As Portas da Percepção - Céu e Inferno

de Aldous Huxley
Editor: Via Optima, novembro de 2005 ‧
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Aqui estão reunidos dois dos mais importantes textos da chamada contracultura. Aldous Huxley relata a sua percepção mística e peculiar da realidade, após a ingestão de mescalina, em 1953. Considerando a experiência como "visionária" apela a uma nova consciência, assente em misticismos e novas interpretações do mundo, bem ao estilo do universo de psicadelismo que se anunciava. Como curiosidade, recorde-se que foi num destes ensaios que James Douglas Morisson encontrou o nome para a sua mítica banda rock, The Doors.

A função do cérebro e do sistema nervoso é proteger-nos de sermos esmagados e confundidos por este amontoado de informações em grande parte inúteis e irrelevantes excluindo grande parte do que de outro modo apreenderíamos ou recordaríamos a todo o momento e deixando apenas essa selecção muito reduzida e especial do que poderá ter utilidade prática. De acordo com tal teoria cada um de nós é potencialmente detentor de uma Mente sem Limites (Mind at Large). Porém, na medida em que somos animais, o nosso objectivo é sobreviver a todo o custo. Para tornar a sobrevivência biológica possível a Mente sem Limites tem de ser obrigada a passar através da válvula redutora do cérebro e do sistema nervoso. O que sai do outro lado é uma mísera gota do tipo de consciência que nos vai ajudar a permanecer vivos à superfície deste planeta em concreto.
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Confrontado com uma cadeira que parecia o Juízo Final - ou, para ser mais preciso, com um Juízo Final que muito tempo depois e com considerável dificuldade reconheci como uma cadeira -, de repente dei por mim à beira do pânico. Subitamente senti que isto já ia longe de mais. Longe de mais, ainda que a ida fosse no sentido de uma beleza mais intensa, de uma significação mais profunda. Analisado retrospectivamente, esse medo era o medo de ser esmagado, de me desintegrar sob o peso de uma realidade muito mais poderosa do que a que uma mente habituada a viver a maior parte do tempo no mundo confortável dos símbolos poderia suportar.
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Por conseguinte, o cristianismo e o álcool não se misturam nem podem ser misturados. O cristianismo e a mescalina afiguram-se muito mais compatíveis, o que foi demonstrado por muitas tribos Índias do estado do Texas ao Wisconsin. Entre estas contam-se grupos afiliados à Igreja Nativa Americana, uma seita cujo rito principal consiste numa espécie de Ágape ou Festa do Amor dos cristãos primitivos em que fatias de peiote tornam o lugar do pão e vinho sacramentais. Estes ameríndios consideram o cacto como uma dádiva especial de Deus aos índios e equiparam os seus efeitos à obra do Espírito divino.
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Nos antípodas da mente estamos mais ou menos completamente livres da linguagem, fora do sistema de pensamento conceptual.
Consequentemente, a nossa percepção dos objectos visionários possui toda a frescura, toda a intensidade nua das experiências que nunca foram assimiladas a abstracções sem vida. A sua cor (esse traço distintivo da sua qualidade real) irradia um brilho que nos parece preternatural por ser de facto completamente natural - completamente natural no sentido de completamente inadulterado pela linguagem ou pelas noções científicas, filosóficas e utilitárias através das quais normalmente recriamos o mundo real à nossa própria imagem desoladoramente humana.
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As Portas da Percepção - Céu e Inferno

de Aldous Huxley

Propriedade Descrição
ISBN: 9789729360213
Editor: Via Optima
Data de Lançamento: novembro de 2005
Idioma: Português
Dimensões: 140 x 210 x 16 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 160
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ensaios
EAN: 9789729360213
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

Aldous Huxley

Aldous Huxley (1894-1963) é um escritor visionário e um dos mais astutos guias nos meandros do futuro da civilização. Romancista, crítico e ensaísta, autor de uma vasta obra, corria-lhe nas veias um profundo interesse pela ciência, que se reflectiria na sua obra mais famosa, Admirável Mundo Novo. Estudou Literatura em Oxford, depois de ter contraído uma grave infeção ocular na adolescência, e foi professor de Eric Arthur Blair (George Orwell), em Eton. Repartiu a sua vida entre a Itália, a França e os EUA, país que o perturbou pela sua mescla de hedonismo e de puritanismo. De satirista social e figura próxima do Grupo de Bloomsbury, nos anos 20, às suas experiências com a mescalina e o LSD, nos anos 40 e 50, e à viragem para o pacifismo e para o misticismo, reinventou-se continuamente e é hoje tido por um dos maiores escritores do século XX.

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