Beckett
SINOPSE
Entre a universidade, o hospital, a prisão e o espaço íntimo da consciência, o romance atravessa instituições, crenças e discursos com uma escrita rigorosa, por vezes ensaística, por vezes profundamente poética, sempre atenta à matéria humana quando esta deixa de ser abstrata e se torna carne, ruptura, dor, desejo e limite. Nada é ornamental: cada episódio, cada voz, cada desvio serve a construção de uma reflexão exigente sobre o humano quando já não pode refugiar-se em absolvições fáceis.
Com uma linguagem tensa e deliberadamente contida, Beckett recusa o conforto da moralização e a facilidade do julgamento. O que propõe é mais inquietante: pensar o erro não como acidente, mas como condição do humano; a fé não como resposta, mas como problema; o corpo não como veículo, mas como lugar onde tudo se inscreve.
Um romance sério, perturbador e necessário, que coloca o leitor diante de uma pergunta essencial: até onde pode ir a lucidez sem se tornar um risco?
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789899265639 |
| Editor: | The Poets and Dragons Society |
| Data de Lançamento: | maio de 2026 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 114 x 197 x 14 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 240 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789899265639 |
OPINIÃO DOS LEITORES
"BECKETT", de Alberto Pereira, não é apenas um romance.
Henrique Boulhosa
"BECKETT", de Alberto Pereira, não é apenas um romance. É uma experiência literária. Entre labirintos narrativos, vozes que se multiplicam e uma linguagem de rara intensidade, o autor mergulha nas contradições humanas e transforma a escrita num ato de recriação do mundo. Inspirado pelo universo de Beckett, mas sem nunca o imitar, Alberto Pereira constrói uma obra onde a intertextualidade, a reflexão e a invenção caminham lado a lado. Cada página abre uma nova porta, cada capítulo oferece uma nova chave. Há livros que se leem. Há livros que nos leem. "BECKETT" pertence à segunda categoria. Uma das propostas mais ousadas e estimulantes da literatura portuguesa contemporânea. HM Neptuno
Um romance imersivo na condição humana
Andreia Monteiro
BECKETT...um romance perfumado de poesia que nos leva a uma introspecção sobre a vulnerabilidade do corpo enquanto capa da nossa existência...a ambiguidade das nossas escolhas...a perseverança que pode culminar com aceitação e evolução ou, com a eterna insatisfação da perfeita imperfeição que é o Ser Humano. Recomendo vivamente a leitura desta obra de Alberto Pereira.
Uma visão dialética de Beckett, de Alberto Pereira
Pedro J.R. Costa
“Só há 2 maneiras de provocar o mundo: matando Deus ou sendo louco”, assim começa. Não sei bem que aconteceu com Alberto Pereira, nem a sua intenção com neste balaústre da literatura moderna. Nem sei bem que estilo de literatura aqui temos, mas que sei eu sobre esta matéria?! O autor referiu no evento do seu lançamento (estive lá) que é “inequivocamente” um romance… não sei! Tem um enredo, tem crime, tem sexo (muito e quase explicito) e drama, isso está lá tudo. Mas de uma forma estranhamente viciante que, mesmo no meio de um mundo de metáforas poéticas e quase indecifráveis, vês-te obrigado a virar a página. Numa primeira consideração, Beckett impõe-se como romance de gravidade interior, fundado na convicção de que a consciência humana, quando verdadeiramente chamada a responder por si, não pode refugiar-se nem na aparência da ordem nem na facilidade das certezas. A figura central da narrativa move-se num horizonte em que observar, discernir e nomear parecem ainda constituir instrumentos de domínio sobre o real; contudo, o que a obra vai revelando é precisamente a insuficiência dessa segurança inicial. O corpo, a culpa, a fé e a exigência de sentido surgem, assim, não como temas isolados, mas como planos de uma mesma interrogação, perante a qual a inteligência deixa de ser simples claridade para se tornar também prova e encargo. Mas se esta primeira linha de leitura parece conceder à razão um lugar de nobreza, o romance depressa introduz a sua necessária contestação. Os espaços que atravessa — a universidade, o hospital, a prisão e a região mais reservada da consciência — não confirmam uma ordem estável: antes mostram que toda a estrutura humana, por mais sólida que se apresente, transporta em si mesma fissura, limite e sombra. Deste modo, a obra desfaz qualquer confiança ingénua na lucidez, sugerindo que ver mais claramente nem sempre significa possuir mais domínio. Deixando antever que a verdadeira sabedoria pode antes significar mergulhar profundamente até que uma dimensão mais assustadora da verdade se revelará. O romance não escolhe entre a luz do entendimento e a obscuridade do enigma; prefere, com maior elevação, colocá-las em confronto até que ambas se revelem incompletas quando isoladas. Daqui nasce uma síntese exigente: a de uma lucidez humilde, capaz de reconhecer o limite sem abdicar da procura, e de uma escrita que transforma a inquietação em forma de conhecimento. Alberto Pereira oferece, assim, não uma narrativa de apaziguamento, mas uma obra de depuração interior, que solicita ao leitor demora, disciplina interpretativa e disponibilidade para o que não se resolve de imediato. Por isso mesmo, este é um romance de singular nobreza crítica, cuja força reside em converter a dúvida não em fraqueza, mas em princípio de aprofundamento do humano.
Extremamente Original
M Vieira
Uma história que evidencia a grande criatividade do autor, e também uma bela maneira de construir e desconstruir o enredo e as personagens, algo como um objeto de muitas faces que vai ganhando novas dimensões e formas ao passo que caminhamos ao seu redor
Romance intenso e hipnótico
Ricardo Soeiro
"Beckett", de Alberto Pereira, é um romance sobre um professor universitário de antropologia que partilha o nome do dramaturgo irlandês. Mas não é isso. "Beckett" é um romance sobre um homem de sessenta anos, excêntrico e metódico nos gestos, que se move entre o ensino, a memória e a deterioração mental progressiva. Mas não é isso. Ou, sobretudo, não é apenas isso. É mais, é muito mais. Oscilando entre o realismo cru e o absurdo beckettiano, com passagens de lirismo denso e uma estrutura fragmentada em capítulos breves, o livro explora a loucura como forma de resistência, a arte como heresia e o amor como cicatriz que não fecha. Mas também aqui ficaríamos muito aquém daquilo que este romance tem para nos transmitir e para nos desassossegar. Há livros (um infindável rol de livros) que contam histórias; este livro, contando uma história (ou antes, contando muitas histórias) prefere auscultar a febre do mundo.
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