Às Sete no Sa Tortuga
Um retrato de Alberto de Lacerda
EXCERTOS
«O telefonema chegou. Do outro lado do fio, uma voz queria saber quem atendia. Identifiquei-me e a voz então anunciou: “Daqui fala o Alberto de Lacerda. Ouvi dizer que andava à minha procura.” Confirmei que sim, que era verdade. “Porquê?” perguntou. Tentei explicar, algo atabalhoadamente, que tinha vindo de LourençoMarques, queme interessavamuito pela sua poesia, que tínhamos alguns amigos em comum, que estava a viver em Londres, que pretendia ficar, que também escrevia versos, e que seria interessante, enfim, poder conhecê-lo. Nova pausa. E finalmente, Alberto de Lacerda perguntou se eu sabia onde era Chelsea. Respondi logo que sim.
“E a King’s Road?”. “Também”. “E sabe onde fica um café que se chama Sa Tortuga?”
“Não sei,mas darei comele.” Resposta errada.OAlberto funcionava comcoordenadas exactas. Seguiram-se explicações meticulosas. Fez outra pausa, mais breve, e perguntou se o dia X estava bem. “Estarei lá em baixo, às sete, numa mesa mesmo ao fundo, quase encostada às escadas. Às sete no SaTortuga. Não se atrase.”»
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 978-972-37-1503-3 |
| Editor: | Assírio & Alvim |
| Data de Lançamento: | julho de 2010 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 145 x 205 x 13 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 160 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Alberto de Lacerda |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Biografias
|
| EAN: | 9789723715033 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Um livro interessante
Pedro Quintela
Trata-se de um livro curioso, no qual o autor, Luís Amorim de Sousa, apresenta as suas memórias sobre o amigo e poeta (e, ainda que de um forma intermitente, também locutor, jornalista e professor universitário) Alberto de Lacerda. Como resultado, o leitor encontra aqui um retrato biográfico de Lacerda, certamente incompleto, mas extremamente impressivo e com uma grande carga pessoal. Luís Amorim de Sousa recupera, cruzando as suas memórias e os relatos de amigos próximos, o trajeto idiossincrático de Alberto de Lacerda, desde a sua infância e adolescência em Moçambique até Inglaterra (Londres), passando por passagens, mais ou menos fugazes, por Portugal e pelos E.U.A. O livro termina com a verdadeira "saga" que o próprio autor viveu para assegurar que não seria perdido o vasto espólio literário e artístico reunido por Lacerda ao longo da sua vida, o que acabou por conseguir, trazendo-o para Lisboa, onde está à guarda da Fundação Mário Soares. Um livro muito interessante, a meio caminho entre a biografia e as memórias pessoais, que traça um retrato sobre um personagem absolutamente fascinante (Alberto de Lacerda) e que é, simultaneamente, uma singular demonstração da amizade que uniu estes dois portugueses exilados em Londres – Luís Amorim de Sousa e Alberto de Lacerda.
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