditamos que podemos dominar tudo o que nos rodeia. COMPRO NA WOOK! »

Butcher's Crossing

de John Williams

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722058421
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: outubro de 2015
Idioma: Português
Dimensões: 158 x 231 x 19 mm
Páginas: 304
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722058421

A "Beleza" da brutalidade por John Williams

Bruno Curado

Sendo um grande fã da obra de Cormac Mccarthy, senti necessidade de procurar por autores e obras que se assemelhem ao mesmo. Vários artigos aconselham a obra de John Williams, especialmente este "Butcher´s Crossing" e concordo totalmente. Williams tem uma capacidade de falar sobre assuntos demasiado pesados, mas com uma escrita quase poética, ainda para mais pegando num dos géneros que mais aprecio, o género de western. Poderosa obra esta, sem dúvida.

Beleza rude

Miguel Dias

Este é um livro indicado para quem aprecia a beleza da escrita, mas não espera que a mesma o leve necessariamente a encontrar finais felizes. John Williams conseguiu escrever mais um belo livro no qual a personagem principal, o jovem Will Andrews, partilha esse protagonismo com toda a envolvente natural de um território norte-americano ainda a ser descoberto e que serve de suporte à obra. Há uma beleza rude que perpassa um romance que desconhece o conceito contemporâneo de delicadeza e é esse desconhecimento que o torna tão autêntico, tão capaz de despertar em nós, leitores, uma quase “memória da espécie” que permanece adormecida no conforto que alguns de nós usufruímos nos dias de hoje. Talvez John Williams não tenha publicado mais porque colocava tanto talento no que escrevia que tudo o que fosse menos do que excelente era cortado. Felizmente “Butcher's Crossing” passou nesse imaginário crivo do autor… Esteja onde estiver - Butcher's Crossing, Missouri ou Roma - obrigado, John, valeu a pena!

JOHN WILLIAMS NO SEU MELHOR

F. A.

O livro relata a viagem de Will Andrews, um jovem oriundo de Boston e de uma família relativamente priveligiada, na "América-profunda" de Butcher's Crossing. Juntando-se a uma expedição de caçadores que partem em busca de uma manada de búfalos Andrews vê-se embrenhado no desconhecido, é catapultado para o cenário de um autêntico western, e é pois aí que começa a sua aventura, de luta contra o meio e contra si (de certo modo, sinto-me incapaz de não tecer algumas comparações com o épico Moby Dick). A obra é porém acima de tudo brilhante graças à escrita cativante de John Williams que tem o dom de embalar o leitor desde o primeiro momento. De facto, graças à sua escrita, Williams transforma as planícies, as montanhas e toda a natureza em personagens da própria história (o que é do meu ponto de vista das características mais incrivéis nesta obra). É pois uma história feita de contradições, que de certo explora a nossa natureza humana interpolando-a com a adversidade, a beleza, e os silêncios das planícies e das montanhas. Em suma - John Williams no seu melhor!

John Williams, meio século depois do anonimato

Fábio Lavos Martins

A história de artistas com reconhecimento póstumo é uma das mais repetidas no universo actual,mas ,quanto a mim,tem em John Williams o seu exemplo mais cintilante. Porque não se identifica nenhum traço avant garde no que escreveu,porque não se percebe que possa ter chocado os seus contemporâneos e,com isso,ganho marginalidade,sequer se reconhece uma vontade determinada em ser esse marginal. O que é transversal ao que escreve,e parece tão consensual que se estranha, é a suprema qualidade do que faz. Em butcher s crossing o jovem Will Andrews cumpre o seu ritual de passagem,de uma vida médio burguesa de boston,para uma forma de sentir os dias mais crua e táctil. Visão crua e não romanceada do popular western americano, mais que um ritual de passagem,este livro é um prazer infinito e uma ode à arte de bem escrever

SOBRE O AUTOR

John Williams

Autor, editor e professor, John Edward Williams (1922-1994) escreveu quatro romances: Nothing but The Night (1948), Butcher’s Crossing (1960), Stoner (1965) e Augustus (1972), o último dos quais recebeu o National Book Award.
Neto de agricultores, foi criado no Texas e trabalhou em rádios e jornais, até se alistar na força aérea em 1942. Esteve destacado na Índia e na Birmânia até ao fim da Segunda Guerra mundial, período em que escreveu o seu primeiro romance.
Estudou na Universidade de Denver e concluiu o doutoramento em Literatura Inglesa na Universidade de Missouri. Regressaria a Denver, onde conciliou a actividade académica com a literatura, até se retirar em 1985.
Morreu em 1994, deixando um quinto romance inacabado.

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